<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954</id><updated>2012-02-16T12:45:29.581-08:00</updated><category term='CALPS URBIM'/><category term='Maríllia Rossi'/><category term='Gustavo Conte Moojen'/><category term='Opus Promoções'/><category term='Usina do Gasometro.'/><category term='Sonia Coppini'/><category term='Régis Conte'/><category term='Marquinho'/><category term='Rogério Berreta'/><category term='Julio Conte'/><category term='Guaspari'/><category term='Gilberto Perin'/><category term='Claudia Acursso'/><category term='Zero Hora'/><category term='DAD'/><category term='Trenaflor'/><category term='Luiz Antonio Guerreiro'/><category term='Zé Victor Castiel'/><category term='Não Pensa Muito Que Dói'/><category term='Elis Regina'/><category term='Libelu'/><category term='Márcia do Canto'/><category term='Bailei na Curva'/><category term='bonequinho'/><category term='Interlúdio'/><category term='Melanie Klein'/><category term='Garrincha'/><category term='Marcos Breda'/><category term='Patrola'/><category term='Hermes Mancilha'/><category term='Carlos Konrath'/><category term='Alexander Goudnov'/><category term='sonhos premonitórios'/><category term='dramaturgia'/><category term='JULIO CONTE. BAILEI NA CURVA'/><category term='1983'/><category term='Geraldo Lopes'/><category term='MTV'/><category term='Hospital São Pedro'/><category term='Taurus'/><category term='Radar'/><category term='Juarez Fonseca'/><category term='VHS'/><category term='MPM'/><category term='Beijo Ardente'/><category term='Lúcia Serpa'/><category term='Regina Goulart'/><category term='teatro'/><category term='Gabriel Moojen'/><category term='Grupo Escolar Francisco Generozzi'/><category term='Flavia Morais'/><category term='Fernando Severino'/><category term='Cláudio Cruz'/><category term='Nei Lisboa'/><category term='censura'/><category term='Rede Globo'/><category term='Ivo Bender'/><category term='Flávio Bicca Rocha'/><category term='Freud'/><title type='text'>Dispositivo Cênico</title><subtitle type='html'>Há alguns anos, encontrei um diário de anotações e começei a refletir sobre coisas que havia escrito quando dos ensaios da peça Bailei na Curva. Reolvi publicar aqui até que um editor oudsado queira fazer um livro estes pensamentos.
Diário de Montagem da peça Bailei na Curva.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-7079499676904932016</id><published>2009-05-04T04:46:00.001-07:00</published><updated>2009-05-11T06:03:09.205-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lúcia Serpa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hermes Mancilha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Regina Goulart'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Flávio Bicca Rocha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Márcia do Canto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fernando Severino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zé Victor Castiel'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marcos Breda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cláudio Cruz'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Claudia Acursso'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rogério Berreta'/><title type='text'>EPILOGO DO DIARIO DE BAILEI NA CURVA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;3. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Epílogo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Esta é a terceira parte do livro Diário de Montagem do Bailei na Curva. Ficou um pouco longa para um blog,mas resolvi manter assim mesmo porque não achei pontos de corte. O epilogo foi esculpido em pedra única, consistente e inflexivel. Tive a paciência de poliar a solidez para que fosse um retrato cristalino de um pensamento singular. Uma espécie de legado ou testamento. Quem tiver a obstinação de chegar até o fim poderá encotrar (de novo) a força motivadora do texto e seu verdadeiro autor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Bailei na Curva é um fenômeno como Geraldo Lopes antevira. Fez naqueles primeiros anos e confirmou depois uma trajetória surpreendente. Nos meses que se seguiram a turnê nacional o texto e a encenação se popularizaram pelo Brasil afora. Desde o centro cultural do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro, avançando para Curitiba, Florianópolis, Campo Grande, Brasília e muitas outras cidades pelo inteiror deste imenso pais. Por conta disso, houve mais de quarenta montagens em todo o território nacional. Mais de uma em cada Estado, sem falar nas encenações escolares que se eternizam e, é claro, as clandestinas, as adaptadas, as surupiadas, as homenageadas por outros autores em citações e influencias. O Coração Brasileiro pulsou Bailei nba Curva. Do Iapoque os Chuí, em todos os estados brasileiros houve uma ou mais montagens do Bailei. E fora do Brasil também, em Portugal fez carreira importando atores brasileiros que pegaram carona na peça e, também foi objeto de estudos em escolas americanas, teses de mestrado, temas psicanalíticos e toda a sorte de produto do pensamento que se interessava para história do Brasil e do teatro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Também muitos atores encararam os personagens de “Bailei na Curva”. Do elenco original cada um seguiu uma trajetória diversa. &lt;strong&gt;Cláudio Cruz&lt;/strong&gt;, dirigiu alguns trabalhos como Esperando Godot, de Samuel Becket e Marcos IV, de Ivo Bender e encaminhou sua carreira para a literatura. Fez pós-graduação na PUC e dá aulas em Florianópolis. Saiu da peça no final de 1984. Todos nós sabíamos que sua participação como ator era temporária. A mente criativa do Cláudio estava disposta a encarar outros desafios e estes se realizaram no plano da escrita e da literatura. Saiu num final de temporada do Theatro São Pedro. No portão de serviço ele comunicou o grupo, um pouco informal, um pouco sem emoção. Era o seu jeito de ser que não demonstrava muito afeto. No entanto, esta aparente indiferença se dissipou ano 2000. Com a nova encenação, novo elenco e a peça na mídia novamente, voltou a ligar para o Flávio cobrando que a sua filha não acreditava que ele tivesse feito o Bailei pois o seu nome não aparecia no programa. Mas, para que interessar possa, ele fez. E fez muito bem.&lt;br /&gt;Para o lugar do Cláudio já existia o &lt;strong&gt;Fernando Severino&lt;/strong&gt; que era o sonoplasta e sabia todos os textos da peça de cor. Antes de o texto ser publicado, Fernando era o nossa memória oral. Não raro nas viagens ele representava os vários personagens, sozinho interpretando e falando o texto de todos durante as longas viagens. Era a maneira de fazer o tempo passar. Fernando era um ótimo ator. Trabalhou em Lisístrata, A Fonte, Partituras e Hamletmachine. Morreu de AIDS. Sua última temporada no TSP ele estava debilitado pela doença. Usava um fio de voz e a cada intervalo corria para o camarim para descansar. Ofegava após cada fala. Mesmo assim era um exemplo de técnica e disciplina. Com um mínimo de recursos físicos tirava o máximo de efeito teatral. Não pode fazer a apresentação do domingo, última da temporada de 94. Ficou no camarim um do Theatro São Pedro, o camarim das estrelas, deitado escutando a peça e barulho dos pés se movendo em cena. É uma bela música a percussão dos sapatos na madeira do palco. Sincopada, irregular e de repente silenciosa. Fernando saiu de cena dois meses depois, fraco, magro, mas sempre lutando, um ator até o fim. O Fernando Severino e o seu Caco ficam para sempre na memória, pois é ali o verdadeiro palco da vida eterna. &lt;strong&gt;Hermes Mancilha&lt;/strong&gt; se afastou do grupo em silêncio, um dia saiu da sala de ensaios como quem vai comprar cigarros e não volta nunca mais. Eu falei alguma coisa, ele escutou e foi embora. Devo ter dito alguma bobagem e o machuquei. O Hermes foi um dos atores que mais interpretou Bailei na Curva. Na volta da peça, em 94, ele já havia dirigido vários trabalhos e foi coerente com suas propostas de vida. Deu aula no Centro Vida. Também ficou doente. Afastou-se do Bailei 95 para cumprir uma tarefa espiritual. Cumpriu. Virou uma entidade amada e admirada por todos. Eterno Pedro. &lt;strong&gt;Claudia Acursso&lt;/strong&gt; foi uma das atrizes mais inteligentes com quem trabalhei. Extremamente sagaz e criativa. Optou pela Fisioterapia e tem hoje uma dedicação muito sensível para com pacientes com lesão cerebral e com idosos. &lt;strong&gt;Lúcia Serpa&lt;/strong&gt; foi para São Paulo. Entrou no mercado, saiu do mercado, foi fazer comerciais, foi fazer teatro de pesquisa. Mora no Nordeste, dá aulas de teatro e tem um trabalho muito rico em disseminação da arte teatro fora do eixo Rio-SP. &lt;strong&gt;Regina Goulart&lt;/strong&gt; mora em São Paulo. Casou-se e o marido dela é psicólogo, mas ao contrário da Ruth, emagreceu mais de vinte quilos e tem seu próprio trabalho. Dá aulas de interpretação, atua como atriz e, para rimar, está muito feliz. &lt;strong&gt;Flávio Bicca Rocha&lt;/strong&gt; saiu do Banco do Brasil, dirigiu algumas peças, produziu outras. Um grande ator, especialmente na comédia, tem um tempo cênico excelente e é brilhante na caracterização. Hoje é um empresário de teatro sem deixar de ser ator e músico. Criou, junto com Rogério Berreta e Zé Victor Castiel dois dos eventos mais importantes do teatro gaúcho: Porto Verão Alegre e a Mostra de Inverno. &lt;strong&gt;Márcia do Canto&lt;/strong&gt; emplacou mais um sucesso com “Escondida na Calcinha”, morou no Rio de Janeiro. Fez algumas novelas como “Barriga de Aluguel” e “Floradas na Serra”. Depois voltou para Porto Alegre, escreve e dirige teatro. Fez um trabalho muito bonito de animação em hospitais. Dedica-se a integração entre o teatro e o cinema.&lt;br /&gt;Marcos Breda, Neneca Cavalheiro e Marley Danckward também participaram daqueles primeiros anos do Bailei. Breda entrara no grupo para o trabalho seguinte, mas compromissos trouxeram de volta o “Bailei na Curva” e, em 1984, Breda foi integrado ao elenco. Muita gente acha até hoje que ele trabalhou desde o início. O fato é que a divulgação acabava colocando o Breda em destaque pois era o nome nacional de maior evidência por conta do filme Feliz Ano Velho no qual protagonizada a película. A Marley entrou no lugar da Claudia e fez um grande trabalho. Fiel e leal manteve a dignidade. A Neneca veio de Pelotas para entrar no Grupo, os ventos do sul e as tarde ensolaradas na praia do Laranjal fizeram efeito sobre ela. Era completamente avoada. Ficou na peça até o fim. Trabalhamos juntos em “Cabeça-quebra-cabeça” e ela fazia um empregada muito engraçada. Quando o grupo terminou ela foi tentar a sorte na Europa. Comprou milhares de coisas a crédito e foi embora. Casou com um italiano e vive muito bem. O telefone na minha casa tocava por causa dela. Lojas cobrando a prestação.&lt;br /&gt;Geraldo Lopes seguiu sendo o grande produtor do Rio Grande do Sul. Depois de alguns anos trabalhando juntos a Opus resolveu retornar a ser uma produtora de eventos mais do que uma produtora de espetáculos locais. Eu e toda a minha geração devemos ao Geraldo o espírito profissional. O conceito de fazer teatro pra grande público sem perder a qualidade artística. A Opus cresceu e a sede se aproximou da RBS, cravada no pé do morro. No antigo escritório da Praia de Belas 2310 instalou-se um Instituto de Beleza.&lt;br /&gt;Eu fiz psicanálise, me afastei temporariamente do teatro comercial e trabalhei durante seis anos com teatro de rua e novos grupos. Desta experiência surgiram vários grupos que hoje despontam. Fiz alguns espetáculos que eu gostava mas que não tiveram grande repercussão de público até que com “Se Meu Ponto G Falasse” encontrei outro sucesso do tamanho do Bailei. Como ator participei de três grandes sucessos teatrais “A Verdadeira História de Édipo Rei” – substituindo o Lui Strassburgo, Trem-Bala e Almas Gêmeas estas duas últimas como direção de Irene Britskie e texto de Martha Medeiros. De qualquer forma com o “Se Meu Ponto G Falasse” acabou-se a mítica de que eu era um diretor de uma peça única. Mesmo que assim fosse, ter no currículo uma peça como Bailei na Curva, permanecer vinte anos em cartaz e saber que a criatura sobreviverá ao criador é uma experiência mais do que realizadora. É um sentido de uma carreira.&lt;br /&gt;Quando me mudei para Porto Alegre, dia primeiro de março de 1964, estava com oito anos de idade. A primeira experiência além de jogar futebol na calçada da Dario Pederneiras e, no primeiro de abril daquele ano, fugir no Simca Chambor preto do meu pai, é de uma Gincana. Ela não se encadeira pela cronologia àquele primeiro de abril de 64, mas sim emocionalmente. Marca um tipo especial de encontro com a cidade. Foi na atividade coletiva da Gincana mobilizando famílias e vizinhos, amigos e parentes, que se evidenciou uma Porto Alegre prosaica e delicada. Quase ingênua, uma Porto Alegre paraíso perdido. Chamou a atenção que a Gincana mobilizou toda a comunidade. Pais e filhos envolvidos numa imensa brincadeira. Meu pai, sempre tão tomado pelo trabalho, liderou uma das equipes. Ele estava entusiasmado e divertido, coordenou toda a vizinhança. O dono da rua. As tarefas eram de encontrar pequenos objetos esquecidos, buscar pessoas que se vê todo o dia e por isso mesmo mergulhadas na invisibilidade do cotidiano, mostrar lembranças de família, um quadro do século passado, uma cuíca que o locutor da rádio chamou equivocadamente de cueca na madrugada, um prato do restaurante que não existe mais, uma garrafa, um espada de Bento Gonçalves, um rótulo. E para finalizar com chave de ouro, a entrega de prêmio foi transmitida pela TV, ao vivo. Essas impressões ficaram na minha memória e talvez por isso fui guardando pequenas lembranças, como uma criança que coleciona caixinhas de fósforos ou anéis de charutos, fui guardando um fato aqui, uma palavra ali, um rosto mais além, um gesto intrigante. Foram milhares de souvenires que a experiência me ofertou e eu os colecionei. Imaginava que algum dia elas seriam úteis para alguma coisa.&lt;br /&gt;Com elas construo o meu dia-a-dia e escrevo algumas histórias como esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro segue com suas dificuldades neurológicas. Todos dizem que ele é a minha cara. Se pudesse ficar de pé seria mais alto do que eu, talvez um metro e noventa, seus braços são longos e esquerdo tem mais desenvoltura do que o direito. Este se fecha com um canivete pelo espasmo de flexores. Ele tem uma boca muito grande e sorri de um jeito engraçado. Mas o melhor são seus grandes olhos azuis, sempre arregalado e quando quer evitar a aproximação, se tornam dissimulados, divergindo o olhar e instalando uma invisibilidade protetora. Mesmo com paralisia cerebral que o atinge, ele consegue ter tudo o que deseja na vida e quem olha para ele vê que é uma pessoa feliz. Muito bem cuidada graças à dedicação da Márcia do Canto. Quando ele nasceu, éramos jovens e cheios de saúde por isso sempre intrigou a lesão. Aventou-se mil hipóteses a respeito da doença. Até que há poucos anos se descobriu que houve uma má formação de um folheto embrionário, uma pequena película que deveria recobrir o que mais tarde seria o cérebro, não cumpriu o seu papel deixando que neurônios desamparados se proliferassem em turbulência. Este desdobramento do folheto deveria acontecer em torno do sétimo dia. Deve ter sido no exato momento em que Deus distraído, descansou. Pedro segue constante num mundo mutável. Uma pedra no caminho. E ele no caminho fez com que se criasse caminhos para além dele. Um dos filmes mais marcantes da minha vida foi Zorba , o grego. Assisti numa sessão da tarde de um Ciclo do Bristol. O escritor em contato com Zorba, com Antony Quin descobre que uma dose de loucura é necessária para nos libertar das amarras. E logo depois que toda parafernália desaba e leva a bancarota o escritor, personagem do Alan Bates, Zorba pergunta:&lt;br /&gt;- Alguém já viu alguma vez um desastre mais magnífico do que este? - E bailam solitários numa ilha grega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo trabalhou bem até que os atritos anunciados na briga no Teatro da Assembléia, explodiram e chegou a tormenta. O grupo se dividiu. Personalidades fortes entraram em choque. As polêmicas não eram resolutivas. Quando uma decisão ia para votação o resultado era conhecido de antemão. Cinco a três. De um lado eu, Márcia, Flávio, Regina e Hermes de outro Lúcia, Cláudia e Cláudio. Porém o resultado da votação era aceito mas não acolhido. Ficava um rancor e uma subversão. Começaram as dissidências e o grupo foi processando as saídas e as entradas até que numa reunião no apartamento da Regina foi proclamada a dissolução. Como toda a glória é fugaz, valeu a pena enquanto durou. Foi a maior experiência criativa em grupo que já vivi.&lt;br /&gt;Durante o mês de julho de 85 Regina quebrou a perna e foi substituída pela Miriam Tessler. Durante esta substituição o Flávio se irritou. A pressão externa para que a peça terminasse era grande. Não era suportável um sucesso do porte do Bailei na Curva dentro de uma classe teatral como a de Porto Alegre. Na discussão comigo ele saiu do grupo e ainda propôs que uma vez que eu começara todo o processo da peça, ele terminaria. Olha eu de novo na plataforma do Petrópole Tênis Clube. Saltei substituindo o Flávio.&lt;br /&gt;Hermes Mancilha e Márcia do Canto foram os únicos atores que participaram de todas a apresentações daquele primeiro período do Bailei. Foram em torno de trezentas apresentações desde o 1º de outubro de 1983 até o 22 de dezembro de 1985, quando o palco, na cena final, foi invadido por uma emoção transbordante. Estávamos todos chorando e nenhum ator conseguia cantar. Nem precisava. A platéia cantava por nós. Existe uma foto do Luiz Antonio Guerreiro, tirada de dentro do palco, na qual estamos todos de costas, abraçados e se via a platéia de pé aplaudindo. Choveram flores no palco como no dia da estréia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois daquela noite a peça esteve fora de cartaz por nove anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou a cartaz no Theatro São Pedro no dia 4 de agosto de 1994. No elenco Fernando Severino, Flávio Bicca Rocha, Hermes Mancilha, Lúcia Serpa, Márcia do Canto, Marley Danckwardt, Marcos Breda e Regina Goularth. Esta segunda montagem se manteve em cartaz até 97 perfazendo um torno de quatrocentas apresentações. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Uma terceira encenação foi realizada no ano 2000 com elenco todo renovado. Tiago Conte, Cíntia Ferrer, João Walker, Patrícia Mendes, Ju Brondani, Julinho Andrade, Tiago Leal, Miila Derzet. Estes últimos depois substituídos por Tuta Camargo, Érico Ramos e Mariana Vellinho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esta montagem atravessou o final do século atingindo a marca de mais 1000 apresentações. Incluindo festa de 25 anos em cartaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início deste relato, escrevei sobre a perda do César no meio do meu nome. E era, entre outras coisas, um dos motivos do livro. Qualquer ato humano sustenta dentro de si a necessidade de decifração do seu próprio enigma. A Esfinge nos acompanha, palavra originada de esfíncter, marca os estreitamentos, os rituais de passagem. É disso que trata este livro, pois neste trajeto onde o sucesso do Bailei veio como um furacão derrubando tudo pela frente, estrangulando as possibilidades e descortinando o istmo, César saiu de cartaz. Sumiu primeiro do folder da peça, saiu da divulgação, depois nas entrevistas e assim foi saindo de fininho, a francesa como se nunca tivesse existido. Comecei a assinar com o mesmo nome do meu avô. No entanto, não era este o destino programado para mim. Outro nome me era destinado: Jorge Luiz. Porém, meu pai se viu obrigado a trocar o meu nome um mês antes do meu nascimento, pois na mitológica Forqueta, nasceu um menino que recebeu o tal nome. Imagino que surrupiados do nome que deve ter atravessado a gravidez, meus pais ficaram a mercê de moções obscuras de suas mentes. Pressionados por forças ambíguas, recebi o nome de meu avô paterno, Júlio Conte, que viveu relações turbulentas com meu pai. É provável que tenha sido uma surpresa o fato de meu pai ter escolhido este mesmo nome para mim. Um pequeno ardil da parte obscura de nossas mentes. Um pedaço de amor disfarçado por um álibi do César. Este aponta toda a predileção de meu pai pela mítica romana. Quando era criança assisti com ele aos filmes épico romano e aos filmes de ação estrelados por atores canastrões e musculosos que interpretaram Hercules a Maciste e também quase todos os que tinham uma temática bíblica. Em todos, carregado pela mão de meu pai assisti Os Dez Mandamentos, primeira vez que fui ao cinema, até A Queda do Império Romano no Cine Vitória. Neste aparece a famosa frase de Júlio César: vim, vi, venci. Júlio César foi a marca da ambivalência da relação do meu pai como o pai dele, e o estigma de um afeto camuflado quase clandestino que une as geração e também meu uniu a meu pai dessa forma. No diálogo mudo da sala de cinema, conheci o afeto sutil de meu pai. Ele me sonhou imperador, por isso, a perda do César foi a perda da onipotência. Corte e cicatriz. Prova que a vida nos toca de uma forma intensa e irreversível, que toda chama carrega junto a sua escuridão. A vida é de uma intensidade feroz e arrasta seu manto de fragilidade através da transitoriedade. Toda glória é fugaz. Estava escrito no pórtico de Roma que conheci no cinema e acontecia violentamente na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 90 e 2000 a tormenta anunciada mostrou uma nova face. Começaram muitas discussões sobre a autoria verdadeira do Bailei na Curva. Depois que nasceu cada um dos participantes do processo reivindicou a paternidade da autoria. Se examinarmos bem, todos os grandes criadores de espetáculo a partir de improvisações e que fizeram o que eu fiz, que é o roteiro, a organização e a dramaturgia, assinaram os seus textos. Foi assim com Schools Out, foi assim com as peças do Carlos Meceni e com o grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone e muitos outros. Eu propus algo diferente. Dividi a autoria com todos. Até mesmo Cláudio Cruz e Lúcia Serpa que entraram na peça quando o texto já estava quase completamente pronto tiveram a oportunidade de assinar a autoria. Ele não quis assinar sua participação autoral por que não achou justo. Lúcia achou. Não abri e não abro mão do roteiro que é na verdade o trabalho de organização. Tinha também o argumento, a metáfora desencadeadora, a idéia geminal. Fiz uma bricolagem, cena por cena, fala por fala, clima por clima, foi a montagem da peça e simultaneamente do texto. Este por sua vez, ao contrário da maioria dos textos criados nesta modalidade, “Bailei na Curva” sobreviveu. Acredito ser resultado da marca dramaturgica que nele imprimi como autor. Uma curva dramática peculiar do meu trabalho como dramaturgo já aparecia no “Não Pensa” e segue nos textos atuais. Humor, comédia e quando menos se espera, a emoção. Toda gargalhada tem escondida dentro de si uma lágrima, um lamento encoberto. Meu trabalho foi desvenda-lo. Das improvisações eu fiz a seleção do que deveria entrar e do que foi descartado. Mesmo nas remontagens de 84 e 2001 eu re-escrevi novas cenas, aglutinei outras, cortei algumas. Inseri novos personagens ficcionais e revivi personagens da história do Brasil. Nunca parei de fazer a bricolagem de dramaturgo. Poderia ter assinado só, não o fiz por insegurança, não o fiz para manter a unidade do grupo, mas também porque não sentia justa tal idéia. A concepção veio a minha mente, não necessariamente original, mas sim particular e subjetiva. Com outro grupo teríamos outra peça. A minha sensibilidade determinou o Bailei, pois escutei cada um e retirei de cada um dos atores o que eles tinham de melhor. E dei a cada um deles uma sensação que a peça era nossa.&lt;br /&gt;Se tivesse, a rigor, que decidir quem escreveu o Bailei, teria que encontrar o algo que subjaz trás disso tudo. Um impulso essencial moveu todo este ritual de passagem. Uma alma que paira na minha mente durante todas as horas do dia, como um anjo da guarda, uma alma que segue comigo, invariável, eterna, imortal e sempre a mesma, embora eu fiquei longos períodos sem vê-lo, mas sempre está presente, sempre invariavelmente inspirador, sempre imutável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome do autor do Bailei na Curva então seria Pedro do Canto Conte. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334184228887881746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 158px; CURSOR: hand; HEIGHT: 239px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgbUS2FaaBI/AAAAAAAAAnI/m_EPsQRdAqw/s320/Pedro+Sentado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-7079499676904932016?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/7079499676904932016/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=7079499676904932016&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/7079499676904932016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/7079499676904932016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/05/epilogo-do-diario-de-bailei-na-curva.html' title='EPILOGO DO DIARIO DE BAILEI NA CURVA'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgbUS2FaaBI/AAAAAAAAAnI/m_EPsQRdAqw/s72-c/Pedro+Sentado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-3229387790231809603</id><published>2009-05-04T04:44:00.001-07:00</published><updated>2009-05-09T10:35:10.181-07:00</updated><title type='text'>30 de dezembro de 1983</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dezembro, 30.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Balanço dos objetivos.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na última página da agenda encontra-se os objetivos para o ano. No primeiro semestre está escrito: passar nas disciplinas de Cirurgia, Medicina Legal, Patologia IV e V. Estética I. Prêmio Qorpo Santo de Dramaturgia – 1° lugar. Troféu Açorianos. Novo trabalho um sucesso!!! Curso (de teatro para a CEF) funcionar bem. Saúde do Pedro. Amor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Para o segundo semestre foi anotado depois. Passar em Medicina: Pediatria, Psiquiatria, Medicina Preventiva. No CAD: Dramaturgia II. Bailei na Curva: grande espetáculo, sucesso de público e de crítica. Trabalho: continuar o curso.&lt;br /&gt;Conferidos os resultados tirei conceito B em todas as disciplinas exceto Patologia V que tirei C. Em Pediatria, Psiquiatria e Medicina Preventiva tirei “A”. Recebi o prêmio Qorpo Santo, em segundo lugar. Um OK ao lado do Troféu Açorianos. O curso foi bem. O novo trabalho foi o Bailei na Curva, um sucesso de público e de crítica.&lt;br /&gt;Balanço final: foi um ano bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Dezembro, 31.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Free-way. &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fui passar o Reveillon na Rainha do Mar. Troquei a Brasília por uma Ipanema azul metálico. Era uma tarde de sol, e estava na free-way com o vidro aberto. O vento do litoral me lembrou um filme do Fellini. O sol queimava meu braço esquerdo, mas eu não me importei. Imaginei a passagem de ano na beira da praia, o quiosque e o foguetório. Talvez mais lágrimas. Pedro no banco de trás e Márcia absorta contemplavam a paisagem. Guardo esta imagem quase como um acaso. Nada de mais. Apenas uma lembrança das muitas que carrego sem saber bem o motivo. Seria bonito se naquela hora, eu estivesse pensando no ano que terminava, nos ensaios, na estréia no IPE, nas reuniões com a Opus ou na apresentação da Assembléia. Mas não pensava nisso. Nada na minha mente além do instante. De repente, um frio me percorreu a alma e não sabia se tinha vontade chorar ou de ri. Sabia que algum dia teria que digerir estes fatos todos, o ano de 1983, toda essa emoção.&lt;br /&gt;E aquele foi só o primeiro ano do resto de minha vida.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-3229387790231809603?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/3229387790231809603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=3229387790231809603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/3229387790231809603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/3229387790231809603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/05/30-de-dezembro-de-1983.html' title='30 de dezembro de 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-7419009566209144850</id><published>2009-05-04T04:43:00.001-07:00</published><updated>2009-05-08T11:36:38.135-07:00</updated><title type='text'>13 de dezembro de 1983</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Dezembro, terça-feira, 13.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Apresentação extra. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;p&gt;Superamos a briga. Não havia mais uma garrafa de conhaque no camarim. O espetáculo começou tenso e a ansiedade se dissipou nas gargalhas e na emoção. A briga trouxa a tona toda a paranóia de final de temporada e a fantasia de última vez. Parecia prenunciar um fim próximo para o Bailei na Curva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Dezembro, 15-16-17-18. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Bailei. &lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Última apresentação do ano de 1983.&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Público pagante: 6.389 &lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Total: 7385&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Média 211 por dia. (Teatro do IPE – capacidade de 200/ Teatro da Assembléia – capacidade de 600)&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Total de apresentações: 35.&lt;/strong&gt; &lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;As anotações são refentes a uma espécie de balanço das temporadas do ano de 1983. No final da última apresentação da peça no Teatro da Assembléia aconteceu uma das muitas surpresas que o Geraldo Lopes gostava de oferecer para o elenco. O coral da Unisinos começou a cantar Horizontes junto com os atores, mas aos poucos a sonoridade foi se expandindo e tomou conta da platéia, deixando o palco em segundo plano e colocando ênfase na platéia. As vozes do coral, sob a regência do maestro Zé Pedro Boéssio, tomaram o teatro da Assembléia. Uma voz aqui outra ali e o somatório resultou numa emoção imensa. Estávamos frente ao fenômeno Bailei na Curva. Não tinha noção do que isso representaria. Não tinha a noção que eu passaria os próximos vinte e tantos anos envolvido com esta peça de teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-7419009566209144850?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/7419009566209144850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=7419009566209144850&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/7419009566209144850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/7419009566209144850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/05/13-de-dezembro-de-1983.html' title='13 de dezembro de 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5596941266249903443</id><published>2009-05-04T04:42:00.001-07:00</published><updated>2009-05-08T05:07:56.312-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='VHS'/><title type='text'>12 de dezembro de 1983</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Dezembro, segunda-feira, 12.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Apresentação extra. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;A primeira briga: toda glória é fugaz.&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Apresentação extra.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Final da temporada e uma sensação de que aquilo que era sólido poderia se disolver no ar. Precisava de um registro. O texto, embora estabilizado pelo palco, tinha um registro precário. Isso sem falar de que ainda estava em evolução. Toda semana tínhamos piadas novas, formulações de texto diversas. O texto forjado sob o signo da improvisação guardava um frescor que se renovava a cada apresentação. O ritmo das falas era frenético, o elenco era energia pura palco. A coisa estava viva e em constante movimento. Uma forma teatral difícil de teorizar, pois era a um só tempo singela e complexa.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Gravações de VHS era uma raridade. Contratamos uma empresa para gravar a peça afim de reter, em algum lugar além da nossas memoras, o momento que vivíamos. Não via com aquilo pudesse ir muito adiante, mas não queria que terminasse.&lt;br /&gt;Airton Bebeti, um colega meu do Colégio N.S. do Rosário gravou o espetáculo. O equipamento era rudimentar. Nada a ver com as câmeras compactas de hoje. Era uma parafernália que exigia o próprio aparelho de videocassete e uma série de fios e transformadores elétricos. O resultado foi uma gravação simples, câmera parada, nenhum movimento. Airton Bebeti estava, como nós, aprendendo um ofício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A primeira briga.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi justamente neste dia que tivemos a primeira grande briga no Bailei. Acho que foi por causa de alguns goles a mais de conhaque que o Hermes tomou e que a Regina se irritou com um travalíngua na cena da Casa da Dona Elvira e foi isso. O conhaque era frequentador constante dos camarins de teatre e tradicionalmente usado sob o pretexto de aquecer a voz. Porém corre-se sempre o risco ficar além da dose recomendada. Hermes e a Regina discutiram ainda antes de enrtarem em cena, depois durante a peça e a confusão avançou sobre todos invadindo o camarim. Quando subi com a câmera para gravar os bastidores, vi um camarim de guerra, rostos tensos, ansiedades e parecia que todos tinham se calado quando entrei acompanhado do cameramen. Parecia uma cidade sitiada com mísseis verbais atravessando o espaço que subitamente silencia para verificar os estragos. O espelho refletiu um estado de agressão inédito mas latente. O depoimento da Claudia foi muito querido. Enquanto arrefecia os ânimos ela varria o camarim. A câmera veio até ela que, marota, falou que a vida era cheia de emoções acumulada e às vezes tínhamos que botar para fora. Depois varrer a sujeira. Meu depoimento foi de indignação. Como é que podia ter uma platéia de quinhentos pagantes aplaudindo de pé e uma briga infantil dentro do elenco. Na parede do camarim, herança de outro espetáculo, uma frase escrita com pincel atomico carregava a sabadoria dos séculos de vaidade humana cujas legiões romanas vitoriosas tinham que prestar culto: toda a glória é fugaz. Pedi para Bebeti gravar aquela frase. Teatro é a arte da transitoriedade e mesmo assim uma das tarefas humanas mais difícil é lidar com o transitório. A vaidade exige eternidade, doce ilusão. A briga foi o prenuncio da dificuldade de administração de um sucesso. Existem dois eventos fatais para um grupo de teatro: um grande fracasso ou um grande sucesso. O caminho do meio, o médio, o medíocre é sempre constante. E tranqüilizador. Aquela briga no palco da Assembléia era uma pequena nuvem num céu cristalino. Mas, com se sabe, uma pequena instabilidade ao amanhecer, pode-se revelar uma tormenta no final do dia. &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333422791905148242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 227px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgQfxYR6fVI/AAAAAAAAAnA/S8eYjmfOipM/s320/BAILEI.VOLTA.RACHA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esta foto foi tirada quase um ano depois do episódio acima descrito. Foi a volta da viagem do Projeto Mambembão 1984. Depois de meses em cartaz no RGS a viagem através do Brasil, mesmo com todo o conforto de hotéis e passagens aéras, a tensão cresceu e preparava-se a cisão. Aqui podemos ver os rostos cansados e a melancolia que se aproximava do grupo.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5596941266249903443?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5596941266249903443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5596941266249903443&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5596941266249903443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5596941266249903443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/05/12-de-dezembro-de-1983.html' title='12 de dezembro de 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgQfxYR6fVI/AAAAAAAAAnA/S8eYjmfOipM/s72-c/BAILEI.VOLTA.RACHA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-7969860814731696468</id><published>2009-05-04T04:40:00.000-07:00</published><updated>2009-05-07T06:12:26.247-07:00</updated><title type='text'>8 de dezembro 1983</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgLRUWdHDYI/AAAAAAAAAm4/_tyl-MkTqfE/s1600-h/de+leon.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333055056315354498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 208px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgLRUWdHDYI/AAAAAAAAAm4/_tyl-MkTqfE/s320/de+leon.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dezembro, 8.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Reestréia do Bailei na Curva na Assembléia Legislativa. &lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Elipse&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No camarim comentamos que era aniversário da morte de John Lennon. Queríamos prestar uma homenagem. No final concluímos que o trabalho é a melhor homenagem que se presta a quem já foi. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Elipse&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eu estava em Pelotas no dia que Jonh Lennon foi morto. Foi a última apresentação da peça Joaquim Murieta, texto de Pablo Neruda. Eu fazia o papel título e nome do grupo era Os Sobreviventes. Dirigido por Luis Eduardo Crescente, um professor de direção para mim. Tínhamos um uma equipe de trabalho muito bacana. Eduardo Fachel, Claudia Meghetti, Isis Medeiros, Oscar Simch e uma porção de gente boa. Quando me convidaram para participar da peça Scholl’s Out, e não aceitei por causa deste grupo. Com Os Sobreviventes ensaiei tudo que viria a fazer depois. Dirigir, escrever e atuar. Acho que foi neste dia que o grupo terminou. Antes de começar a peça eu fui até a platéia e oferecemos aquela apresentação para Jonh Lennon. Um cara levantou o braço esquerdo, punho fechado e cabeça baixa. Instante de reverencia.&lt;br /&gt;Sentia que eu tinha que fazer alguma coisa que valesse a pena viver a minha vida. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dezembro, 9-10-11.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Anotações. &lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Assembléia.&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Grêmio em Tóquio. &lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Anotações&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No pé da página da agenda encontro a seguinte lista: cadeiras / roupas / sapatos / malinha. E não sei o que quer dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Assembléia. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Três apresentações maravilhosas. Público lotou os três dias. Eu achava que seria bom fazer uma sessão extra, mas o Geraldo, sempre cauteloso, preferiu esperar as vendas. A cautela do Geraldo sempre esteve contrabalançada pelo meu entusiasmo que se manifestava mesmo quando eu não acreditava mais. Ele apoiado na experiência, eu no desejo. Sonhava com um profissionalismo, um público cativo, prestígio para os artistas. Um teatro que conquista o seu mercado e se mantém como arte. Nada disso existia.&lt;br /&gt;Tinha que ser inventado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Grêmio em Tóquio. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Grêmio joga com o Hamburgo SV no Estádio Nacional de Tóquio no Japão. Depois da peça fomos para a casa da Lúcia Serpa na Av. Ganzo. Na garagem foi colocada uma pequena TV e assistimos ao jogo. No meu corpo ainda o efeito da peça, do público e da apresentação deixa para segundo plano a emoção do jogo. Só vibro mesmo no segundo gol do Renato, o gol do título. Estranho a sensação, o Grêmio sempre foi uma parte importante da minha vida. Quando criança, sempre que o Grêmio perdia, eu tinha ataques de asma a ponto de minha mãe que é colorada, torcer pelo Grêmio a fim de que eu não ficasse doente. Nesta noite, uma das mais importantes do Grêmio, era quase um fato comum, banal, inebriado que eu estava com o efeito Bailei na Curva.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-7969860814731696468?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/7969860814731696468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=7969860814731696468&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/7969860814731696468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/7969860814731696468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/05/8-de-dezembro-1983.html' title='8 de dezembro 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgLRUWdHDYI/AAAAAAAAAm4/_tyl-MkTqfE/s72-c/de+leon.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-3214502401738670192</id><published>2009-05-04T04:39:00.000-07:00</published><updated>2009-05-06T05:13:51.231-07:00</updated><title type='text'>5 de dezembro de 1983</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgF-1t1eXUI/AAAAAAAAAmw/56Dju7K8Eec/s1600-h/4+forqueta072.23.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332682895085428034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgF-1t1eXUI/AAAAAAAAAmw/56Dju7K8Eec/s320/4+forqueta072.23.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dezembro, 5.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Primeira viagem do Bailei. Caxias.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Viagem para Caxias do Sul foi uma volta para casa onde nasci. Por coincidência, a primeira viagem do Bailei. O ônibus entrou em Forqueta. Passei em frente a minha casa. Na esquina tinha um jardim na frente com um avarandado. As janelas dos quartos viradas para a rua e aos fundos um pátio com árvores frutíferas, horta, galinheiro, chiqueiro e estrebaria. A casa ficava em frente à Cooperativa Vinícola que meu Avô Joaquim idealizou e meu tio e meu pai trabalharam. Ficava também perto da praça que meu pai construiu quando foi Prefeito de Caxias do Sul. Perto da estação do trem, onde alguns metros adiante ficava o armazém onde minha mãe nasceu e da casa da Vó Virgínia. Passamos pelo campo de futebol do União Forquetense, o Grupo Escolar onde estudei e subimos até a igreja e passamos pelo cemitério. Passei por toda essa Forqueta da minha infância, Forqueta dos meus sonhos. Forqueta que não existe.&lt;br /&gt;Depois deixamos o Airton Dias, operador de luz, no Desvio Rizzo e fomos para Caxias para a apresentação. Lembro que uma mulher que assistiu e veio falar comigo. Falou seu nome. Maria de Lourdes, fora minha colega de curso primário no Grupo Escolar. Uma mulher já madura, mas havia alguns traços da menina que sentava na classe a minha frente, algo familiar. Havia nela, como em todos nós, alguns traços daquela criança que um dia fomos. E isso não é uma metáfora nem uma linguagem simbólica, há sempre uma coisa física que nos relembra algo que um viveu em nós. E a minha surpresa não é a permanecia da criança, mas como nos transformamos. A pessoa na minha frente era uma estranha mas falava uma língua familiar. Nos abraçamos. À noite no apartamento dos meus pais, sonhei com dragões. Alguma coisa acontecia, algo de novo que eu não sabia o que.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-3214502401738670192?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/3214502401738670192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=3214502401738670192&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/3214502401738670192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/3214502401738670192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/05/5-de-dezembro-de-1983.html' title='5 de dezembro de 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SgF-1t1eXUI/AAAAAAAAAmw/56Dju7K8Eec/s72-c/4+forqueta072.23.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-4762885539690132685</id><published>2009-05-04T04:35:00.000-07:00</published><updated>2009-05-05T13:03:58.168-07:00</updated><title type='text'>4 de dezembro 1983</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dezembro, 4.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Grêmio se despede de Porto Alegre rumo a Tóquio.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;G&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ravação especial de fim de ano.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Grêmio partiu para Tóquio para o jogo contra o Hamburgo SV em busca de um título mundial. No time os novos contratados: Mário Sérgio e Paulo César Caju.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo à tarde entre o Green Park e o Gigantinho aconteceu a gravação do show musical para a TV Gaúcha, para ser apresentado no dia 1º de janeiro de 1984 as 11 horas da manhã. Direção de Alfredo Fedrizzi e Alice Urbim o show tinha tomadas aéreas feitas de um helicóptero. Domingo de sol, o Parque da Marinha lotado, o mestre de cerimônia foi o poeta Retamozzo que fazia sucesso com o show Quem Tem QI Vai. As atrações do show foram Bebeto Alves, Vitor Ramil, Nei Lisboa, Nelson Coelho de Castro, Musical Saracura, Leo Ferlauto, Mário Bárbara Dornelles, Canto Livre e finalizava com o Flávio Bicca Rocha. A música Horizontes começava a sua trajetória. Já era tocada nas rádios e entrava gradualmente no imaginário da cidade e por isso, Flávio foi convidado para fechar o evento. Antes do show, ficamos atrás do palco com músicos já conhecidos. Entramos em cena quase ao entardecer. Todo o elenco da peça subiu ao palco para cantar. Inclusive eu. Como cantor fiz uma ótima performance de mímica. Bem longe do microfone por via das dúvidas. Flávio usava um chapéu de palha e as atrizes faziam uma ótima performance.&lt;br /&gt;As tomadas aéreas e mostravam uma cidade iluminada pela luz espectral e transversa. O vislumbre de um novo olhar sobre Porto Alegre se apresentava ao horizonte.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-4762885539690132685?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/4762885539690132685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=4762885539690132685&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4762885539690132685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4762885539690132685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/05/4-de-dezembro-1983.html' title='4 de dezembro 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-2504029874403627004</id><published>2009-05-04T04:31:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T16:24:44.944-07:00</updated><title type='text'>2 de dezembro 1983</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dezembro, 2.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Gravação do Reveillon 84&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No Veleiro do Sul aconteceu a gravação do Reveillon do RBS. Convidados apenas as celebridades da cidade, e neste ano o traje era a fantasia. As estrelas da TV eram a apresentadora Maria do Carmo que foi de Carmen Miranda, Balala Campos apresentou-se como Dondoca Enlouquecida e o circunspeto maestro Celso Loureiro Chaves, então apresentador de um quadro de música, foi de Gaudério dos Pampas. Todos o elenco foi convidado e pela primeira vez participamos da tradicional festa de fim de ano. Eu fui de mafioso, afinal, o sangue sempre fala mais alto. Entrei no salão vestido de Don Conteone!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Dezembro, 3.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Acre vai a Rússia.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Homens de papel.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Peças em cartaz.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/span&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Acre Vai a Rússia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Élcio Rossini, um artista plástico com muito talento para o tudo, inclusive para ser ator entrou em cartaz na esteira do grupo Balaio de Gatos. Ele liderava o elenco de Acre Vai a Rússia, na sala Álvaro Moreira, uma proposta de um teatro experimental e anárquico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Homens de papel.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;No mesmo sábado, Homens de Papel estreou no Teatro do Museu do Trabalho. Texto de Plínio Marcos, com o grupo da Caixa Econômica Federal. A encenação foi o resultado do curso. O preço do ingresso era de Cr$ 1.500,00 e Cr$ 1.000,00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Peças em cartaz.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Vale dos Pimentões do grupo Balaio de Gatos estava em cartaz na Aliança Francesa com Patsy Cecato no elenco. Fernando Severino estava em cena com a peça Segundo Tempo com a qual receberia o prêmio Açoriano de melhor ator seria convidado para participar do Grupo Do Jeito Que Dá. Geraldo Lopes trouxe o Raices de America no Salão de Atos de UFRGS e Miguel Proença na Reitoria e me deu convite. O Retorno de Jedi entrava em cartaz no Cinema Imperial mas eu assisti no Cinema Marrocos. E finalmente A Cantora Careca do Torquato Filho estreou no Teatrinho do DAD. João Batista Dimmer e Torquato no elenco fizeram o que era possível fazer com Ionesco no exíguo espaço que a cidade destinava para o teatro. E, como o previsto, a peça não fez nem uma parte do sucesso do Bailei na Curva embora a direção competente do Antonio Gilberto e uma ótima atuação do Torquato. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;O Teatro Sete de Abril em Pelotas reabriu suas portas e novos ares invadiam a cena teatral do Sul do Brasil. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-2504029874403627004?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/2504029874403627004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=2504029874403627004&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2504029874403627004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2504029874403627004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/05/2-de-dezembro-1983.html' title='2 de dezembro 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-6873459959720576141</id><published>2009-05-04T04:26:00.000-07:00</published><updated>2009-05-04T10:43:36.166-07:00</updated><title type='text'>22 de novembro de 1983</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Novembro, 22.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Psiquiatria.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Encerrei o tratamento com a moça dos olhos tristes. Depois do episódio do Carimbador ela abriu o livro de sua vida para mim. Na minha inexperiência ofereci o que tinha de melhor, minha atenção e uma escuta solidária. Não tinha mais recursos do que esses. Anos depois no Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre, onde fiz a minha formação em psicanálise, aprendi com um professor que a primeira coisa que se pode fazer com um paciente é recebe-lo. Com o tempo se pode compreende-lo, para só então, depois algum tempo, conseguir operar. Compreender e operar dependem do aprendizado e são questões técnicas. Acolher advém de algo que cada um tem dentro de si e depende do quanto se foi acolhido. A vida se faz assim, de mãos que seguram outras mãos formando a grande rede dos afetos. A grande rede da solidariedade. Um mundo reticular feito do que há de mais frágil dentro de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Novembro, 25.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Vim Vadia do Nelson Coelho de Castro.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Comprei o LP do Nelson Coelho de Castro. Vim Vadia fora produzido pela Continental – RGE era o resultado de uma série de show que vinham sendo testados desde o início do ano no Bar do IAB. Nelson sempre se colocou com um teórico da produção artística gaúcha, tivera experiências com produções independentes e sustentara uma cultura da resistência fora da mídia global e do eixo das grandes produtoras. Além de músico era um teórico do processo cultural. Na contra-capa havia uma foto linda. Nelson com cabelos longos ao vento e um copo na mão. Do um lado uma mulher com pulôver listrado e no outro uma criança. O retrato feito no inverno de 83 tem como pano de fundo a rua Felipe Néri. O autor é o hoje conceituado artista plástico Eduardo Vieira da Cunha, na época na Faculdade de Artes de UFRGS. A menina de jaqueta plástica e sombrinha é Joana Carolina, então com cinco anos. Filha do Luiz Antônio Catafesto, fotógrafo e professor de Semiótica, a menina cresceu e é fotógrafa profissional. A mulher de pulôver é Liane Beltrão, Lica, namorada de Nelson na época. Arquiteta mora em Londres. Nelson Coelho de Castro que na época morava no Cristal, mora hoje no bairro Auxiliadora, a três quadras do local onde foi tirada a foto vinte anos antes. A faixa 6 era a música “Legislativo”. No final tinha uma poesia recitada por Lica , eu escutei quase três mil vezes:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não posso me esquecer de nada que está acontecendo agora&lt;br /&gt;Nesse momento, nesta cidade, neste estado, nesta cidade, neste país, neste planeta&lt;br /&gt;Do que estamos fazendo e o que estamos fazendo para a narrativa da história&lt;br /&gt;Eu quero ver se consigo trazer isso sempre acordado dentro de mim&lt;br /&gt;Este êxtase, essa música, essa fotografia, este cinema, esse agora recém parido&lt;br /&gt;Por que saber este tudo agora será saber isso tudo num outro agora&lt;br /&gt;Minha única e verdadeira arma e isso me excita&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;em&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O ano se encaminhava para o seu final e, como Nelson bem definiu, não era uma poesia mas uma oração, uma mensagem ao futuro, que falava de todos nós. Amém.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-6873459959720576141?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/6873459959720576141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=6873459959720576141&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6873459959720576141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6873459959720576141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/05/novembro-22.html' title='22 de novembro de 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5264171751509805369</id><published>2009-04-21T05:29:00.000-07:00</published><updated>2009-04-21T05:37:53.969-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Outubro 29-30&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;/strong&gt;Últimas apresentações.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Terminamos a temporada. Geraldo usou pela primeira vez a chamada publicitária aquele que seria uma marca da divulgação do “Bailei na Curva”: últimas apresentações. O público de Porto Alegre de modo geral deixava para assistir os espetáculos gaúchos nas últimas apresentações. Geraldo, muito esperto, acelerou o hábito.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O espetáculo terminou com todos do elenco abraçados. Tínhamos um grupo muito unido e alegre. Alguma coisa estava mudando. Porto Alegre já não era mais a mesma. Depois disso, muitos eventos mudaram mais e mais a cara da cultura gaúcha. Encontro Renner de Teatro, Porto Alegre Em Cena, Porto Verão Alegre e a Mostra de Inverno foram filhos de um sonho comum de solidariedade que nascia naquele belo ano de 83.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Novembro, 2.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327121957566406594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 174px; CURSOR: hand; HEIGHT: 194px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/Se29MjPt38I/AAAAAAAAAmA/xsrXpP4lwj4/s320/fraga.bmp" border="0" /&gt; &lt;ol&gt;&lt;li&gt;Ti Fraga na ZH.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Fraga, em sua coluna no jornal Zero Hora, escreveu a seguinte nota. “É a coisa mais comovente, divertida e inteligente a que eu pude assistir sobre a geração pós-revolução.”&lt;br /&gt;Levei um susto. A criatura começa a inventar o criador. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Elipse&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Fraga manteve uma página na Zero Hora durante anos. Ele era um caricaturista e escrevia com muito humor e sensibilidade. Ocupou um espaço muito dievertido no imaginário da cidade e em especial do meio psicanalítico quando interpretava o Analista de Bagé. Paricipava de congressos como convidado e respondia de improviso as perguntas durante debates científicos. Genial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Novembro, 19.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;/strong&gt;Correio do Povo.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Comentário de Antonio Holhfeldt para o Correio do Povo: “É um trabalho altamente respeitável e emocionante, porque é feito com garra, com sinceridade, com carinho e muito respeito.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5264171751509805369?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5264171751509805369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5264171751509805369&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5264171751509805369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5264171751509805369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/04/outubro-29-30-ultimas-apresentacoes.html' title=''/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/Se29MjPt38I/AAAAAAAAAmA/xsrXpP4lwj4/s72-c/fraga.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-4932893361637170654</id><published>2009-04-10T13:59:00.000-07:00</published><updated>2009-04-10T14:01:48.186-07:00</updated><title type='text'>23 OUTUBRO DE 1983</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Outubro, domingo, 23.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vídeo na Usina.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Décima apresentação BC.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Céu nublado e vento frio. Fui para a Usina do Gasômetro para participar do Beijo Ardente, Overdose. Eu seria um técnico de explosivos que explodira paredes para localizar o Vampiro de Porto Alegre. Fui com um terno de linho branco que meu pai usara na sua juventude. Feita a caracterização, óculos de aro de tartaruga, uma bandagem na cabeça e vários curativos. Eu era um técnico um tanto relapso que freqüentemente falhava na quantidade de dinamite necessária. Havia uma mobilização muito grande, várias viaturas da Brigada envolvidas, técnicos de som e luz, pessoal do cinema e da publicidade ensaiava os primeiros passo. Gravei a cena. Só no ano seguinte o vídeo ficou pronto. Foi mais um dos eventos marcantes do ano de 1983. Teve a participação de quase todos artistas da minha geração. Assisti o vídeo no Teatro do Instituto Goeth. A direção era da Flávia Moraes em parceria com o Hélio Alvarez. Tinha no elenco Andréa L´Abbate de São Paulo, Antonio Carlos Falcão, Oscar Simch, Pilly Calvin, Claudia Meneghetti, Careca da Silva, Bira Valdez, Grupo Cem Modos, Mery Mezzari, Jesus Iglesias, Sérgio Silva, Marília Rossi, Nora Prado, João Pedro Gil e mais um grande elenco. Diálogos de Telmo Ramos, talentoso redator de publicidade, cenografia de Fiapo Barth, figurino e maquiagem de Fernando Zimpeck. De cima do telhado da Usina, Para Viajar No Cosmos Não Precisa Gasolina, música do Nei Lisboa, ilustrava com uma grande panorâmica de 360° uma cidade que dava seus primeiros passos na produção cultural em direção de um profissionalismo crescente. Reunidos muitos acabaram fazendo carreira no cinema, na publicidade e nos palcos. Era um mutirão cultural. Pela segunda vez naquele ano que um conglomerado de artistas se reuniu. A primeira fora nas filmagens dos Verdes Anos. O objetivo do Beijo Ardente, não era só fazer cinema como em Verde Anos, mas chamar atenção para a Usina, impedindo que ela fosse demolida O desejo coletivo era de que, algum dia, a Usina se tornasse um Centro Cultural. Em 2002 assisti em sessão especial foi assistido por quase todo o elenco, vinte anos depois no cinema da Usina do Gasômetro, já transformado num dos maiores centros culturais do Porto Alegre. As coisas aconteciam e a gente vivia aquilo sem saber que estava fazendo uma campanha histórica.&lt;br /&gt;Foi nos créditos do Beijo Ardente que pela primeira vez meu nome apareceu escrito sem o César. Na hora não notei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Décima apresentação do “Bailei na Curva”, teatro lotado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-4932893361637170654?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/4932893361637170654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=4932893361637170654&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4932893361637170654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4932893361637170654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/04/23-outubro-de-1983.html' title='23 OUTUBRO DE 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5858665479492248987</id><published>2009-04-06T14:39:00.000-07:00</published><updated>2009-04-07T10:20:20.090-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Usina do Gasometro.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Beijo Ardente'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='MPM'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Flavia Morais'/><title type='text'>21 DE OUTUBRO 1983</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Outubro, sexta 21.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Beijo Ardente, overdose&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elipse absurda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Beijo Ardente, overdose.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Recebi um telefonema da Olho Mágico, produtora da Flávia Moraes para participar de um vídeo. A Flávia era uma das mais importantes diretoras de comerciais, fizemos juntos o Carimbador Maluco e ela esteve muito tempo ligada a poderosa MPM, agencia de publicidade que dominava o mercado. Agora partia para a produção de comerciais e estava engajada em projetos de vídeos independentes. Estava gravando uma história de um vampiro de Porto Alegre que se escondia nas ruínas da Usina do Gasômetro. Toda a classe artística da cidade estava participando e eu esperava aquela oportunidade há algum tempo. Foi marcado para domingo de manhã. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elipse Absurda&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estava postando quando recebi um convite de Flavia Morais para fazer um piloto em São Paulo. Vinte seis anos depois. Não creio em brujas, pero...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5858665479492248987?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5858665479492248987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5858665479492248987&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5858665479492248987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5858665479492248987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/04/21-de-outubro-1983.html' title='21 DE OUTUBRO 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-2021757792390377574</id><published>2009-04-05T07:09:00.000-07:00</published><updated>2009-04-05T07:24:47.014-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='JULIO CONTE. BAILEI NA CURVA'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CALPS URBIM'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Geraldo Lopes'/><title type='text'>16 DE OUTUBRO DE 1983</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/Sdi9FZmYZNI/AAAAAAAAAkc/xuwcjWdn-ec/s1600-h/urbim2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321210860207105234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 98px; CURSOR: hand; HEIGHT: 131px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/Sdi9FZmYZNI/AAAAAAAAAkc/xuwcjWdn-ec/s320/urbim2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Outubro 16.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Carlos Urbim assiste a peça e escreve uma poesia.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Nascimento de um poeta.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Asssitir a peça começa a produzir efeitos emocionais impressionates. Carlos Urbin foi um destes eventos que marcaram a história de Bailei na Curva. Ela assistiu à peça num sábado a noite. Na saída o encontrei emocionado. Ele estava agitado, falava sem parar. Dizia que a geração dele deveria estar dando o seu depoimento junto com a minha geração que se apresentava no palco. Eu o conhecia pouco, ele era muito amigo do Geraldo Lopes, o que eu conhecia era o jornalista. O que não sabia que ali estava nascendo o poeta.&lt;br /&gt;Naquela noite, madrugada insone em Viamão, Urbin escreveu uma poesia primeira que tive noticias, antes do Menino Daltônico. O interlocutor imaginário do poema era o Geraldo Lopes, mas a referência maior era para o grupo. Geraldo estava muito emocionado. Na segunda Geraldo me chamou para uma reunião e leu a poesia. Tempo todo com um nó na garganta e lágrimas nos olhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Naquele tempo&lt;br /&gt;Também não tive aula.&lt;br /&gt;Como os outros – e o teu tchê&lt;br /&gt;O meu curso em Livramento não funcionou.&lt;br /&gt;Dez anos antes, em agosto&lt;br /&gt;Foi assim de dias sem aulas.&lt;br /&gt;Entre fotos de Luz Del Fuego e Carmen Miranda.&lt;br /&gt;Na capa de O Cruzeiro&lt;br /&gt;A máscara em gesso de Getúlio,&lt;br /&gt;Olhos fechados e uma longa carta.&lt;br /&gt;Mas aí é um pouco antes&lt;br /&gt;De outra história:&lt;br /&gt;Tu ainda não tinha nascido&lt;br /&gt;Eu ainda não ia ao colégio&lt;br /&gt;A Elis Regina ainda não era vesga.&lt;br /&gt;Acho que cantava nas festinhas do IAPI.&lt;br /&gt;Tu me diz, no entanto&lt;br /&gt;A História nunca é outra&lt;br /&gt;Sempre a mesma&lt;br /&gt;O tempo não altera os fatos.&lt;br /&gt;Nós, tchê, é que mudamos&lt;br /&gt;Ou encontramos um jeito de dizer&lt;br /&gt;De expressar o nosso testemunho,&lt;br /&gt;Antes e depois das curvas.&lt;br /&gt;Naquele ano não fomos à aula&lt;br /&gt;As rádios falaram bastante.&lt;br /&gt;Naquele ano&lt;br /&gt;A Elis desceu no Rio,&lt;br /&gt;Um Rio já sem nenhum espaço&lt;br /&gt;Pro Darcy Ribeiro ribeirar&lt;br /&gt;Pintava por aí – aqui e lá&lt;br /&gt;As curvas daqueles que bailaram.&lt;br /&gt;Primeiro de abril,&lt;br /&gt;Quem não gostou botou açúcar&lt;br /&gt;E comeu da mesma panela&lt;br /&gt;Onde a vaca amarela cagou.&lt;br /&gt;Tu diz também, tchê&lt;br /&gt;Pra que eu sempre me lembre bem&lt;br /&gt;Que não há muito o que fazer&lt;br /&gt;Quando o nego tem pela frente&lt;br /&gt;A necessidade de pisar e conhecer&lt;br /&gt;Os paralelepípedos da Rua da Praia.&lt;br /&gt;Mesmo que fosse o momento&lt;br /&gt;De compreender e reproduzir&lt;br /&gt;O gesto e canto&lt;br /&gt;Dos que arrancaram paralelepípedos&lt;br /&gt;Da França Quartier Latin Saint-Michel.&lt;br /&gt;Naquele ano,&lt;br /&gt;Outra curva, novo baile&lt;br /&gt;Na Reitoria&lt;br /&gt;Na Filosofia&lt;br /&gt;Num quarto de pensão.&lt;br /&gt;Apedrejaram Gerd Borheim&lt;br /&gt;E, como o Banco trancou as portas,&lt;br /&gt;Os gritos do pessoal encurralado nas Borges&lt;br /&gt;Não me chegaram até a Carteira de Câmbio&lt;br /&gt;Primeiro andar, Rua Sete, 1968.&lt;br /&gt;Naquele ano, a dor pintou&lt;br /&gt;Na voz de Elis.&lt;br /&gt;Um vento cais, um vento a mais&lt;br /&gt;E eu sem spleeping bag&lt;br /&gt;E sem estrada para fazer auto-stop.&lt;br /&gt;Quer dizer, nem sonhei na travessia.&lt;br /&gt;Naquele ano,&lt;br /&gt;Por falar em sonho e pé na estrada,&lt;br /&gt;Cada Beatle, cada andarilho&lt;br /&gt;Passou a andar sozinho.&lt;br /&gt;Solitária, a legião procurava&lt;br /&gt;Buda, a Cordilheira e Castañeda.&lt;br /&gt;Um sonho curtido nas mesas do Alaska&lt;br /&gt;Sempre os bares e as curvas do Bonfim&lt;br /&gt;E nas mesas da redação do jornal.&lt;br /&gt;Nessas mesas não faltava&lt;br /&gt;O Pasquim – ensaio de uma nova linguagem,&lt;br /&gt;Irreverência sarro semanal&lt;br /&gt;Leila Diniz em todas as mulheres.&lt;br /&gt;Leila na mão, solta no Cine Marrocos&lt;br /&gt;De pulgas e falta de luz.&lt;br /&gt;Naquele ano,&lt;br /&gt;Cada pedra da Rua da Praia&lt;br /&gt;Correspondia a uma dúvida&lt;br /&gt;A todas as angustias encontradas&lt;br /&gt;Nas curvas da vida.&lt;br /&gt;Foi preciso bailar, pois é!&lt;br /&gt;Naquele ano&lt;br /&gt;Ao som de Dom e Ravel&lt;br /&gt;Pelas praias do País ensolaradas&lt;br /&gt;Começava a superprodução&lt;br /&gt;Rede nacional de fazer televisão&lt;br /&gt;Com merchandising e Ibope.&lt;br /&gt;Brasil, fiquei – façamos&lt;br /&gt;Porque aqui existe amor.&lt;br /&gt;Fomos todos para a frente, em corrente&lt;br /&gt;Marcamos homem a homem&lt;br /&gt;Driblamos&lt;br /&gt;Futebol e estatísticas.&lt;br /&gt;Deus foi brasileiro&lt;br /&gt;A Europa acreditou e se curvou&lt;br /&gt;Mais uma vez.&lt;br /&gt;Vivemos a única notícia permitida:&lt;br /&gt;O Milagre.&lt;br /&gt;A Transamazônica é a reta mais longa&lt;br /&gt;Entre dois pontos. Sem curvas,&lt;br /&gt;Carros dopados de gasolina azul&lt;br /&gt;Zunem pela Estrada de Santos&lt;br /&gt;Pelos delírios da BR-3.&lt;br /&gt;O gol mil é das criancinhas pobres&lt;br /&gt;Dom Helder tem parte com o diabo encarnado&lt;br /&gt;Nordeste é uma asa branca em Londres&lt;br /&gt;A Elis e o Caetano e o Gil&lt;br /&gt;Cantam em inglês. O Chico em italiano.&lt;br /&gt;E o exílio é muito longe&lt;br /&gt;E as cartas de Paris e Santiago do Chile&lt;br /&gt;Não chegam.&lt;br /&gt;De ordem superior,&lt;br /&gt;Não se publicam cartas&lt;br /&gt;Que abalam a imagem do País no exterior.&lt;br /&gt;De ordem,&lt;br /&gt;Nem as cartas nem o index dos proscritos&lt;br /&gt;Nem a exigência dos seqüestradores.&lt;br /&gt;Assim como o exílio distante&lt;br /&gt;Ninguém segura o futuro e o progresso&lt;br /&gt;Quando a ordem e a paz social&lt;br /&gt;Estão presentes com mão férrea.&lt;br /&gt;Tudo sob controle, nada mais a comentar.&lt;br /&gt;Naquele ano&lt;br /&gt;Cada paralelepípedo da Rua da Praia&lt;br /&gt;Foi contemporâneo do choro&lt;br /&gt;Contido, enrustido abafado.&lt;br /&gt;Perdoa Vladimir Herzog&lt;br /&gt;Mas os dias eram assim.&lt;br /&gt;Cada curva de Porto Alegre&lt;br /&gt;Cada história de amor&lt;br /&gt;Teve o gosto amargo do medo&lt;br /&gt;O gosto vazio da impotência&lt;br /&gt;Toda a História&lt;br /&gt;Daqueles anos&lt;br /&gt;É puro medo.&lt;br /&gt;Mas a Elis, Porta-estandarte&lt;br /&gt;- Presta atenção tchê!&lt;br /&gt;Vem cantando a antevisão&lt;br /&gt;De um bêbado com chapéu coco,&lt;br /&gt;Sob a lua dona de bordel.&lt;br /&gt;Desses anos, tchê&lt;br /&gt;Tu sabe o que eu sei.&lt;br /&gt;Ou saca o lance melhor do que eu.&lt;br /&gt;Anos 70, já deu pra ti?&lt;br /&gt;Essa tua moçada, década&lt;br /&gt;De sombras e alçapões clandestinos&lt;br /&gt;Me lembra agora&lt;br /&gt;Que apesar de tudo, vivemos&lt;br /&gt;Ternuras&lt;br /&gt;Encontros&lt;br /&gt;Desencontros&lt;br /&gt;Descobertas.&lt;br /&gt;Mesmo que o brilho no olho,&lt;br /&gt;Como todos os brilhos, fossem condenados.&lt;br /&gt;Tu descobriu, tchê&lt;br /&gt;E agora veio me contar,&lt;br /&gt;O início e o fim que&lt;br /&gt;Vira e mexe&lt;br /&gt;Lá vai ele – além das curvas.&lt;br /&gt;E agora, que eu sei&lt;br /&gt;De ouvir cantar&lt;br /&gt;De ver vocês dançarem&lt;br /&gt;Quero estar junto, tchê.&lt;br /&gt;Abraçado ao irmão mais novo,&lt;br /&gt;Em ti restauro a minha esperança.&lt;br /&gt;Recupero a minha utopia&lt;br /&gt;Pra falar manso com meu filho&lt;br /&gt;Sobre os anos que vão passar.&lt;br /&gt;A Elis – me levaram ela embora&lt;br /&gt;Num sol azul, o trem na cabeça.&lt;br /&gt;A Leila virou estilhaços tropicais&lt;br /&gt;E a Rua da Praia tem calçadão&lt;br /&gt;Sem paralelepípedos.&lt;br /&gt;Brasília ainda é a mesma,&lt;br /&gt;O medo quase igual.&lt;br /&gt;Mas olha tchê&lt;br /&gt;Já traçamos juntos algumas curvas.&lt;br /&gt;A tua canção&lt;br /&gt;Me descreve, me emociona, me motiva.&lt;br /&gt;Como tu, cara&lt;br /&gt;Eu não quero me perder por aí.&lt;br /&gt;Pode crer, tchê&lt;br /&gt;Nos oitenta&lt;br /&gt;A gente vai se pechar&lt;br /&gt;Se encontrar&lt;br /&gt;Se beijar&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;Carlos Urbim&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;A poesia foi editada na edição da LPM junto com o texto da peça Bailei na Curva. Não há dúvidas que ali nasceu o poeta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-2021757792390377574?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/2021757792390377574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=2021757792390377574&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2021757792390377574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2021757792390377574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/04/16-de-outubro-de-1983.html' title='16 DE OUTUBRO DE 1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/Sdi9FZmYZNI/AAAAAAAAAkc/xuwcjWdn-ec/s72-c/urbim2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-1300607093722512073</id><published>2009-02-27T14:51:00.000-08:00</published><updated>2009-03-01T06:13:15.171-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/Sahx1B7p8RI/AAAAAAAAAjs/f6jtBVw5f2U/s1600-h/VERDES~1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SahxkoXXG6I/AAAAAAAAAjk/0TSfcgKMfdU/s1600-h/verde.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307617034980760482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 202px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SahxkoXXG6I/AAAAAAAAAjk/0TSfcgKMfdU/s320/verde.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Outubro 15.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dublagem do “Verdes Anos”.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Bailei na Curva - Quinta apresentação.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não pude ir para o Rio para fazer a dublagem da minha participação no filme “Verde Anos”. O professor Cid que era assediado por uma aluna interpretada pela Xala Filipi. Aparentemente havia a dificuldade de sair de Porto Alegre pois estava em cena no fim de semana. Mas de fato, nem se chegou a este ponto do impasse. "Verdes Anos" primeiro longa 35 mmm foi filmado em baixissimo orçamento. Tudo que se podia fazer para contenção de despesas era feito. Por isso, a opção dos produtores do filme foi dobrar várias vozes e entre ela a minha. Por isso, quando vejo o Professor Cid que eu interpretara, com a voz do Orlando Nascimento debochadamente grave, tenho certeza que ele interprecolocou aquela voz só para me sacanear. O Orlando era reconhecidamente um pândego. O que ele fez não tinha nada a ver com a minha imagem e a minha interpretação. Diferente das dublagens do Sergio Lulkin que recriou a voz do João Biratã de modo que parecia que tido sido gravado com o próprio. Apesar disso, o filme se tornou um cult no meio cinematográfico e até hoje passa no Canal Brasil. E num sentido mais paranóico achava que os diretores do filme não tinham gostava da dublagem que eu fizera para o Interlúdio e por isso não fora incluído na viagem. Era um período de insegurança. Não se sabia de fato a extensão de cada gesto. De qualquer modo, a locução do Interlúdio estava mesmo péssima e foi refeita no ano de 2001, condição &lt;em&gt;si ne qua non&lt;/em&gt; para entrar na programação do Canal Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fiquei em Porto Alegre amargando o sentimento de exclusão. Mas quando entrei em cena na quinta apresentação da peça, todo o ressentimento (exagerado reconheço, mas enfim, somos artistas!) e o público aplaudiu de pé, redimindo todas as dores. A magia do palco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-1300607093722512073?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/1300607093722512073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=1300607093722512073&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1300607093722512073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1300607093722512073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/02/outubro-15.html' title=''/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SahxkoXXG6I/AAAAAAAAAjk/0TSfcgKMfdU/s72-c/verde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-3990762931231150456</id><published>2009-02-26T17:46:00.000-08:00</published><updated>2009-02-27T14:47:44.666-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SadIfY20CBI/AAAAAAAAAjc/55QYpCqukGo/s1600-h/ValedosPimentoes4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307290389964916754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SadIfY20CBI/AAAAAAAAAjc/55QYpCqukGo/s320/ValedosPimentoes4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Outubro 6.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vale dos Pimentões&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Patsy, Lila &amp;amp; Luciene&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A peça O Vale dos Pimentões do grupo Balaio de Gatos estreou no Circulo Social Israelita. Não pude ver pois estava totalmente mergulhado no lançamento do Bailei. Teatreiros tem isso, os trabalhos se tornam obsessão e parece que nada mais existe no mundo. No ano seguinte tentei assistir a peça no Projeto Unicena. Mas quando cheguei no Salão de Festas da Reitoria, já estava completamente lotado. Havia uma imensa fila esperando para uma sessão dupla. O Balaio já rivaliza com o Grupo Do Jeito Que Dá. De um lado o Balaio fazia teatro experimental, com narrativas fragmentadas e inserções multimídia enquanto que o Do Jeito Que Dá contava histórias com começo meio e fim. Nós éramos os bons meninos e elas eram as meninas más. Atração e rivalidade são sentimentos comuns entre artistas de teatro. Havíamos dividido o palco no início dos dois grupos. Abutres da Rebentação e Não Pensa Muito Que Dói fizeram uma sessão dupla no Teatro do DAD no final do ano de 82. A peça do Balaio entrava as 20 hs e a nossa as 22 horas. Mas como houve atraso acabamos em cena quase onze da noite. Mas o incidente mais grave foi que durante a apresentação, a sonoplasta usou o som no volume máximo queimando as caixas de som, que eu trouxera da minha casa. Fiquei muito irritado e fui discutir com o elenco dos Abutres. Para minha surpresa os rapazes mandaram as meninas brigarem comigo. Como o final da peça era feito com quase todos atores desnudos, acabei discutindo com três mulheres só de calcinhas. Não sabia se brigava ou olhava para o corpo delas. No final não deu em nada.&lt;br /&gt;A coincidência da estréia no mês de outubro e o teatro lotado, só serviu para atrasar o meu encontro explosivo e criativo com Patsy Cecato que era junto com Luciene Adami e Lilá Vieira, uma das estrelas do Balaio do Balaio de Gatos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Outubro 8.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Terceira apresentação.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Bateu uma gripe, uma dor no corpo, um mal estar. Mistura de cansaço e stress. Eu estou sem voz, completamente rouco. Mesmo assim faço a peça na garra.&lt;br /&gt;Ressaca da estréia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elispe asmático&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Uma das coisa que aprendi nestes anos de psicanálise foi de lidar com as sindromes psicosomáticas. É uma espécie de loucura do corpo. Quem pira não são as idéias, mas sim o corpo. Acho que foi isso que aconteceu. Hoje estas coisas tem o nome de stresse (cuja tradução é acento!) e coisa e tal. Pois eu vivi isso e entendo que tem coisas que a mente não é capaz de digerir. Quando isso acontece, o corpo toma conta e sente aquilo que a mente está tentando evitar. Psicossomático é o mesmo que somatopsicótico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Outubro 9.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cadê o público?&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um negócio estranho aconteceu. Tivemos meia casa. Houve um problema nos pontos de vendas e metade dos bloquetos de ingressos se perderam numa gaveta que só foi aberta um dia depois da apresentação. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Anotação ao pé da página: dinheiro Caixa / foto-filme / aula-tarde / Geraldo Lopes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-3990762931231150456?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/3990762931231150456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=3990762931231150456&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/3990762931231150456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/3990762931231150456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/02/outubro-6.html' title=''/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SadIfY20CBI/AAAAAAAAAjc/55QYpCqukGo/s72-c/ValedosPimentoes4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-8132988741691605224</id><published>2009-02-18T04:55:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T05:59:11.154-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SZwUCwrgz9I/AAAAAAAAAjM/5GcS8xl4iHg/s1600-h/16,2+Di%C3%A1rioBC.estr%C3%A9ia.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304136498795302866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 199px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SZwUCwrgz9I/AAAAAAAAAjM/5GcS8xl4iHg/s320/16,2+Di%C3%A1rioBC.estr%C3%A9ia.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SZwH1sAhiJI/AAAAAAAAAjE/1tROzjHe8n4/s1600-h/16,2+Di%C3%A1rioBC.estr%C3%A9ia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Outubro, sábado, 1.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Estréia de Bailei na Curva no Teatro do IPE.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Viramos a noite no teatro acertando o ensaio de luz. Foram nove meses de ensaios vinte e quatro horas de trabalho de parto. Fui dormir as sete da manhã. Ao meio dia acordei e fui assistir o jornal do almoço. Surpresa minha que neste dia apareceu o Abrão Slavutzky na TV dando uma entrevista. Imediatamente liguei para ele e convidei para a peça.&lt;br /&gt;No teatro, levei uma garrafa de conhaque. A cada risada eu tomava um gole. Terminei e peça bêbado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Outubro, domingo, 2.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Espetáculo do segundo dia.&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O espetáculo do segundo dia tem a tradição se ser ruim. A explicação é simples. Na estréia o elenco está tenso e concentrado. Erra pouco. No segundo dia a peça ainda não está suficientemente sob controle, mas não existe mais a ansiedade da estréia. Os atores relaxam e a encenação afunda. Este é o esquema clássico. Falamos sobre isso antes de entrar em cena. O segundo dia foi ainda melhor do que a estréia. O fato é que não havia espaço para erros pois estávamos ensaiando no teatro há bastante tempo. Isso faz diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Outubro, 3, segunda-feira.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Crítica na ZH.&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Reunião de avaliação com o Geraldo Lopes.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Encontro o Oscar Simch na Rua da Praia. Manhã de sol, caminhava e a luminosidade da cidade alimentava meu bem estar. Até hoje me fascina o centro da cidade. Tenho pena de São Paulo e do Rio de Janeiro que já perderam os seus. Oscar segura o meu braço. Saiu a crítica do Cláudio Heemann na Zero Hora. Ele me mostra:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Alerta na observação realista, simpática na caricatura cômica, precisa no retrato de costumes, autêntica na linguagem coloquial Bailei na Curva vale tanto como texto quanto interpretação e encenação. Aliás, parece congregar do modo indissolúvel estes três aspectos. O espetáculo brota com facilidade de uma movimentação bem desenhada e ritmada. O acerto de diálogos encontra correspondência ma vitalidade e adequação dos atores. Tudo acontece num palco nu, vestido apenas de algumas cadeiras. A narrativa se desdobra com clareza e a comunicabilidade dos desempenhos não encontra obstáculos para a sensibilizar a platéia. Há um toque poético, não isento de certa melancolia, que aprofunda o alcance do quadro proposto. Fica, com isso, demonstrada a harmonia e afinação do elenco, além da sensibilidade e inteligência da direção. Regina Goulart, Cláudia Accurso, Lúcia Serpa, Márcia do Canto, Cláudio Cruz, Flávio Bicca Rocha e Júlio César Conte merecem as flores que o público da estréia atirou no palco. "&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Foguetório na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reunião com Geraldo. Ele é porta-voz de um questionamento que lhe foi feito: O que o Júlio vai fazer agora? Qual será o próximo trabalho do Júlio. Olhei para o Geraldo espantado, tentando decifrar aquele enigma. A peça estreara há três dias atrás e já queriam saber o que seria feito depois? &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ainda bem que não precisei responder. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-8132988741691605224?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/8132988741691605224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=8132988741691605224&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/8132988741691605224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/8132988741691605224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/02/outubro-sabado-1.html' title=''/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SZwUCwrgz9I/AAAAAAAAAjM/5GcS8xl4iHg/s72-c/16,2+Di%C3%A1rioBC.estr%C3%A9ia.3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-4272588266517390844</id><published>2009-02-17T14:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T04:54:54.201-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonhos premonitórios'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SZs_8ysRflI/AAAAAAAAAi8/MypfPmo6d40/s1600-h/CertificadoCensuraBailei.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303903299791060562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SZs_8ysRflI/AAAAAAAAAi8/MypfPmo6d40/s320/CertificadoCensuraBailei.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Uma raridade: o certificado de liberação de Bailei na Curva com data de 28 de setembro de 1983 quando ainda havia ainda a possibilidade da peça se chamar "Primeiro de Abril".&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Setembro 28.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Telefonema do Geraldo.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Geraldo me ligou a respeito de uma chamada que recebeu da Censura Federal. Um calafrio. Será que censuraram a peça? Não só não houve cortes como o diretor inflado pelos censores que adoraram a peça, solicitaram vários convites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, outro ensaio para a Censura, numa montagem no Rio de Janeiro, aconteceu algo também inusitado. Na cena em que Pedro vai para a clandestinidade e assume a luta armada, o ator Carlos Lagoeiro fez uma das maiores interpretações do personagem Pedro que tive oportunidade de assistir. Eu ensinava a operação de luz para o técnico do teatro quando uma força vinda do palco chamou minha atenção. Lagoeiro se derramava de emoção em sua despedida da mãe, a costureira Dona Elvira. Ao final do ensaio, uma censora, uma mulher loira, alta, de quase quarenta anos estava em prantos. Aplaudiu de pé e começou a falar com os atores. Estes se agruparam para escutar o relato. Desci da cabine de luz e som e fui até a beira do palco a tempo de escuta-la dizer:&lt;br /&gt;- Minha mãe é costureira e meu irmão foi desaparecido pelo DOPS.&lt;br /&gt;A ficção tem formas estranhas de se realizar na realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Setembro, 30.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;Sonho que tive antes da estréia&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Estamos estreando a peça. O local parece o ginásio do Petrópole Tênis Clube, só que adaptado para o teatro. Há um grande público de espectadores misturado com torcidas de futebol. Muita gente nas arquibancadas. Começa a peça. Sinto que as coisas não andam. Ruídos na platéia. Pelas janelas do ginásio vaza uma luz difusa. Público começa a se levantar e abandona a sala de apresentação. Em pouco tempo de encenação o ginásio está vazio. O público que era imenso vai embora. Voltamos para o segundo ato e não havia nenhuma pessoa assistindo a peça. Uma vez que está tudo montado, luz, sonoplastia, proponho:&lt;br /&gt;- Vamos aproveitar e ensaiar para a próxima apresentação."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Foi um sonho clássico. Quase todos artistas têm sonhos parecidos. Sonha-se que as falas são esquecidas. Sonha-se que alguém não consegue entrar em cena, que cai um refletor, que falha o som, um pedaço do cenário cai, que não se consegue cantar. Reflete uma espécie de angústia que sentimos quando estamos frente a imensidão do próprio desejo. Relaciona-se com aquele tipo de sonho em que se aparece nu em lugares públicos. Tem algo de exibicionismo. Algum tempo depois descobri que é um sonho de ambição e de exibicionismo que aparecem representados pelo seu oposto. Ambição é um impulso uretral conforme Freud demonstrou na Interpretação dos Sonhos onde ele relata um sonho seu no qual um menino urina na cama e o pai dele vaticina será um grande homem ou um grande bandido. O menino era Freud.&lt;br /&gt;A anotação desse sonho está num papel amassado de uma folha arrancada. Preso por um clipe na agenda. A letra é quase ilegível, anotação feita ao despertar. A análise já tinha terminado, mas, como toda a análise, é interminável. Cessaram os encontros analíticos, mas depois que se é inoculado pelo pensamento psicanalítico a referencia permanece na mente num processo interminável. O sonho funcionou de duas formas. Como uma advertência no plano da realidade, cuidados eram necessários para evitar uma catástrofe. Por outro lado, restos de pensamentos mágicos me davam a impressão de uma profecia invertida e por isso mesmo guardei este sonho como um talismã. Anos depois, num processo de re-análise, contei este sonho para o Abrão e ele, com a generosidade que lhe é própria, centrou a interpretação na frase final do sonho, destacando a capacidade de enfrentar as dificuldades em situações adversas. Em Forqueta, ainda criança, dentre os escombros da memória, guardo um quadro pendurado em cima da minha cama com um anjo da guarda protegendo um menino que passava perto de um abismo. Minha reza predileta, naqueles tempos em que eu rezava, era assim: &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Santo anjo do senhor meu zeloso guardador.&lt;br /&gt;Se a ti me confiou a bondade divina.&lt;br /&gt;Levai me sempre pelo bom caminho."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Até hoje, perto das estréias, sempre anseio por este mesmo sonho talismã, sonho premonitório que me acompanha como um anjo da guarda. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-4272588266517390844?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/4272588266517390844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=4272588266517390844&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4272588266517390844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4272588266517390844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/02/setembro-28.html' title=''/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SZs_8ysRflI/AAAAAAAAAi8/MypfPmo6d40/s72-c/CertificadoCensuraBailei.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5004888903560379278</id><published>2009-02-15T17:09:00.000-08:00</published><updated>2009-02-15T17:16:05.788-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='censura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carlos Konrath'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Setembro, 21.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Ligar para a Opus Promoções. &lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Entramos no Teatro do IPE. A sala estava fechada há algum tempo. Um auditório para cento e vinte pessoas já não era usado nem para palestras. O ar condicionado funcionava, embora o barulho do aparelho fosse insuportável. Comunico ao Geraldo as condições do teatro e que não há refletores disponíveis. Em poucas horas chegam vinte refletores, cabos, gelatinas e uma mesa de luz. Eu olho para aquele mundaréu de spots no chão e me apavoro imaginando a despesa e o estouro do orçamento. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que para a Opus era o corriqueiro para mim era uma exorbitância. Não estava acostumado.&lt;br /&gt;Combino como o Hermes, acho que com dez refletores se pode fazer uma boa luz. E dou a ordem de devolver o resto. Hermes intervém, salta na minha frente e manda que os funcionários deixem todos os refletores onde estão. Vira-se para mim e afirma que quer todos aqueles refletores. Já que estão aí vamos usar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Elipse 1&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje penso que vinte refletores não são nada para iluminar um espetáculo. Mas tenho que confessar que ali, em 1983, recém saídos da escola, com um profissionalismo frágil e nascente, nunca tinha visto usar tantos refletores numa só peça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Setembro, 27.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Ensaio para a Censura.&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;A mancada do Heitor de Opus.&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;Os ensaios para a Censura eram do modo geral um protesto contra tal exigência. O que se via no palco era, de modo geral, um arremedo do espetáculo. Pois, num primeiro período de resistência, fazia-se tudo para confundir os censores. Textos eram mudados. Cortava-se cena, os tempos da trama eram alterados. Tudo de modo a encher o saco e atrapalhar os censores. Cortavam-se textos que se imaginava possíveis de serem censurados e, durante a temporada, acabamos tendo problemas. Pois a Censura voltava e acabava dilapidando a obra. Houve até um censor que estudou comigo na Escola de Teatro, segundo ele para cortar as obras com mais critério. Boa piada. Um censor consciente era tudo o que não se precisava. Este “colega” dormia nas aulas de Evolução do Espetáculo e numa oportunidade dormiu em no ensaio de uma peça infantil, “As Aventuras de Um Diabo Malandro”. O diabo era eu.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303197423264505250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SZi99XtynaI/AAAAAAAAAi0/Ei85kDn7HG4/s320/DIABO.MALANDRO.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Num segundo momento, o modo de enfrentar a censura mudou. Ao invés do corte e a omissão, optou-se pelo exagero. Quando havia um palavrão, o ator emendava mais dez sinônimos. Quando havia um desnudamento insinuado, o elenco escancarava a nudez crua. Quando havia situações políticas, multiplicava-se as metáforas. O censor evidentemente cortava. E nesta hora entrava o produtor e o diretor a negociar. Acabava ficando quase na medida do que se queria.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quase.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O ensaio da censura do Bailei na Curva foi uma experiência inusitada. Tínhamos pouco tempo para ensaios gerais e resolvemos aproveitar aquele da censura, como um ensaio completo. Solicitei para o elenco fazer a peça como era mesmo. Os tempos já estavam arrefecendo os ânimos ditatoriais, ares democráticos arejavam os corredor da burocracia militar e prenunciava a abertura. Depois de duas horas de espetáculo escuto palmas. O censor aplaudiu. Aproximou-se de mim e me parabenizou. Levei um susto. Não era para ele gostar e por um momento pensei que a peça tinha errado o alvo. Fiz uma brincadeira dizendo que se eles gostaram que então não cortassem nada.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na cama, insone, olhando o teto, imaginava o estrago que a Censura poderia fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Opus converso com Heitor. Ele é o braço direito do Geraldo, bom produtor mas um pouco distraído. Ele me mostra o release de divulgação. Bailei na Chuva no Teatro do IPE. Ele pergunta se eu gostei. Leio de novo: chuva? Todos os releases tiveram que ser refeitos e os funcionários passaram a tarde telefonando para os jornais e rádios. O Heitor durou mais algumas semanas e foi substituído por Carlos Konrath, hoje sócio proprietário da Opus.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5004888903560379278?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5004888903560379278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5004888903560379278&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5004888903560379278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5004888903560379278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/02/setembro-21.html' title=''/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SZi99XtynaI/AAAAAAAAAi0/Ei85kDn7HG4/s72-c/DIABO.MALANDRO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-2757934599928848858</id><published>2009-02-02T04:04:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T04:50:28.262-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rede Globo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gabriel Moojen'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Patrola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='MTV'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Radar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Libelu'/><title type='text'>1983</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Setembro 20.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Ensaio para convidados. &lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Haidée Porto. &lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Gravação trilha sonora no ap do Flávio.&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;1.&lt;strong&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ensaio para convidados&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O&lt;span style="font-size:130%;"&gt; espetáculo estava quase pronto. O esqueleto da peça de pé. Faltava a carne da interpretação e a alma do público. Por isso, fizemos um ensaio para convidados. Haidé Porto foi uma das convidadas. Uma espécie de madrinha da peça acompanhava o trabalho desde o Não Pensa Muito Que Dói que abriu o Projeto Encena idealizado por ela. Estaav presente também algumas pessoas da escola de teatro, mas a grande expectativa recaía sobre a Haidé. Fizemos um ótimo ensaio, uma hora e quarenta e cinco minutos de ação dramática intensa e pura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2. &lt;strong&gt;Haidée&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ao final esperamos os comentários. Ela iniciou pela cena da Faculdade. Disse que sentiu falta da agitação, da política e da efervescência cultural. Percebi que estava um busca de sua própria geração. Como estava mostrando a minha, tomei a crítica como elogio a subjetividade e a fidelidade geracional. O tempo que passei faculdade, tanto no curso de Medicina quanto no de Teatro, era marcado pela timidez e pelo medo. A retomada do Movimento Estudantil era insipiente e o clima de chacota permeava os ativistas de Esquerda apelidos de Esquerda Festiva. Embora boa parte dos participantes de Libelu, da Avanlu, Roupa de Briga e outras tendências trotkista, maoistas ou independentes veio a ocupar lugar de destaque na administração pública e determinando as políticas do Estado e Município. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Depois do ensaio, o elenco todo se abraçou como se houvéssemos estreado. Escutamos s a opinião de todos, mas lá não fundo de nós, não nos importávamos mais com o que as pessoas falavam. Sabíamos que estávamos perto de algo muito grande, bem maior do que nós. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elipse 1&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E, tirando o folclorico adjetivo de festiva adicionado a esquerda, um fato não há o que contestar: as melhores festas de UFRGS - de todos os tempos - eram as organizadas pela facção trotskista Liberdade e Luta, a famosa Libelu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;3. &lt;strong&gt;Gravando a trilha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na madrugada me reuni como o Ely e o Flávio no apartamento dele na Tiradentes. Luis Alberto Ely era o nosso técnico de som. Na verdade trabalhava na Caixa Econômica e fora uma aposta do Hermes Mancilha. Como todo bancário, tinha um artista aprisionado dentro dele. O Ely adorava som. Tinha um mixer caseiro que seria a nossa salvação na edição musical. Montamos um pequeno estúdio completamente improvisado. Dois gravadores, um prato, amplificador e caixas de som. E o famoso mixer do Ely. Avançamos na madrugada gravando em nosso Estúdio. Tudo era de uma precariedade absoluta. Hoje com MP3, som digital, dolby, surrounder e estúdios a disposição, constatamos que “Bailei na Curva” deu certo por uma obra do destino que puxava os cordões muito além de nós. O Flávio que também era bancário antes de libertar o artista dentro dele, foi dormir e o Ely cansou. Fiquei de terminar a trilha na manhã seguinte. Fiz a edição final do som. Na última hora resolvi colocar a música que Beto Guedes fez para o filho dele. Era uma apologia a vida e usei na cena em que o bebê era embalado enquanto Ana lia o poema final. Além da beleza da música, o título era também o nome do meu sobrinho.&lt;br /&gt;Foi pensando no Gabriel Moojen que inseri esta música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Elipse 2&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gabriel foi meu primeiro sobrinho, primeiro neto, primeiro tudo. Carismático desde que nasceu foi imensamente pararicado pela família. Fez o Curso de Jornalismo e, recém saído da faculdade assumiu a apresentação do Prgrama Radar na TVE Porto Alegre. O sucesso foi tão grande que logo foi para a RBS TV e criou o PATROLA. Da RBS foi pas MTV e passou anos viajando pelo mundo no programa Mochilão. Hoje trabalha na Rede Globo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-2757934599928848858?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/2757934599928848858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=2757934599928848858&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2757934599928848858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2757934599928848858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/02/1983.html' title='1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-9040054313569998261</id><published>2009-01-31T04:36:00.000-08:00</published><updated>2009-01-31T05:05:14.349-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Julio Conte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Guaspari'/><title type='text'>1983</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SYRLZKprTnI/AAAAAAAAAh0/CsJpULkRqdU/s1600-h/POA_antiga_30.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297441957422517874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 253px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SYRLZKprTnI/AAAAAAAAAh0/CsJpULkRqdU/s320/POA_antiga_30.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Lojas Guaspari no coração de Porto Alegre&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Setembro 19.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Juntando as coisas que faltam para a produção. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Produção em andamento. Cláudio Cruz foi no Lojas Guaspari (quem lembra?) conseguir algumas roupas. Compramos os guarda-pós para os alunos na Casa dos Aventais. Do sobrado da Dario Pederneiras (onde hoje tem um edíficio chamado Solar dos Conte) surupiei duas camisas sociais do meu Pai, alguns sapatos velhos e mais dois pares de óculos que ele não usava mais. Um amigo do Gertaldo Lopes, Silvio Sibemberg, dono da Lojas Gang convocou para uma reunião onde defende a idéia de que mudassemos o texto do peça. Na cena em Pedro vai para a guerrilha, Dona Elvira, sua mãe diz:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"Tua calça Lee está no arame, vai buscar!" - substituiríamos por calça Lewis que era vendida na Gang. Elvira. Eu não estava na reunião, mas o grupo rejeitou de imediato a proposta. A Gang acabou dando uma porção de coisas entre elas os abrigos com a letra “A” da cena da educação sexual. Mudamos o texto, tiramos calça Lee e colocamos calça de brim, assim eles nos municiaram com todo o estoque de jeans. Foi o máximo de concessão permitido. O Geraldo conseguiu uma loja de sapatos que tem um acervo de antiguidades: Lojas Jahu do Rafael outro grande amigo do Geraldo. Como se pode ver o teatro assim como a vida é uma grande rede de amizades. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Rafael foi uma daquelas amáveis pessoas que seguiram o “Bailei na Curva” durante anos. Reza a lenda que no ranking de quem mais assistiu a peça o Rafael estaria disputando o ouro juntamente com a a minha irmã Salete e o fotógrafo L.A. Guerreiro todos com mais de quarenta assitências. Num domingo depois de assistir mais uma apresentação da peça, Rafael saiu de moto e, na madrugada, acidente-se. Muitos dias em coma, muita expectativa e recuperação lenta e a volta por cima. Retornando do país de intermediario entre a vida e a morte assistiu a última montagem do Bailei escondido na última fila. Uns dias depois me ligou para falar sobre a peça. Chorando em silência no escuro do teatro. Foi se apresentando como se eu não me lembrasse dele. Claro que eu lembrava, eu sou como um elefante que não esquece, sobrevivo disso, da memória, do afeto e dos pedaços de vida que partilho em cada encontro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-9040054313569998261?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/9040054313569998261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=9040054313569998261&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/9040054313569998261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/9040054313569998261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/01/setembro-19.html' title='1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SYRLZKprTnI/AAAAAAAAAh0/CsJpULkRqdU/s72-c/POA_antiga_30.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-881779730569950264</id><published>2009-01-08T08:29:00.001-08:00</published><updated>2009-01-08T08:35:12.026-08:00</updated><title type='text'>DIÁRIO A PROCURA DE UM EDITOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SWYqFPFENhI/AAAAAAAAAgk/TB7yvtYlzxU/s1600-h/BonecoBC25anos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288961081828718098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 108px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SWYqFPFENhI/AAAAAAAAAgk/TB7yvtYlzxU/s320/BonecoBC25anos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SWYYscdPaqI/AAAAAAAAAgc/Q8x4jWMnvt4/s1600-h/BonecoBC25anos.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Pois é, estou fechando um ano quase com este blog no ar. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foram quase mil visitantes. Repasssei boa parte de minha vida neste blog. O ano de 1983 quase todo postado, dia-a-dia, num exercício de reflexão sobre o passado e cuidado com o que se vai viver. É um equilibrio precário. O tempo é cruel e generoso ao mesmo tempo. Nos oferece experiência e capacidade para absorver os impactos da vida, mas rouba a juventude de tal forma que se não acontece com todos eu acharia que era uma sacanagem comigo. Aliás, mesmo acontecendo com todo o mundo, acho uma sacanagem envelhecer. Mas como diz o popular: "pior do que envelhecer é não envelhecer".&lt;br /&gt;Pois passou o tempo e achei que pouca gente teceu comentário aos posts. Não desqualificando quem comentou, pelo contrário, enaltecendo quem se colocou, por isso agradeço a todos. Porém, comparando com o número de vistações com o número de coments a relação é pequena. Concluo que tem muita gente lendo e pouca comentando.&lt;br /&gt;Fiquei a me perguntar o porque deste fenômeno. Concluo provisoriamente que é porque trata-se de uma postagem pública e carece da privacidade que um livro tem com seu leitor. Por isso, decidi que a continuação dever ser impressão no papel. Então, o diário de montagem da peça Bailei na Curva, as reflexões do autor referenciada no tempo e no espaço que foi Porto Alegre no ano de 1983 ficam a espera de editor.&lt;br /&gt;Peço ajuda a todos os amigos que leram o blog até agora, que gostaram do que foi escrito, que se emocionaram para que me ajudam nesta empreitada. Preciso de contatos, por favor, se souberam, indiquem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E obrigado a todos. Amo todos vocês. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-881779730569950264?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/881779730569950264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=881779730569950264&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/881779730569950264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/881779730569950264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2009/01/dirio-procura-de-um-editor.html' title='DIÁRIO A PROCURA DE UM EDITOR'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SWYqFPFENhI/AAAAAAAAAgk/TB7yvtYlzxU/s72-c/BonecoBC25anos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5358400486868671829</id><published>2008-10-05T11:40:00.000-07:00</published><updated>2008-10-05T12:09:15.210-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Luiz Antonio Guerreiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Grupo Escolar Francisco Generozzi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gustavo Conte Moojen'/><title type='text'>1983</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SOkNQDa2hyI/AAAAAAAAAZc/rS1L5zwrRuk/s1600-h/1+LEMBRANÃ‡A+ESCOLAR.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253745009751394082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="183" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SOkNQDa2hyI/AAAAAAAAAZc/rS1L5zwrRuk/s320/1+LEMBRAN%C3%87A+ESCOLAR.jpg" width="276" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Setembro, 15.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Fotos para o programa. &lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;Tenho uma Recordação Escolar de 1963. Foi num dia cinza em Forqueta que a rotina de aulas foi quebrada. O fotógrafo passou pelo Grupo Escolar Francisco Generozzi. Uma fila imensa e longa espera até chegar na escrivaninha improvisada no pátio. Uma bandeira do Brasil ao fundo, um globo no lado direito e um número para identificar o aluno. Meu número foi o treze. Apesar de ser uma foto em preto-e-branco, o mapa foi pintado com uma tonalidade esverdeada. Há um bloco na esquerda também pintado de amarelo. Eu estou segurando um lápis, como se estivesse escrevendo. O sorriso descobre dois grandes dentes de coelho e os olhos estão espremidos pela luminosidade difusa do dia nublado. Essa foto foi uma das inspirações poéticas do “Bailei na Curva”. Tentei que cada um do grupo encontra-se a sua. Mas alguns eram de épocas diferentes e outro nem mesmo tinham tirado a foto. A solução do Geraldo foi produzir as fotos. Nos encontramos no Estúdio de Fotografia do Luiz Antonio Guerreiro na Av. Getúlio Vargas. Era tarde da noite, após o ensaio. Recriamos a escrivaninha, o Globo, a bandeira e o clima de espanto. Depois, todos nós escrevemos um texto para ilustrar o momento.&lt;br /&gt;Cláudia Accurso: eu tinha sete anos, estávamos saindo da Bolívia pelo mesmo motivo que tínhamos saído do Brasil. Eu não entendia bem. Minha mãe foi me buscar na escola e lembro que perguntei se podia levar p “Cuaderno de Dibujo”. Ela respondeu: “Outro dia”. Em seguida pedi: “E a caturrita?”.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hermes Mancilha&lt;/strong&gt;: eram idos de 68 quando aconteceu meu real encontro com o teatro como iluminação gerada por eles – Black Out, cenário feito por nós – Fábrica num salão paroquial, no 1º de maio com gente e com prisões meus pés alados voavam até o forno a queimar aquele texto quase duas horas black out a maior limpa, muita gente se foi para nunca mais voltar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cláudio Cruz&lt;/strong&gt;: um Caco de Lua, um céu índigo blue, a Lua do Caco, a Lua da Lu, Mas Cação não sabia que a liberdade não é uma Lee, a liberdade é uma Lua, a liberdade é uma Luz, a liberdade é uma Lu.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Flávio Bicca Rocha&lt;/strong&gt;: Quando saí de casa para morar sozinho disse: “pai, como é que eu vou comer alguém sem carro?”. Com esta lógica irrefutável alcancei meu objetivo: “Livre e de carro”. Passados alguns meses, o filho pródigo volta a morada para visitar. Só que trouxe consigo mais dois. Um na barriga.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lúcia Serpa&lt;/strong&gt;: Mil novecentos e sessenta e quatro. Eu estava nascendo. Nasci chorando. É que eu já estava espiando tudo o que acontecia. Todos os bailes nas curvas, toda a escuridão e eu bailando no útero, fazendo força para sair. Será que eu devia? Foi melhor assim. Estou na luta e não vou me perder por aí.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Márcia do Canto&lt;/strong&gt;: Eu estava no primário quando me ensinaram: “O Reinos dos Pobres é o Reino dos Céus!”. Como meu pai era médico do interior e por isso pessoa muito importante, fiquei apavorada: “Será que eu vou para o Inferno?” Acho que rezando eu dou um jeitinho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Regina Goulart&lt;/strong&gt;: Dia do Golpe? Claro que eu me lembro. Eu tinha oito anos. Naquele dia voltei da escola num contentamento tão grande quanto só uma criança que teve suas aulas suspensas consegue sentir. Em casa encontrei meu pai com o rádio de pilha grudado no ouvido tentando saber das últimas. Eu entrei cantando, feliz da vida. Ele, como estava muito nervoso, acabou me dando a maior surra. O golpe escreveu torto por linhas retas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Júlio César Conte&lt;/strong&gt;: Eu tinha sete ou oito anos e meu pai me chamou para uma conversa séria. No quarto dele me apresentou um livro “Eu e o Sexo”. Eu já tinha lido o que na época se chamava “catecismos”, onde se aprendia sexo na teoria. Quando ele me perguntou se eu sabia alguma coisa sobre o assunto eu rapidamente respondi que não. Curioso iniciei a leitura. Falava de uma flor que na primavera se modificava, descrevia o pecíolo, o pólen, gineceu, androceu, etc. Os últimos parágrafos eram esclarecedores: pecíolo representava o pênis, o pólen o espermatozóide e assim por diante. Depois daquela leitura sobre sexo fiquei sabendo de tudo. Sobre botânica é claro.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Usei os óculos do meu pai e ainda estava usando um bigode bastante ralo para o personagem do Professor Cid do filme Verdes Anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Setembro, domingo, 18.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;Ensaio no IPE.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253746169387362722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 224px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px; TEXT-ALIGN: center" height="210" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SOkOTjZnKaI/AAAAAAAAAZk/pbd2IBp6r2M/s320/GustavoNaPiscina.jpg" width="265" border="0" /&gt;&lt;em&gt;Aqui a foto do meu sobrinho Gustavo Conte Moojen bem na época que escreveu a cena cinco da peça. A página 40 da primeira edição pela L&amp;amp;PMpor justiça a ele pertencem. Hoje ele é arquiteto, dos bons, budista, tem dois filhos que assumiu e roda pela cidade numa Harley Davidson.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A cena 5, casa da Ruth, está difícil de resolver. Regina já acertou na Dona Elvira porém a criança dela ainda não produziu o texto adequado. Escrevendo durante à tarde, me lembro de uma situação que aconteceu com o meu sobrinho.&lt;br /&gt;- Eu não vou na aula – ele afirmou.&lt;br /&gt;- Tu queres ficar burro? – ele argumentou.&lt;br /&gt;- Eu não – como medo.&lt;br /&gt;- Então vais à aula – vitoriosa.&lt;br /&gt;- Estás me chamando de burro? – preparando com astúcia a jogada.&lt;br /&gt;- Não entendeste bem.&lt;br /&gt;- Viu... não entendi bem, então eu sou burro! – disse atacando.&lt;br /&gt;- Gustavo, não escutaste direito.&lt;br /&gt;- Diz que eu sou surdo, diz! – aumentando a consistência da argumentação.&lt;br /&gt;- Estás fazendo confusão – minha irmã tentando se defender.&lt;br /&gt;- Me chama de louco... vamos, me chama de louco! – afirmou Gustavo cada vez mais confiante.&lt;br /&gt;- Gustavo, a mãe só está querendo te ajudar! – disse minha irmã, já desesperada.&lt;br /&gt;- Me chama de burro, de surdo e de louco e ainda diz que quer me ajudar! – e assim ganhou a discussão.&lt;br /&gt;Aproveitei o diálogo integralmente. Anos depois Gustavo, com seus dez anos de sagacidade leu o texto editado em livro. Ele veio me cobrar só que desta vez a vítima da argúcia era eu:&lt;br /&gt;- Tio Júlio, a página 40 fui eu que escrevi.&lt;br /&gt;Outro problema. O palco é muito estreito. Durante os ensaios no teatro percebemos que não há profundidade suficiente para desenhar uma boa caixa cênica. Surgiu então a idéia de colocamos um avanço no palco.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5358400486868671829?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5358400486868671829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5358400486868671829&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5358400486868671829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5358400486868671829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/10/setembro-15.html' title='1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SOkNQDa2hyI/AAAAAAAAAZc/rS1L5zwrRuk/s72-c/1+LEMBRAN%C3%87A+ESCOLAR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-7390854478590011991</id><published>2008-09-16T13:57:00.000-07:00</published><updated>2008-09-16T14:25:55.785-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maríllia Rossi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Régis Conte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Opus Promoções'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Geraldo Lopes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexander Goudnov'/><title type='text'>1983</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SNAhooWa2gI/AAAAAAAAAYs/7JmMVEQR4GY/s1600-h/marÃ&amp;shy;lia1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246730547796564482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SNAhooWa2gI/AAAAAAAAAYs/7JmMVEQR4GY/s320/mar%C3%ADlia1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Setembro, 9.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Comercial em Cruz Alta.&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Marília Rossi e eu viajamos durante boa parte da noite. Chegamos exaustos e fomos direto para o estúdio. O texto era péssimo. Eu tinha que fazer um tipo “Zé Bonitinho” só que não combinava a idéia deste personagem com as falas. Não havia maquiador e eu não levei nada. A Marília ainda levou seu kit de maquiagem. Eles não tinham equipamento de luz adequado, nem ilha de edição o que obrigava o comercial a ser gravado como se fosse ao vivo. Tomada única. Começo ao fim, sem erro. Todos sabem que erros sempre acontecem durante gravações e são editados. Não tínhamos este recurso. Isso nos custou quase dez horas de gravação, pois quando não era eu quem errava o texto, a Marília esquecia uma fala e quando nós dois acertávamos, a luz ou a câmera falhavam. Enfim, valeria a pena se pagassem corretamente e era o que eu ansiava. Eles finalmente aprovaram o VT e voltamos para Porto Alegre ainda naquele inicio de noite. Na hora de receber o dinheiro, veio uma proposta indecente. O VT não foi aprovado pelo cliente e eles pagariam metade à vista ou teríamos que gravar de novo. Aceitei o dinheiro mesmo sabendo que o comercial fora aprovado e que estava veiculando no interior. O início da participação de artistas gaúchos na publicidade foi marcado por vários eventos deste tipo. Demoraram anos para que um certo profissionalismo acontecesse.&lt;br /&gt;Durante toda a viagem e toda a gravação Marília e eu não falamos nenhuma vez sobre a sua saída do Bailei na Curva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Setembro, 12&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246727795039851602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 225px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" height="260" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SNAfIZiE1FI/AAAAAAAAAYk/ZI1KU-I2EQ8/s320/1984_Julio%26Regina.2.jpg" width="225" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Ensaio no Teatro do IPE. (Resolver a crise da Regina)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Falar com a Lúcia para ir às Lojas Brasileiras conseguir tecidos.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Reunião com o Geraldo (manhã): óculos / 6 camisetas com a letra A / capacete.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Reunião com o Régis (tarde); patrocínio.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Regina não está bem. Como diretor esgotara minhas ferramentas. Busquei em minha mente experiências anteriores onde me defrontava com problemas semelhantes. Lembrei de uma situação com a Marília durante a temporada do “Não Pensa Muito”. Ela estava num momento muito difícil da sua vida e estava muito a fim de arrumar uma briga comigo. Precisava de um pretexto para sair da peça e eu já percebera seu estado limite. Chegou no teatro mancando, com dor no pé. Colocou uma atadura e fez todas as cenas mancando. Ostensivamente. E em todos os personagens. O elenco se revoltou. Queria que eu brigasse com a Marília, desse um esporo, mandasse ela embora. Eu estava imobilizado. Não podia falar pois era o que era queria que eu fizesse. Sai do teatro no meio da apresentação, fui até uma farmácia e comprei Gelol. Entrei no camarim e disse vou te dizer uma coisa como diretor:&lt;br /&gt;- Passa Gelol e não manca mais em cena! – Dessa forma aliviava a dor e a tensão.&lt;br /&gt;Com a Regina estava no mesmo impasse. Ela reagia frente às exigências do trabalho com muito mau humor, puxava o clima pra baixo. Liguei para uma colega da medicina, Dra. Lizete Pessin que estava atendendo no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Marquei hora para a Regina. Às vezes um diretor tem que realizar manobras não convencionais para dirigir uma peça de teatro.&lt;br /&gt;Regina melhorou bastante, mas ainda argumentava e a cena da D. Elvira com a Ana estava com muitos problemas. Insistia em fazer do jeito dela. Para mim a personagem precisa ter um pouco mais de dignidade. No teatro, a que a gente quer mostrar, tem que esconder. O dessa forma, o público tem a sensação de arrancar do ator uma emoção transcendente. Regina exagerava criando um clima piegas. Mandei todo mundo sair da sala. Ficamos eu, ela e a Claudia. Regina seguia falando que não sentia a personagem do modo que eu lhe falava, que sua D. Elvira era outra. Claudia, se irritou:&lt;br /&gt;- Mas que personagem tu estas falando. Nem sabe o texto de cor. Cada dia tu faz de um jeito. Faz o que o Júlio está falando, porra! Quem tu pensa que é, a Fernanda Montenegro?&lt;br /&gt;Regina respirou fundo. Os argumentos que eram tão eficientes contra a direção se desmontaram na relação colateral. O ponto de vista de outra atriz devolveu a lucidez e ela cedeu. A Dona Elvira da Regina ficou maravilhosa.&lt;br /&gt;Depois do ensaio procuro Claudia. Ela se desculpa dizendo que não deveria ter falado daquele jeito. Eu lhe agradeço. Ela disse exatamente o que eu deveria ter dito, mas estava com dificuldade de me impor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246732299976221426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 224px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px; TEXT-ALIGN: center" height="274" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SNAjOnumovI/AAAAAAAAAY0/ZADLr1ob2xo/s320/godunov.jpg" width="211" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O bailarino e ator Alexander Goudnov,  vilão do Duro de Matar 1, cujo cachê foi desviado para o Bailei na Curva por habilidade do Geraldo Lopes e sensibilidade do Paulo Amorim.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Reunião com o Régis Conte. Como irmão mais velho e bom negociante e administrador, sempre esteve ligado a projetos empresariais junto com meu pai. Tiveram vários negócios em comum. Naquele momento Régis era o Diretor da Conte S/A Máquinas Agrícolas que tinha uma representação da Valmet. Tratores não combinavam nada com cultura. Pelo menos nesta época, mesmo assim foi falar com ele. Explanei o projeto da peça e ele na hora fechou o patrocínio. Ele ainda quis me ajudar mais. Imaginou que Geraldo Lopes teria a porcentagem como produtor e me sugeriu que eu ficasse com o dinheiro da porcentagem e contratasse a Opus pagando um preço fixo. A intenção dele era ajudar o irmão menor que se encontra em múltiplas enrascadas financeiras. Não aceitei. Pensava que se cada um se sentisse integrado no trabalho teríamos um resultado mais harmônico. O grupo estava acima de tudo e o Geraldo era do grupo. Preferi dispor de todo o patrocínio para o espetáculo. Com certeza o investimento desta maneira traria um retorno maior a para mais gente. Meu irmão Régis Conte foi então o primeiro patrocinador do Bailei na Curva. Como o dinheiro fizemos a programação gráfica, a divulgação e uma pequena mídia de jornal e TV. O Geraldo criou uma frase para o programa. Valmet, “a mente humana é uma terra fértil, a arte, seu melhor fruto”. Ele me mostrou entusiasmado. O Geraldo conseguiu ainda outro patrocínio. A Opus estava bancando a vinda o bailarino Alexander Goudnov que faria uma rápida temporada em Porto Alegre. Era uma atração internacional, um sucesso mais do que garantido. O evento tinha apoio financeiro e oficial. Geraldo convenceu o Subsecretário de Cultura da SEC/RS, Joaquim Paulo de Almeida Amorim, a dividir o dinheiro do Goudnov com o Bailei na Curva. Sempre que eu vejo as reprises do Duro de Matar eu agradeço ao bandido do filme, que sem saber, cedeu metade do seu patrocínio para uma peça gaúcha. Como o orçamento foi feita uma tiragem de mil e quinhentos programas. Eu achei muito. Se tivéssemos umas mil pessoas em toda a temporada, para nós, já seria muito. Felizmente eu estava errado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-7390854478590011991?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/7390854478590011991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=7390854478590011991&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/7390854478590011991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/7390854478590011991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/09/setembro-9.html' title='1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SNAhooWa2gI/AAAAAAAAAYs/7JmMVEQR4GY/s72-c/mar%C3%ADlia1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-4694220182197470601</id><published>2008-09-10T07:41:00.000-07:00</published><updated>2008-09-15T09:37:12.878-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Taurus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bonequinho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marquinho'/><title type='text'>1983</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMfd1pO9ePI/AAAAAAAAAXk/3XqpND-Wbuc/s1600-h/BonecoBCoriginal.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244404204767639794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMfd1pO9ePI/AAAAAAAAAXk/3XqpND-Wbuc/s320/BonecoBCoriginal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Setembro, 6.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Telefonar para o Janjão&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Marquinho: Geraldo.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ensaio no Teatro do IPE &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Janjão Freire foi corredor de automóveis, corredor de maratona e diretor da Taurus. Era também cunhado do meu irmão. Por isso, na hora do aperto, liguei para ele para ver a possibilidade de patrocínio. Ele tentara me colocar num comercial da Taurus sobre um novo tipo de chave de fenda que possuía um imã facilitando o contato com o parafuso. Efeito carimbador maluco. Não deu certo, mas nesta tentativa prévia, ficara sabendo que o Taurus estava querendo mudar a imagem de uma fábrica demasiadamente marcada pela confecção de armas. Falei com o Geraldo e pensamos em propor algo para a Taurus no sentido de oferecer um marketing cultural e aliviar a pressão negativa sobre a marca. Marcamos uma reunião no Bar do IAB, um tanto informal, e avisei o Flávio Bicca que estaríamos lá. Ele insistiu em participar. Geraldo Lopes e Janjão Freire frente a frente na mesa e eu e Flávio nas adjacências. O negócio era entre empresários e nós éramos neófitos, cabia observar mais do que agir. Geraldo falou um pouco sobre o significado da associação entre a marca de uma empresa e o produto cultural. Janjão falou do seu interesse nesta associação. Eu já imaginei o dinheiro entrando para fazer uma bela estréia, com cartaz, programação gráfica e divulgação. Foi aí que o Flávio falou:&lt;br /&gt;- E qual é a posição da empresa quanto à venda de armas em Moçambique?&lt;br /&gt;Silêncio no tribunal. Geraldo virou um pimentão, literalmente, não é figura de linguagem. Quem conhece o Geraldo sabe que ele quando se irrita ou se constrange ou ri fica totalmente vermelho. Pois naquela hora ficou vermelho de raiva. Eu tive vontade de comprar uma arma da Taurus e dar um tiro no Bicca. Janjão foi o mais cordial. Olhou para o Bicca, falou algumas coisas banais, pediu a conta e saiu. Fim do patrocínio. Depois comentando com o grupo, a Claudia Acursso, Lúcia Serpa, o Hermes Mancilha e o Cláudio Cruz também se manifestaram contra a idéia de uma peça que fazia uma crítica a ditadura do regime militar, ao estado de exceção e a tortura, associar-se a uma fábrica de armas. Eles tinham razão. Ainda abem que o Flávio fez aquela besteira, senão eu teria feito uma besteira maior. Teria aceitado para o Bailei na Curva um patrocínio de uma marca de arma de fogo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Seria um tiro pela culatra. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;A origem do bonequinho do Bailei&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na tarde me encontrei com o Marquinho na Getúlio Vargas. Ele trabalhava numa agência de publicidade e fazia alguns free para a Opus. Como não podia me receber na agência, nos falamos na calçada. Ele já tinha um brife, mas tinha dúvidas. Conversamos, falei que minha idéia era que a peça começasse como se fosse uma peça infantil, que tivesse uma ingenuidade inicial para depois evoluir para um drama. Era essencial uma leveza que relaxasse o público e ao mesmo tempo prenunciasse o trágico. Marquinho era uma pessoa maravilhosa, um metro e pouco, muito astral, falava alongando as vogais e melando as palavras. Quase bicho grilo e desse jeito mesmo ele falou:&lt;br /&gt;- Mas afinaaaaal, o que tu queeeer?&lt;br /&gt;Eu estava cansado, uma porção de decisões. Levantei os braços, encolhi os ombros e devo ter feito uma cara de desiludido. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ele falou:&lt;br /&gt;- Quem sabe um bonequinho, assim, com esta expressão? – e encolheu os olhos, comprimiu os olhos e abriu os braços me imitando.&lt;br /&gt;Olhei para ele, ali no meio da Getúlio, final da tarde, e vi no corpo deleo aquilo que ele viu no meu: o bonequinho do Bailei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ensaiamos a noite até tarde, pois no dia seguinte era feriado. Durante o ensaio já tinhamos o bonequinho do Bailei, pelo menos na cabeça do Marquinho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-4694220182197470601?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/4694220182197470601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=4694220182197470601&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4694220182197470601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4694220182197470601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/09/setembro-6.html' title='1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMfd1pO9ePI/AAAAAAAAAXk/3XqpND-Wbuc/s72-c/BonecoBCoriginal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-6037374207657595888</id><published>2008-09-09T05:39:00.000-07:00</published><updated>2008-09-09T09:06:29.045-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hospital São Pedro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Freud'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Melanie Klein'/><title type='text'>1983</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMZzAj3XP8I/AAAAAAAAAXA/VGjmkca5hcw/s1600-h/hsp.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244005269584166850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMZzAj3XP8I/AAAAAAAAAXA/VGjmkca5hcw/s320/hsp.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Agosto, 26.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Sobre o conceito de transferência&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na aula de psiquiatria na Divisão Melanie Klein do Hospital São Pedro, a discussão foi sobre transferência. Como se sabe transferência é um fenômeno descoberto por Freud no qual o paciente projeta na figura do analista suas relações mais primitivas. Este fonômeno ganhou importância pois é justamente por causa dele que o analista tem ferramentas para tratamento de doenças psíquicas, uma vez que ao atualizar sobre o analista vínculos passados e primitivos, cria-se as condições para alterar padrões antigos e possibilitar novas repostas a antigos problemas. Ou seja, cria-se as condições de aprender com a experiência.&lt;br /&gt;Na segunda parte da aula foi de supervisões. A paciente do Fábio, um colega de turma, parou o tratamento. Chegamos a conclusão que foi um abandono. Fábio sustentou até o fim que foi uma alta e bem sucedida. Questões de ponto de vista. Cura em duas sessões é coisa para traumatologista. Depois, dele apresentei o caso da minha moça de olhos tristes. Relatei que ela chegara no atendimento muito assustada. Disse que achava que estava ficando louca. Perguntei porque e ela respondeu que estava me vendo em todos os lugares. Eu já imaginara que era fruto da transferência quando ela falou:&lt;br /&gt;- Essa semana estava vendo TV e vi o teu rosto na cara de um monstro de uma propaganda.&lt;br /&gt;Dra. Lucrecia, muito sagaz, perguntou se eu fizera mesmo a propaganda. Os colegas riram da pergunta. Só pararam quando eu disse que sim. Era eu mesmo o monstro que assombrava minha paciente. Minha sorte foi que, durante a sessão, havia dito para a paciente que de fato, fora eu que interpretara o Carimbador Maluco e que não era um montro de sua fantasia. Ela sentiu-se aliviada. Aprendi que a verdade pode ser dura, pode ser engraçada, pode ser trágica, mas é sempre verdade e por isso, mitiga o nosso sofrimento pois remete para aquilo que não pode deixar de ser. A verdade alivia. Quando dita com amor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Graças ao mestre Freud que invetou o homem como a gente conhece hoje.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244006251329967826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 185px; CURSOR: hand; HEIGHT: 132px; TEXT-ALIGN: center" height="191" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMZz5tJzVtI/AAAAAAAAAXQ/nf_Ge_P74Wk/s320/freud2a.jpg" width="185" border="0" /&gt;&lt;/span&gt; &lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Agosto 30.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Reunião com Geraldo da Opus para quantificar a produção.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu estava muito tenso. Quantificar uma produção era a pauta da reunião. Para mim a questão era um enigma da matemática moderna: como quantificar o nada. Fazendo teatro com se fazia até então era a inveção do zero. Não havia produção, não havia dinheiro, não havia projeto mínimo de organização. Com estas premissas sentei na frente do Geraldo para aprender. Ele estabeleceu um plano mínimo para a realização de uma peça de teatro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Anotação ao pé da página: Dinheiro da Distribuidora; Vila: Divisão Melanie Klein Geraldo Lopes – Régis C.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Reunião com Leisa Serpa no Teatro do IPE.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Reunião no Teatro do IPE, com Leisa Serpa, mãe da Lúcia. Ela disse que queria ativar o teatro até então usado como auditório. E logo confirmamos as datas. Nem precisei argumentar nada. E ainda por cima, conseguimos o teatro para ensaiar. Uma preciosidade que gerou frutos, pois ensaiar no ambiente de apresentação é uma raridade que só acontece quando um produção aluga ou é proprietário de uma sala de espetáculos. Descobrimos que o palco é material de trabalho do ator, como uma cama para o amante, quando mais usa, mais lhe pertence. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi desta forma que colocamos o Teatro do IPE no mapa da cidade.&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244005953704208802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 335px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px; TEXT-ALIGN: center" height="252" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMZzoYaSqaI/AAAAAAAAAXI/Dd7Yz8Wile8/s320/ipe.gif" width="175" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-6037374207657595888?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/6037374207657595888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=6037374207657595888&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6037374207657595888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6037374207657595888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/09/1983.html' title='1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMZzAj3XP8I/AAAAAAAAAXA/VGjmkca5hcw/s72-c/hsp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-1319639819824420685</id><published>2008-09-05T07:36:00.000-07:00</published><updated>2008-09-05T08:01:23.764-07:00</updated><title type='text'>1983</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Agosto, 23.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242548933154705234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMFGen5KD1I/AAAAAAAAAWo/sLvtUTaFF_U/s320/museu+do+trabalho.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Reunião no Museu do Trabalho&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Carimbador maluco no Do Sul, noite&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reunião no Museu do Trabalho.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Apresentei o projeto do Bailei novamente, agora para a nova diretoria que tomou posse. Eles também recusaram. Ficaram me olhando como se eu estivesse pirado. Aliança Francesa nem nos recebeu e o Goethe tinha toda a pauta ocupada.&lt;br /&gt;Depois que a peça estourou o diretor do Museu do Trabalho veio me propor temporada. Tinha que acreditar antes, senão não vale.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Falei com a Lúcia ela pensou no Teatro do IPE. Não tem tradição, mas se não tiver outro... Sua mãe, Leisa Serpa ocupava um cargo no IPÊ e tinha idéia de utilizar o teatro para mais coisas do que seminários e conferências. Lúcia e eu falamos com ela. Na pior das hipóteses tínhamos teatro.&lt;br /&gt;Acabamos optando pelo IPÊ depois de saber que não havíamos ganhado temporada no Teatro Renascença. Perdemos o edital para o Mario Masseti, um diretor paulista que estava com muitos trabalhos interessantes em Porto Alegre. Um dia me ligaram da administração do Centro Municipal de Cultura para que eu fosse buscar o projeto. Cheguei lá e o projeto não havia passado pelo protocolo geral e não havia sequer entrado no pleito de ocupação. Um funcionário da Opus, desabituado com a burocracia perdeu o prazo e entregou o projeto direto no teatro. Nem entrou em julgamento. Ficamos esperando um resultado que não tinha chance de acontecer. Mas, obviamente o funcionário não avisou ninguém. O nome dele era Átila, também conhecido nas internas como Átila, o rei dos burros. Trabalha na Opus até hoje é um cara legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Carimbador maluco no Do Sul, noite.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gravei um comercial para TV com direção de Flávia Moraes. Uma campanha para a rede de Supermercados Do Sul. Passamos a madrugada no Supermercado na esquina da Rua São Vicente com a Av. Protásio Alves. O personagem era inspirado na música de Raul Seixas e fez muito sucesso. Eu usava uma maquiagem espessa, grossa, uma espécie de máscara branca, um chapéu coco e um carimbo gigantesco. Eu, quer dizer, o Carimbador Maluco entrava no supermercado de madrugada e remarcava todos os preços. Carimbava tudo o que via pela frente e culmina a perfomance com um carimbo na câmera. No final do VT eu atravessava um grande corredor vazio e no fundo dava dois pulos e no ar batia as solas da botina. Ficou com marca registrada do Carimbador Maluco. O comercial entrou no ar com uma mídia fantástica. Concentrando tudo na segunda feira para a promoção na terça, a veiculação foi de cento e vinte inserções somando todos os canais. Isso significou que a mídia no dia do lançamento da campanha do Carimbador Maluco, somando todos as veiculações em todos os canais, atingia o total de duas horas no ar. O tempo de um filme de longa-metragem. Isso teria conseqüências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Agosto, 24. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Elenco da peça fechado: Cláudia, Cláudio, Flávio, Regina, Hermes, Márcia, Júlio &amp;amp; Lúcia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com alegria escrevi que finalmente o elenco estava fechado: Cláudio, ariano, 29 anos, depois eu, Júlio, 28. Leão; Regina, 27, Sagitário; Flávio, 26, Peixes; Claudia, 24, Libra; Hermes, 23, Escorpião; Márcia, 22, Aquário; Lúcia, 18, Capricórnio. Pensava em fazer o mapa astral da peça. Faltava o dia e a hora do nascimento. Achava esse negócio de signos uma bobagem, mas... Pensamento mágico vale na reta final dos ensaios. São tantas variantes e a maiorias delas não se tem controle. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242552048396204786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 500px; CURSOR: hand; HEIGHT: 89px; TEXT-ALIGN: center" height="78" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMFJT9Em-vI/AAAAAAAAAWw/vf82IKmT4nk/s320/Zodiaco.jpg" width="337" border="0" /&gt;Por isso No creo em las bruxas... &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-1319639819824420685?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/1319639819824420685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=1319639819824420685&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1319639819824420685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1319639819824420685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/09/agosto-23.html' title='1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SMFGen5KD1I/AAAAAAAAAWo/sLvtUTaFF_U/s72-c/museu+do+trabalho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-9066879585547869384</id><published>2008-08-27T04:55:00.000-07:00</published><updated>2008-08-27T05:26:02.367-07:00</updated><title type='text'>1983</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SLVGsNiwQZI/AAAAAAAAAUo/MPRAcWdsvrY/s1600-h/1984_BAILEI+NA+CURVA_Lisette+Guerra_TSP01284.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239171466879058322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 192px; CURSOR: hand; HEIGHT: 187px; TEXT-ALIGN: center" height="233" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SLVGsNiwQZI/AAAAAAAAAUo/MPRAcWdsvrY/s320/1984_BAILEI+NA+CURVA_Lisette+Guerra_TSP01284.jpg" width="236" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Agosto, 8.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;EPATUR&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Verdes Anos.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Psiquiatria.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;EPATUR&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Telefonei para EPATUR para conseguir espaço para apresentação da peça. Um espaço alternativo. No desespero vale qualquer lugar para apresentar o trabalho, mas não deu em nada.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239169700532275618" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SLVFFZY3SaI/AAAAAAAAAUY/abzwK1JBi10/s320/VERDES~1.jpg" border="0" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Verdes Anos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A cidade já se mobiliza para o novo filme que esta sendo feito. Um longa metragem em 35 milímetros. Fui convidado a atuar. Participei de uma reunião de produção num sobrado antigo no Bairro Rio Branco. Li as primeiras páginas do roteiro do filme Verdes Anos e fiquei apavorado. Escrito por Giba Assis Brasil, Álvaro Teixeira, Carlos Gerbase e o Alex Sernambi o roteiro era praticamente igual ao “Bailei na Curva”. Ainda bem que a produtora não teve condições de realizar tal empreendimento. Faltava dinheiro para achar atores infantis que sejam parecidos com os atores adultos. Resultado que a história dos Verdes Anos abrange um pedaço da história contada pelo “Bailei na Curva”. De qualquer modo filme demora e eu iria estrear antes do que eles.&lt;br /&gt;Este fato vai ao encontro de uma concepção de que as idéias não têm dono. Flutuam em suspensão, pairam no ar a espera de uma mente disponível que lhes dê guarida. A originalidade esta na disposição para viver algo que se realiza além e aquém da nossa vontade. Este foi apenas mais um dos inúmeros tratamentos de choque impostos pela vida ao meu narcisismo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Psiquiatria.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Aula de Psiquiatria, supervisão coletiva. Um colega, Fábio, vai fazer Traumatologia e por isso, Psiquiatria é uma perda de tempo na opinião dele. Relata o caso que atende. Uma mulher envolvida em muitas confusões profissionais, noiva de um alcoolista e que não tem prazer nas relações sexuais. Na orientação é falado que provavelmente essa mulher seja um histérica que tem questões relacionada com a sexualidade. Fábio, com desenvoltura, diz que já havia feito este diagnóstico e que já resolvera o problema. Disse para a paciente que ela tinha que se organizar e deu como exemplo, que ela não devia colocar os sapatos na gaveta das calcinhas. Risos contidos de todos, inclusive da Dra. Lucrecia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Agosto 9.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Vila Cuzeiro, Febem às 9 horas. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Não resisto, vou para o palco. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Vila Cuzeiro, Febem às 9 horas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;No trabalho de Medicina Preventiva nossa turma teve que fazer uma pesquisa de campo. Verificar as necessidade da Vila e propor soluções. O problema da vila era os ratos. Uma quantidade absurda tomava as casas. Um menino dormiu e deve ter regurgitado um pouco de leite.Atraídos pelo cheiro do leite, atacaram o menino que passava mal no hospital. Imaginei o Flautista de Amelin atraindo toda a troupe a os afogando no Guaíba. Não funcionava assim. A solução imediata seria uma lixeira. Durante o semestre tivemos muitas conversas com a Associação e eles já estavam agilizando a construção da lixeira. Fotografei o local e no final do semestre fotografei a lixeira. Tiramos A na matéria. Três meses depois de pronta, porém, a lixeira foi demolida e o material usado para mais um barraco clandestino. Tristes prioridades se impunham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Não resisto, vou para o palco.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Claudia sugere o meu nome para entrar no palco. Eu havia jurado que desta vez seria apenas diretor. Mas a peça estava tão bonita, tudo tão certo, no lugar. Porém, um problema sério de mudança de roupa e distribuição dos personagens nas cenas iniciais obrigava a presença de outro ator. Pensamos em vários, mas sem consenso. Foi aí que a Claudia sugeriu que eu entrasse em cena. Não precisava muito, eu já estava com um pé que era um leque para subir no palco. Mesmo assim me contive. Peguei os papéis menores por opção e porque não queria me arriscar. Não me considerava bom, sentia que eu era “esforçado”. Muitos anos teriam que se passar, maioria deles dirigindo grandes atores para que no final, eu me sentisse a vontade no palco. Para que eu me sentisse um ator em cena.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Agosto, 10.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Filmagens.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Supervisão do caso da moça de olhos tristes.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Uma anotação.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Filmagens.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nos Verde Anos fazia o professor de educação física, Cid. Usei um abrigo da Adidas azul marinho com três listas. O meu personagem usava um bigode e era assediado sexualmente por uma aluna que decidira que não seria mais virgem. O professor Cid era o felizardo escolhido para realizar tal proeza. Era uma idéia interessante porque invertia o fluxo dos assédios e fragilizava o poder estabelecido. Fiz a minha primeira cena em longa metragem na entrada do Colégio Cruzeiro do Sul. Não tinha noção onde estava a câmera nem como fazer. Quando me falaram que valeu, fiquei sem saber o que foi mesmo que valeu. Tive mais dois dias de filmagens. Um pelas ruas do bairro correndo e aceitando carona da aluna, outro dando uns beijos numas ruínas escondidas. O filme terminou para mim numa locação em São Leopoldo quando finalmente eu resolvia transar com a aluna feminista interpretada pela Xala Filipi.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Elipse 2008&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;O filme VERDES ANOS se tornou um cult depois da premiação no Festival de Cinema de Gramado. Circulou o Rio Grande do Sul e um pouco do Brasil também. Porém penetrou imensamente na crítica cinematográfica brasileira. Recentemente Maria do Rosário Caetano, depois de assistir Netto e o Domador de Cavalo no qual faço um personagem, o Barão de Aceguá, veio me perguntar se eu havia mesmo feito o Verdes Anos. Assim com curta que fiz na mesma época, Interlúdio, ficaram para a posteridade, embora em vida não tiveram nem um, nem outro o reconhecimento e uma entrada trinfual no &lt;em&gt;meanstream&lt;/em&gt;. Estranho o que tempo faz com o cinema e não pode fazer pelo teatro. No teatro tudo é radicalmente imediato. Ou se ve, usifrui, vivencia no momento ou se perdeu o bonde da história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239170291626137970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="174" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SLVFnzYn2XI/AAAAAAAAAUg/3izJtuIuhhU/s320/interludio+com+gerbase.jpg" width="271" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Supervisão do caso da moça de olhos tristes.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Supervisionei o caso da minha paciente, a moça de olhos tristes. Relatei os conteúdos da sessão. Lucrecia de imediato desenhou o quadro. A minha paciente perdera o pai há alguns anos. Veio se tratar para elaborar o seu luto que ainda impede que tenha uma vida saudável. Pensei comigo que tudo na vida tem a ver com algum luto e que grande questão é o que fazer com a dor que deveras se sente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Uma anotação.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ao pé da página estava escrito: Renascença – teatro as terças-feiras.&lt;br /&gt;Foi uma das alternativas para apresentação da peça, meio de semana. Chegamos a discutir esta possibilidade, mas decidimos que somente em último caso, pois não havia tradição para fazer teatro em meio da semana. Regina vai marcar mais uma reunião com o pessoal do Teatro do Museu do Trabalho. Torquato vai falar com a Haideé para a Reitoria. Regina vai tentar também a Aliança Francesa e a Claudia Acursso o Teatrinho do Instituto Goethe. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;A busca por um teatro ocupou para a estréia do Bailei ocupou meses de produção, reuniões e conchavos infrutíferos. Se a peça não tivesse acontecido, tudo não passaria de uma rotina. Mas depois muita gente se arrependeu dos nãos distribuidos. Foi uma lição para o resto da minha vida. Escuto todos que me procuram, por mais estapafúrdia que seja a proposta, escuto, tento descobrir o que está acontecendo no íntimo pois nunca sei quando estou na frente de uma idéia genial ou de um delírio. Mas esta é a questão que toda a humanidade tem que lidar, mais cedo ou mais tarde e para o resto da vida. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-9066879585547869384?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/9066879585547869384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=9066879585547869384&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/9066879585547869384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/9066879585547869384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/08/agosto-8.html' title='1983'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SLVGsNiwQZI/AAAAAAAAAUo/MPRAcWdsvrY/s72-c/1984_BAILEI+NA+CURVA_Lisette+Guerra_TSP01284.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-1253094493614437154</id><published>2008-08-11T05:24:00.000-07:00</published><updated>2008-08-11T15:48:33.820-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SKCpqjHADYI/AAAAAAAAATc/kyuuIONIIdQ/s1600-h/AbrÃ£o&amp;amp;Julio.leve.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SKAzUOZkDOI/AAAAAAAAATQ/SydvDD792R0/s1600-h/Claudiio+Cruz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233239189560233186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 166px; CURSOR: hand; HEIGHT: 138px; TEXT-ALIGN: center" height="156" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SKAzUOZkDOI/AAAAAAAAATQ/SydvDD792R0/s320/Claudiio+Cruz.jpg" width="223" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Agosto, 3.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Ensaio.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Passamos bom tempo discutindo quem entraria na peça no lugar do Néco. Um drama interno. Todo o mundo dando palpite e ninguém escutando ninguém. Aí surgiu o nome do Claudio Cruz que estava ensaiando Esperando Godot. Pensei que um diretor por perto me ajudaria nos meus momentos de incerteza. Fui até a Reitoria onde Cláudio Cruz ensaiava. Convidei. Ele estava cansado de dirigir, queria respirar um pouco o ar do palco e viver um tempo com ator. Para surpresa geral ele aceitou naquela mesma noite. &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Atendi a minha primeira paciente. Uma moça bonita. Cabelo curto, livros debaixo do braço. Estuda para o vestibular. O seu olhar é sem vida. Ela fala muitas coisas e eu não entendo nada. Sinto uma tristeza muito grande. Anoto no prontuário os dados pessoais. Nome, endereço, filiação. A tristeza eu guardo comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Agosto 4.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Roberto da Arco Filmes. Possibilidade de fazer um comercial.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando o Cláudio Cruz entrou na sala de ensaios, uma boa parte do texto já estava pronto. Isso não diminuiu sua importância, pois como ele era diretor e bem mais experiente do que eu. Ao longo do processo, muitas vezes recorri a ele para tirar dúvidas. Ele entrou direto nos ensaios e se integrou muito bem ao grupo. Só havia um problema, Cláudio, ao contrário do Néco, não era nenhum galã. E eu já tinha cenas em que todas as gurias queriam o Néco. Tivemos que adaptar. No meio do ensaio alguém trocou o nome de Néco por Caco. Todos acharam graça. E eu deixei. Tinha tudo a ver.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mesmo assim ainda faltava gente para realizar uma quantidade absurda de troca de roupas e de personagens. Precisava de mais um ator e uma atriz. Cláudio resolveu uma parte do problema. Chamamos a Lúcia que estava fazendo produção executiva para entrar em cena. Ela herdou os personagens criados pela Márcia entre eles a Lulu. Márcia não queria que eu tirasse aquele personagem dela. Mas tive que optar. A Gabriela e a Lulu tinham muitas coisas parecidas, um espírito moleque. A Márcia celebrizou a Gabriela. Nunca houve uma Gabriela como a dela. E a Lúcia, desenvolveu a Lulu a ponto dos personagens não parecerem advirem da mesma origem. Ainda faltava um ator. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desenhava-se dentro de mim o eterno anseio de estar em cena. Uma sina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Agosto 5.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233370452440652946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SKCqsuvAHJI/AAAAAAAAATo/ri3As2Kh-Fw/s320/Abr%C3%A3o%26Julio.leve.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt; A foto é do lançamento de meu primeiro livro de contos, uma obra coletiva que o Abrão Slavutzki compareceu para dar o seu prestigioso apoio.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Alta da análise com Abrão.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos tempos de análise o dinheiro que meu pai destinava para o tratamento se encerrara e não tinha mais nada para vender. Tivemos que organizar uma alta. Sai aos poucos do divã e passei para o frente a frente. Neste período houve um fortalecimento da minha auto-estima. Ao contrário do que imaginava quando analisara as minhas primeiras experiências de vida onde, em virtude de uma grave hemorragia de minha mãe na sala de parto, na qual fui deixado durante horas à mercê da sorte enquanto os médicos tentavam salvar a vida da minha mãe, que de alguma forma eu valia a pena. Esta frase fecha uma das cenas finais do Bailei. Nos despedimos formalmente. Bem diverso do segundo período de análise quando eu já estava em formação. Nesta segunda oportunidade houve um agradecimento mútuo e um abraço carinho. Existem despedidas com certas pessoas que são sempre dão idéias de que estamos frente a um recomeço. A aceleração criativa produzida pelo confronto das personalidades gera frutos além da capacidade do par. Repito: o que a gente cria e sempre melhor do que aquilo que a gente é. E por isso, por nossos textos, nossas peças, nossos filhos, nosso trabalho, pelos abrigos e laços que construímos ao longo da vida, é que se passa toda a nossa evolução. E as experiências vividas acabam unindo as pessoas numa sociedade invisível, cuja única regra é manter a vida andando e intensa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;Agosto 6, sábado.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Curso como pessoal da CEF de manhã. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;E ensaio na ABIPEX à tarde.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A sala da ABIPEX era um muquiço quase na esquina da Rua Riachuelo com a Caldas Junior. O mofo da sala e sol das duas da tarde me puseram para a rua. Sentei me no cordão da calçada da Riachuelo esperando o pessoal. Ensaio sábado é foda. Todo o mundo se atrasa. Eu só não me atraso porque sou o diretor e diretor tem que dar exemplo. O pessoal foi chegando aos poucos, cheios de preguiça no corpo, digestão em processo e um pouco de ressaca. Entrar numa sala de ensaio é um exercício semelhante a começar a escrever um romance ou se preparar para uma palestra. Dá um medo e uma preguiça. É o pavor da folha em branco. Quando todo o pessoal chegou ainda resistimos um pouco mais desfrutando o calor delicado do sol de inverno. Entramos na sala e a umidade e o frio persistente nos deprimiu. Lá fora uma bela tarde de sol nos convidando. Alguém falou:&lt;br /&gt;- Vamos ensaiar na no parque.&lt;br /&gt;Já havia tido este tipo de experiência. Várias cenas do “Não Pensa” foram ensaiadas na Redenção e “O Reino do Sol” no Jardim Botânico. É muito interessante este tipo de ensaio pois na época nos remetia a performances urbanas e Porto Alegre ainda não era uma cidade com um teatro de rua tão forte como é hoje. Além disso, o caráter de subversão sempre atrai o teatreiro.&lt;br /&gt;Resolvemos ir até a Usina do Gasômetro. Começamos o ensaio depois de algum tempo a tomar sol, deitados na grama. Neste grande abraço grupal foi que surgiu, entre uma brincadeira e outra a idéia de que a personagem da carona fosse a Lu. A cena do carona já era um grande problema. De início improvisamos um acampamento em Garopaba. A viagem, a barraca, o macarrão com molho de sardinha, o saco de dormir, quem deita com quem. A Regina ensaiou vários dias uma música da Janis Joplin que eu pedi para ela cantar em cena. Todas legais, mas não foram aproveitadas, pois em que pese à vitalidade, estancava o ritmo do espetáculo. Única definição era que seria uma cena para desenvolver a história do Caco. O texto provisório tinha cinco páginas e isso corresponde há quase quinze minutos. Com o tempo, a cena foi cortada, uma partezinha aqui, outra ali, parte por parte se esvaindo até virar a cena da carona. Dois páginas de texto enxuto, preciso e cirurgico. Foi no meio desta orgia da preguiça, deitados na grama, perto da Usina que surgiu a idéia do Caco reencontrar com a Lu. Aquela guriazianha pentelha da Reunião Dançante viraria uma mulher muito gostosa na estrada para Santa Catarina. Este fechamento de cena caiu do céu como uma maçã de Newton. Justamente quando estávamos todos dormindo, viajando, devaneado. O sonho inventa a vida e somos feitos desta mesma matéria como o bardo inglês nos ensinou.&lt;br /&gt;Começamos o ensaio desta forma, meio sério, meio brincado, mais celebrando o sol e a vida do que preocupados com a peça. Balei já estava em estado adiantado de constituição e por isso relaxamos. &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dois mendigos e um ciclista pararam para nos assistir. E pelas risadas percebi que algo vital e importante estava sendo produzido. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eles foram, sem saber sequer o nome da peça, o primeiro público da Bailei na Curva. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Agosto, domingo, 7.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Livre.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anotação ao pé da página: Teofilina Bermácea. Aerolin Spay. Aerolin Solução.&lt;br /&gt;(Será que era para mim ou para o Pedro?)&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-1253094493614437154?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/1253094493614437154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=1253094493614437154&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1253094493614437154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1253094493614437154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/08/agosto-3.html' title=''/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SKAzUOZkDOI/AAAAAAAAATQ/SydvDD792R0/s72-c/Claudiio+Cruz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5440915473207607050</id><published>2008-05-31T19:57:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:45.691-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEIUsoBvH8I/AAAAAAAAARY/Li5bbgBY2Ko/s1600-h/hugo_de_leon.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 246px; height: 314px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEIUsoBvH8I/AAAAAAAAARY/Li5bbgBY2Ko/s320/hugo_de_leon.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206746876085215170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Julho, 28.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Libertadores da América.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Não dei curso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Suspendi a aula para o pessoal da Caixa Econômica para ver o jogo do Grêmio contra o Penharol. Meus vizinhos, colorados, estavam entusiasmados. Grêmio saiu na frente, gol de Caio, e não resisti, fui para a janela gritar. No segundo tempo o centro-avante Morena empatou. Gritaria no prédio da frente. Perto do fim, Renato faz embaixadas quase no córner e cruza a bola. A bola é um arco íris atravessando a noite. A parábola termina na cabeça do César. Grêmio 2 x 1. Campeão da Copa Libertadores da América. Fui para a&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;rua festejar. A janela do prédio da frente estava com a persiana fechada e não se percebia nenhum movimento. Nenhum sinal de vida inteligente no planeta vizinho.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;span style="font-size:180%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Julho, 29.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Curso na Caixa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Recuperei o dia perdido. O grupo começa a pensar em montar uma peça. Plínio Marcos é uma das sugestões.&lt;/p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;    &lt;span style="font-size:180%;"&gt; Agosto, 1.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Dinheiro na Distribuidora. Salário-ajuda do meu Pai.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Psiquiatria no São Pedro, hospício.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaios.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;      &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEMyIagng5I/AAAAAAAAASA/x-C4nZDATcA/s1600-h/CHICOCantaCalabarI1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEMyIagng5I/AAAAAAAAASA/x-C4nZDATcA/s320/CHICOCantaCalabarI1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207060714306896786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;O mês de agosto trazia anúncios da estréia de Calabar, de Chico Buaque de Hollanda no Teatro Presidente. O texto finalmente liberado pela censura, tinha direção de Dilmar Messias. Enquanto isso, Edison Nequete, veterano ator de teatro,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tinha uma placa em sua homenagem colocada no Theatro São Pedro. A Zero Hora noticiou casos do Sarcoma de Kaposi característica de uma possível Síndrome Gay que tivera suas primeiras vítimas em 1979. Carlinhos Hartlieb estava em cartaz no Rocket 88 e os longa-metragem em 35mm, &lt;i&gt;Verdes Anos&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Me Beija&lt;/i&gt; entravam em pré-produção. Discutia-se a impropriedade para menores de dez anos assistirem a peça do grupo Cem Modos, um teatro de bonecos e que acabou recebendo o prêmio de Melhor Espetáculo de 83, no Centro Franco-Brasileiro. O filme Danton de A. Wajda entra em cartaz no Cine Astor. Enquanto isso eu começava as aulas de psiquiatria no São Pedro, o Hospital. Divisão Melanie Klein.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEMyBvYQD3I/AAAAAAAAAR4/j2b49_lfQgs/s1600-h/capa_771.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEMyBvYQD3I/AAAAAAAAAR4/j2b49_lfQgs/s320/capa_771.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207060599649865586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Tenho que comprar o Kaplan – Livro de Psiquiatria, custa muito caro e só tem em espanhol. Tive contato com os mestres da psiquiatria e psicanálise do Rio Grande do Sul. Um deles chegou de gabardine escura, chapéu de feltro e parecia um galã de filme francês. Com charme, mas sempre um pouco além das medidas. Pensei que não é só no teatro que há vedetes, nem a vaidade é privilégio de atores.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Fiz o cálculo: durante as férias tivemos dezoito dias de ensaio. Alguns dias em dois turnos de ensaios e um para escrever. Foi bastante. Dois terços da peça se definiram neste mês. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;        O encarte do jornal Zero Hora trazia o pôster do Hugo de Leon capitão da vitória. Sangue correndo pela testa. Todos pensaram que foi a bravura do jogo. Anos depois se decobriu que ele colocou a taça sobre a cabeça e lacerou a testa. Mas a versão da bravura é muito melhor.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Agosto, 2.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Psiquiatria.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Medicina Preventiva&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Psiquiatria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;Aula com a Dra. Lucrecia Saslavky. Tive sorte pois ela é uma pessoa muito afetiva e me acolheu muito bem. Neste dia fico sabendo que terei que atender uma paciente durante todo o semestre. Um frio na barriga.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEITdQ6qNlI/AAAAAAAAARI/Uxqu_-arG24/s1600-h/hsp1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEITdQ6qNlI/AAAAAAAAARI/Uxqu_-arG24/s320/hsp1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206745512671852114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ensaio.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Terminaram as férias. O esquema de ensaios em dois turnos e um turno para escrever acabou. Todos retornam a suas tarefas, aulas, trabalhos, vida normal. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Néco chega no ensaio e diz que vai sair da peça. Depois de um período de produção incrível onde setenta por cento do texto foi concebido, o cara desiste. É foda, parece cena do “&lt;i&gt;Não Pensa Muito Que Dói&lt;/i&gt;”. Fico muito irritado. Primeiro a Marília, depois o Torquato e agora o Néco. Eu sabia que ele recém saíra de um relacionamento longo e por isso, para se refazer, entrara no teatro. O fato de estar fazendo a peça e ter sido muito valorizado na escola me deu a idéia errônea de que ele seguiria a carreira. Como era muito bonito, transava com todo o mundo e isso elevou sua auto-estima na escola. Sem falar que ele aceitara com muita alegria fazer a peça. Ensaiou três meses, transou com quem queria e foi embora. Acho que ele nunca acreditou que Bailei na Curva um dia subisse ao palco. Em alguns momentos de delírio, imaginava o Néco como aquele baterista dos Beatles que saiu da banda antes dela fazer sucesso. Que eu saiba nunca mais fez teatro.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEIWPeX3pvI/AAAAAAAAARo/oWY9z6wRrug/s1600-h/vila+cruzeiro1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEIWPeX3pvI/AAAAAAAAARo/oWY9z6wRrug/s320/vila+cruzeiro1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5206748574300743410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Medicina Preventiva&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Trabalho de Preventiva: visitar a Vila Cruzeiro, fazer uma lista de problemas e encontrar uma solução comunitária. Como? De repente o mundo ficou preto-e-branco. Minha preocupação era achar alguém para o lugar do Néco.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5440915473207607050?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5440915473207607050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5440915473207607050&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5440915473207607050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5440915473207607050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/05/julho-28.html' title=''/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SEIUsoBvH8I/AAAAAAAAARY/Li5bbgBY2Ko/s72-c/hugo_de_leon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5385450214163350738</id><published>2008-05-17T12:33:00.001-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:52.010-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Geraldo Lopes'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (18)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SC83hoDr-nI/AAAAAAAAAOY/bgvUOyal4ko/s1600-h/Anivers%C3%A1rio+no+IAB.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SC83hoDr-nI/AAAAAAAAAOY/bgvUOyal4ko/s320/Anivers%C3%A1rio+no+IAB.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201437145464306290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Como não achei nenhuma foto coloquei esta em que estamos festejando a minha formatura do DAD, festejo ocorrido no antológico Bar do IAB.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Julho, 24.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Meu aniversário e aniversário de casamento.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Festejamos.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Um ano antes no Petropole Tênis Clube casara com a Márcia do Canto. Éramos jovens e cheios de saúde e o manto negro da tragédia já armava seus fios invisíveis, mas nós não sabíamos. A festa foi dentro de uma perspectiva informal. Não houve casamento no religioso apesar das comedidas insistências de meus pais. Eles, no entanto, me respeitaram. O aceite se efetivou. Pagaram a festa. Muitos amigos presentes, uma cerimônia eclética. Simpatizantes da direita e da esquerda na mesma mesa, o que comprova a minha tese que se houver comida, música e bebida a disputa ideológica cede lugar para a solidariedade e a confraternização. Pelo menos, foi o que pensei quando vi sentados na mesa uma multiplicidade de representantes de partidos políticos e concepções de vida tão opostos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Nunca entendi porque resolvi casar no dia do meu aniversário.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Durante a análise, este dia sempre trazia material inusitado e intenso. No dia que eu nasci, minha mãe quase morreu. Uma hemorragia difícil de estancar fez com que ela entrasse em choque devido à perda de sangue. Ela pensou que iria morrer e começou a cantar uma canção saudosa e melancólica. As enfermeiras comovidas saiam da sala para chorar. Eu do meu lado, recém nascido, paradoxalmente não chorei. Fiquei numa mesa de atendimento ao lado de minha mãe, num abandono secular, desde a hora que nasci, às sete horas da manhã de um domingo de 1955, até o final da manhã, quando uma minha tia compadecida com meu desamparo, me deu o primeiro banho passando das onze horas daquela manhã dominical. Surpreende-me até hoje o fato de não chorar, nem ao mesno dormir como costuma acontecer com bebês nestes momentos iniciais da vida. Imagino que, com o rudimento mental que tinha a minha disposição, devo ter inventado alguma coisa para me manter vivo durante àquele lapso subjetivamente milenar de tempo. Gosto de me ver como se estivesse jogando com quase pensamentos para dar conta das fantásticas impressões sensoriais e com a brutal realidade que me cercava e que esqueci. Por isso, até hoje, quando me acossam momentos de vazio assustador, eu logo trato de preencher com &lt;i&gt;mind games&lt;/i&gt;, pois guardo a fantasia que foi naquele abandono primordial que resolvi ser artista e criar algo para que a realidade não me sugasse para o buraco negro absoluto.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Talvez seja este o nosso desafio. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;A vida não existe, tem que ser inventada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Na noite seguinte comunicamos aos nossos pais que eles seriam avós. Fingiram surpresa, mas tudo indicava que eles já estivessem percebido. Antes de dormir, Márcia sentiu pela primeira vez os movimentos do Pedro dentro da barriga.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Na época, ela descreveu como uma batida de asas de borboleta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A noite veio com uma pequena confraternização no apartamento da Getúlio. As duas famílias estavam presentes. As de sangre e o grupo de teatro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Julho, 25.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;i&gt;Teatro Presidente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Reunião com o Jofre Miguel. O cara era todo poderoso. Administrava o Teatro Presidente, um espaço grande com mil lugares. Tentei falar com ele para conseguir uma pauta para a peça. Sabia que era uma ousadia, mas não tinha outra saída. Jofre Miguel remarcou várias vezes as reuniões até desistirmos de pleitear as datas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Alguns anos depois numa conversa com o Gabriel, esse sim dono do teatro, falei que eu tentara datas para estrear o Bailei no Presidente. O velho Gabriel, que era tido como um ranzinza, balançou a cabeça e soltou um palavrão:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Porra, por que não falaram comigo?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Eu quase disse que tentei, mas sabia que era apenas uma desculpa pelas inúmeras vezes que não fomos recebidos. O Teatro Presidente não foi o único teatro a recusar pauta para a estréia do “Bailei na Curva”. No Teatro do Museu do Trabalho fiquei horas tentando convencer o administrador a ceder um pauta. Ele não levou fé. Queria uma peça de projeção para marcar o teatro. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;E ainda teríamos ainda um episódio com o Teatro Renascença que só fiquei sabendo muito tempo depois.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SC817IDr-mI/AAAAAAAAAOQ/kIn--4EbE-s/s1600-h/Hotel+Naciona+todo+mundo.esfera1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SC817IDr-mI/AAAAAAAAAOQ/kIn--4EbE-s/s320/Hotel+Naciona+todo+mundo.esfera1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201435384527714914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Julho, 26.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Reunião com o Geraldo Lopes da Opus as 14:30 horas.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Praia de Belas 2310.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Lúcia Serpa e eu fomos para a reunião com o Geraldo Lopes da Opus Promoções. Estacionamos o carro quase na esquina, muito perto do número 2310 da Praia de Belas. A Opus já era uma produtora de renome, trazia grandes nomes do cenário musical e teatro e fazia produção local dos grandes empresário brasileiros como o Marcos Lázaro e Poladian. O pulo do gato que transformou o Geraldo Lopes num produtor de prestígio nacional foi a vinda da Mercedes Sosa para Porto Alegre. Um evento inesquecível para a cultura e para a democracia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foi a primeira vez que a cantora esteve no Brasil e a apresentação no Gigantinho lotado esteve ameaçada por grupos de ultra direita que ameaçavam explodir o ginásio de esportes. Mesmo sob explosões de efeito moral o show aconteceu e assim iniciou a trajetória da Produtora. Eu já conhecia o Geraldo. Quando atuei numa peça chamada “O Julgamento de Luculus”, e Bertold Brecht com direção de Luiz Eduardo Crescente apresentada numa sala de MARGS, o Geraldo nos deu apoio extra-oficial, pois, na época ele namorava uma das atrizes da peça. Ele conseguiu umas arquibancadas e com elas praticamente criou uma sala de espetáculo além de um sistema de divulgação inédito na produção local. Sabia do que ele tinha feito para a peça, mas não havia falado com ele até então.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SC9TT4Dr-pI/AAAAAAAAAOo/Ept_h3PMucg/s1600-h/Geraldo%26Julio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SC9TT4Dr-pI/AAAAAAAAAOo/Ept_h3PMucg/s320/Geraldo%26Julio.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201467695566682770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Entramos na sala de espera. Não havia com esconder que estávamos constrangidos. Artistas não gostam de pedir, pelo menos na época era assim. Mas a audácia foi grande, bem maior do que a timidez e o orgulho. Este conflito resultou numa cena divertida. Entrei e vi aquele homem pequeno, atarracado, rodeado de telefones e com uma carinha simpática, sempre com um sorriso discreto entre lábios e um olhar atento. Ele silenciou dando assim a palavra para mim. Na hora de falar não saiu palavra alguma da minha boca. O ar sumiu da sala. A recuperação veio aos trancos. Comecei atrapalhado, me desculpando de tomar seu tempo. Disse que ele era muito ocupado, que tratava de produções nacionais e que nosso produto era pequeno. Além da timidez e de entrar num terreno profissional que eu não dominava, ainda percorria meu pensamento a dúvida se tínhamos de fato um produto para a Opus comercializara, pois a peça estava longe de ficar pronta. Tropecei nas palavras até que achei um adjetivo para qualificar o trabalho que me acalmou:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Não é grande coisa, mas tem o essencial.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Essencial, que palavra salvadora. Quando esta palavra saiu dos meus lábios, o ar voltou e eu respirei pela primeira vez. Lúcia no meu lado só olhava enquanto o Geraldo escutava. Fiz uma pausa e o Geraldo falou que, ao contrário do que o pessoal pensa, ele apoiava os trabalhos locais. E que, como se fosse a coisa mais natural do mundo, disse que aceitava a produção. Eu ouvi-o falar, mas não escutei. Já recomposta e com as palvras de volta a minha boca, tomei coragem e insisti, de forma cada vez mais enfática que o teatro local tinha qualidade, que as produtoras tinham que se engajar neste processo. Que produtoras como a dele tinham uma responsabilidade social. Levantei a voz. Eu estava entusiasmado com o meu discurso, revertendo uma situação negativa. Lá no fundo de mim achava que éramos uma causa perdida e isso me deu o alento dos desenganados. Feliz comigo mesmo, parei para ver o efeito da minha argumentação. Percebi que a Lúcia sorria, e, mais ainda o Geraldo olhava para mim, tentando entender onde eu queria chegar. O ápice do meu discurso foi quando, olhei no olho do Geral e, fiz outra pausa e perguntei:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Tu aceita?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Sim, já disse que aceito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Não conseguia acreditar:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Mas tu aceita mesmo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Sim, já falei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Sem entender o que ele falava:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Mas aceita produzir a peça que eu estou dirigindo, essa peça mesmo?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Sim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Finalmente, caindo a máscara, quase deprimido:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Mas nós não somos ninguém.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;Ele debochado completou:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Mas vocês têm o essencial, não tem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;Aí foi a minha vez de falar todos os sims que eu não tinha escutado e vieram em série com ondas do mar:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Sim, sim, sim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Lúcia e eu saímos dali e fomos para o meu apartamento na Getúlio Vargas. Contamos para a Márcia que fizemos a proposta e o Geraldo aceitou na hora. Temos que festejar Opus Promoções vai produzir Bailei na Curva. Abri um licor de chocolate na falta de algo melhor. Bebemos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Num clima estilo Casablanca podia se dizer que a aquele encontro com o Geraldo era o começo de uma grande amizade.&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SC85SIDr-oI/AAAAAAAAAOg/mwqYIlOu9YY/s1600-h/Casablanca,_title.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 336px; height: 131px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SC85SIDr-oI/AAAAAAAAAOg/mwqYIlOu9YY/s320/Casablanca,_title.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5201439078199589506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5385450214163350738?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5385450214163350738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5385450214163350738&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5385450214163350738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5385450214163350738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/05/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (18)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SC83hoDr-nI/AAAAAAAAAOY/bgvUOyal4ko/s72-c/Anivers%C3%A1rio+no+IAB.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5855222819588790933</id><published>2008-04-27T14:42:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:52.161-08:00</updated><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (17)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;br /&gt;Julho, 22.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaiamos das 16 horas até as 19 horas.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Grêmio x Penharol, Libertadores da América&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; Neste período de ensaios Flávio começou a ligar para a Márcia. Ligações seguidas, muitas horas de conversa, voz melosa, clima íntimo. Eu estava na sala dos fundos, escrevendo na Olivetti Lexicon 80 que surrupiara do meu pai, e fui até a sala de estar. Respirar um pouco. A salinha dos fundos era para ser o quarto da empregada, mas se tornara meu escritório. Não tinha uma boa ventilação e a luz era artificial o tempo todo.&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;Precisava de ar e de sol. Parei na janela aberta, olhando o movimento de carros da Getúlio quando percebi que Márcia seguia no telefone. Achei estranho que eles conversem tanto tempo. Percebo que há alguma coisa se esboçando. Um clima. Controlo o ciúme. Será o ele agüentaria toda a barra, Pedro, grana, e tudo o mais. Por um momento imagino que ela vai embora com ele e sinto um alívio. Imediatamente me culpo por isso. Márcia está muito carente. O erro deve ser meu. Por outro lado, nos ensaios, os dois fazendo cenas conjuntas de casais facilita o aparecimento de um clima amoroso. Os atore se entregam as emoções de seus personagens e acabam por assumir tal emoção. Por isso, há tantos casamentos entre parceiros e parceiras de palco. Teatro é um negócio perigoso. Além disso e ao mesmo tempo, este clima latente deixa os dois muito constrangidos na cena. Tínhamos que representar uma cena que descrevesse o momento de morar sozinho, entre o final da adolescência e o início da vida adulta. Momentos de decisão. A saída da casa dos pais, os novos modelos de relacionamento, as dúvidas frente ao casamento e o rescaldo do amor livre dos anos 60, reciclado nos 80.&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;Márcia e Flávio se atrapalhavam. Não consigo terminar a cena e eles não conseguem improvisar.&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;Mando todo o mundo sair da sala de ensaio. Ficamos nós três. Peço que eles improvisem de novo. Pego uma máquina de datilografia da sala ao lado e começo a escrever ao mesmo tempo em que eles atuam. O taque-taque da datilografia anda um pouco atrás da cena. Um tempo certo para a reflexão e estou com eles em cena. Taque-taque das teclas. Vozes exaltadas. Eles discutem até que se faz um silêncio. O taque-taque perde o ritmo. Um na frente do outro e eu na frente da máquina. Levanto a cabeça, vejo os dois parados, olho no olho. Baixo a cabeça e escrevo: diz Paulo não dói. Falo em voz alta. Márcia repete. “Diz Paulo, não dói!”. Taque-taque. Eu te amo. – sugiro, salto no escuro, fala para ela - Eu te amo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ele fala “eu te amo”.&lt;br /&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=PmFNmfqd41k"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elipse do ciúmes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Atores entram nos processos de forma ingênua, brincam com a radioatividade das emoções. Todo grande ator é tomado pela personagem de tal modo que freqüentemente se confunde. No nosso processo tal confusão se prestava ainda mais, pois as personagens eram extraídas de nós mesmos e não sendo exatamente nós, poderiam ter sido ou acontecido, pois se inseria no rol de possibilidades que cada um carrega dentro de si.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um beijo sela o desfecho da cena. Achei o final da cena e resolvi um problema conjugal sem precisar discutir a relação. Aguentei no osso com um futebolzinho para suportar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBT24p48VII/AAAAAAAAANA/rrLJ42ssWkM/s1600-h/time_2final.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194047723442820226" style="margin: 0px auto 10px; display: block; cursor: pointer; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBT24p48VII/AAAAAAAAANA/rrLJ42ssWkM/s320/time_2final.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na mesma noite, assisti primeira partida da final da Taça Libertadores da América, Grêmio, da Azenha, enfrentando o Penharol do Uruguai,&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;no apartamento da Getúlio Vargas. Os vizinhos da frente são uns colorados fanáticos. Eu era meu costume gritar quando o Grêmio fazia gol, pois me incomodava um pouco este tipo de invasão. O Grêmio saiu ganhando com gol de Tita de cabeça e eu, como de costume, não vibrei. No segundo tempo, gol de Fernando Morena, do Penharol e tive que escutar uma gritaria da vizinhança. O Grêmio suportou uma tremenda pressão, mas veio com um empate. Fiquei calado, daqui a sete dias, a finalíssima seria em casa, Porto Alegre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em algum momento, os ventos teriam que soprar a meu favor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Julho, 23.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Ensaiar uma reunião dançante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Levei para o ensaio uma eletrola portátil que liga puxando o braço para fora. Mais minha coleção de compactos e todos os discos dos Beatles que eu tinha. Muitos amealhados sorrateiramente dos meus irmãos mais velhos e outros que apareciam lá em casa esquecidos depois de algumas reuniões dançantes. Regina, Claudia e Márcia levaram uma boa quantidade de figurinos. Ligamos a eletrola e nos vestimos. Flávio colocou a calça boca de sino de veludo bordô do irmão da Márcia e uma camisa cacharel.&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;Márcia vestiu uma mini-saia e o Hermes falou:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- É a Betiranha! – Assim o nome da personagem do conto de Júlio César Monteiro Martins entrou na peça. Poderia ter mudado para Katiranha, Luciranha, Lecaranha. Mas seria sempre uma Betiranha. Ficou. Anos depois conheci Júlio César Monteiro Martins no rio de Janeiro. Ele assistiu a peça. Ele me deu um livro de presente e na dedicatória fala dos pequenos plágios. Um pouco de mágoa, mas também um pouco de admiração. Mútua.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;E assim, passamos todos o ensaio dançando e se vestindo. Tínhamos aí o Torugo, a Betiranha e a cena de reunião dançante. Mais uma vez, não houve ensaio. Foi mais uma vivência. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Este tipo de exercício foi o grande propulsor do processo e também a grande dificuldade nos anos seguintes. Nossa virtude é nossa desgraça. Como o resultado surgiu aparentemente muito fácil, parecia que se tratava de uma conquista sacramentada. Parecia que tinha sido fácil e que o resultado só dependia de aplicar uma forma. Além do fato de&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;ainda sermos muito verdes para alcançar o objetivo alcançado, em tudo o acontecido superava o esperado. Levamos anos absorvendo os resultados do “&lt;i&gt;Bailei na Curva&lt;/i&gt;”. Invariavelmente todos do elenco tiveram crises criativas e ou se afastaram definitivamente ou temporariamente do teatro. Sem contar que se criou a ilusão que todos criaram a peça independente dos outros. Ganhamos na vivência, mas perdemos na reflexão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5855222819588790933?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5855222819588790933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5855222819588790933&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5855222819588790933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5855222819588790933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/04/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_27.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (17)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBT24p48VII/AAAAAAAAANA/rrLJ42ssWkM/s72-c/time_2final.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-6660439877712390819</id><published>2008-04-26T09:55:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:53.330-08:00</updated><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva (16)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBNpm548VGI/AAAAAAAAAMw/NGs2NT5mt0M/s1600-h/Ana%26Gabri%2BPedro.2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBNpm548VGI/AAAAAAAAAMw/NGs2NT5mt0M/s320/Ana%26Gabri%2BPedro.2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193610912383915106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Junho, 25.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;TV.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Assistimos a entrega do Prêmio do Festival Universitário pela RBS TV. A música começava a decolar e alinhavava uma trajetória própria. Elaine Gaissler apresentou a música no projeto Unimúsica e foi um sucesso. Uma gravação com arranjo muito popular&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;e na voz de Elaine popularizou a canção.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mesmo sem disco na praça foi a mais pedida de muitas rádios e era sempre usada na divulgação do espetáculo. A peça carregava a música e a música alavancava a peça. Um casamento perfeito. Ainda no final daquele ano foi gravado um show musical onde tocaram os melhores músicos do Estado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Flávio, ainda um desconhecido, fechava o programa que foi apresentado na programação de virada do ano seguinte. Haviam belas tomadas áreas onde desfilavam as ruas de um porto não muito alegre. Completaria o circulo da música num clipe feito pelo Gilberto Perin para o programa Fantástico. Horizontes se abriam para bailar pelo Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBN8jp48VHI/AAAAAAAAAM4/S1ChRTi8DjA/s1600-h/elaine_geissler3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBN8jp48VHI/AAAAAAAAAM4/S1ChRTi8DjA/s320/elaine_geissler3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193631747270268018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Junho, 29, quarta-feira, dia de São Pedro.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Iniciamos os ensaios diários do “Bailei na Curva”.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Com o avançar do processo surge a necessidade de uma freqüência maior de trabalho. Os espaços dentro da Faculdade estão cada vez menores. O Flávio ficou de conseguir um lugar na ABIPEX. Era um escritório desativado de oficiais do Exercito emprestado graças a tráfico de influência do Ubirajara, pai do Flávio. Marcamos a reunião. Entro numa sala de pouco mais de trinta metros quadrados. Mínima para ensaios. Única vantagem é que tem uma sala contígua com máquina de escrever e escritório e, na sala principal, duas portas em cada extremo da parede o que pode simular as saídas.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O resto é péssimo. Úmida, pouca luz e sufocante. Reclamo das condições e, com isso, Flávio se irrita. Alguém impede que a briga tome proporções maiores. Tenho que planejar de forma específica toda a concepção das cenas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Apesar destes problemas, as férias da Faculdade começaram e eu tinha ainda mais tempo livre. Aqui inicia a grande virada do processo de ensaios.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Sabia que teria trinta dias para terminar a peça. E passamos a trabalhar dois de ensaios. O terceiro turno eu usava para escrever a peça. Já tinha feito vários esboços, mas sempre com vergonha de mostrar. Já tinha escrito as famílias. Imperativo era aprofundar cada vertente social. Uma família representando a ideologia militar. (Experiências do Flávio). Outra de empresário, ricos de direita e apoiadora do golpe (minha família). A família de intelectuais de esquerda (da Márcia e da Claudia). A família de classe mais baixa, ligada ao operariado e simpatizante do movimento trabalhista e a classe média bem média representada por alguém ligado ao funcionalismo ou a pedagogia de base (Hermes e Regina). Tinha na minha mente estas cinco vertentes. Não dá para dizer se foi uma coincidência ou apenas uma amostragem estatística que calhou o fato de que cada um dos integrantes do grupo mais perto ou mais longe tinha, de um modo ou de outro, uma ligação com estas vertentes. O fato era que estávamos frente a uma indedibilidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Imaginei praticáveis, maiores, menores, altos e baixos que corresponderiam as classes sociais e definiriam os espaços cênicos ao mesmo tempo que viabilizariam ensaiar naquele espaço diminuto da ABIPEX.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um novo eletro e finalmente as convulsões do Pedro estavam sob controle. A mudança da medicação fez efeito. Agora é esperar que ele evolua. Levei Pedro para passear na Praça Israel. Com um olho brinco com ele, com outro observo outras crianças. A luminosidade de Porto Alegre nesta época do ano chega a constranger o meu olhar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBNh-p48VCI/AAAAAAAAAMQ/Liw6kjYbpXU/s1600-h/chefotofamosa2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBNh-p48VCI/AAAAAAAAAMQ/Liw6kjYbpXU/s320/chefotofamosa2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193602524312785954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Julho, 14.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Grupo da Caixa Econômica&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ensaios Bailei.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;Hermes falta vários ensaios em seqüência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent3"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ensaios com o pessoal da Caixa Econômica nas quintas e sextas. Em agosto teremos ensaios nos sábados.&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ensaio do Bailei nos outros dias: segunda, terça, quarta, sábado e domingo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Hermes faltou o ensaio. Fico muito irritado. Os atores me olham. A frustração quando se planeja um ensaio e alguém falta é muito grande. Nestas horas se percebe o amadorismo do nosso teatro. Os resultados são muito além das condições para que eles ocorram. Hermes não é de faltar ensaio, pelo contrário, é um ator muito compenetrado e obstinado. Porém, vem faltando. Tenho na minha cabeça entre aquelas crianças que 64 brincavam na rua, um deles tem que morrer. Ainda não havia decidido qual, quando a seqüência de faltas do Hermes aconteceu. Ele deve ser o cara que vai para a guerrilha, ele será nosso mártir, o herói da peça se apresenta através da falta. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pedro desapareceu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando que o nome une o personagem ao meu filho, levo um choque. Eu decidi a morte e ela se apresenta sob a forma de Pedro. Duplo impacto.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Julho, 21.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Não dei curso.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Preciso de um tempo para pensar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dormi mal pensando no Pedro morto. As imagens se mesclam, Pedro-Hermes e Pedro Conte, unidos pelo acaso. Insônia. Falta de ar, tenho uma crise se asma. Passo a noite lendo o Diário de Che Guevara. Seus últimos momentos na La Higuera, onde perdeu as botinas, dispnéico, faminto e cercado. Bichos caçados de noite e de dia. Ele também tinha asma.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Leio um conto do Júlio César Monteiro Martins. O clima dos contos dele é uma referência para a peça. Num dos ensaios levo para o elenco e leio. J.C. Monteiro Martins é um contista da nova geração e tem a mesma idade que eu. Não está, por isso, isento dos atos da ditadura, embora, assim com eu, não tenha sido protagonista de ações heróicas. E é justamente isso que me interessa. Uma vida comum que viu um Brasil ser encarcerado e não percebeu. Vai saber vendo a peça. O teatro purgando esse grande furúnculo da cegueira coletiva, a omissão. Última cena: após a leitura do texto do J.C.Monteiro Martins entra a música do Flávio Bicca em play-back. Atores começam a entrar em cena como se estivessem na Rua da Praia ou na Redenção, atravessam a cena. Um grupo faz teatro na rua contando uma história do Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Passei o resto da noite acossado pelas exigências do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBNmYZ48VFI/AAAAAAAAAMo/AdMaXCRtNTY/s1600-h/pedro%26d.elvira.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBNmYZ48VFI/AAAAAAAAAMo/AdMaXCRtNTY/s320/pedro%26d.elvira.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193607364740928594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elipse que a insônia não viu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A noite mal dormida, encobriu um pedaço significativo da cosntrução do Bailei.  Mal sabia que estava frente a cena mais emblemática da peça. Naquele momento era apenas um irritação de um lado e excesso de trabalho de outro. Tinhamos um hiato narrativo e a cena que só realizaria no mês de setembro quando, na mesma noite, improvisamos a cena quando Pedro sai de casa e cai na clandestinidade e o encontro da Ana, a namoradinha de infância de Pedro, com Dona Elvira, mãe de Pedro. Faltando em seqüência, Hermes Mancilha, estava se transformando no personagem principal da peça. Mas naquela hora ninguém sabia, nem podia imaginar. Um luminusidade obscura nos conduzia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nosso mérito é que seguiamos a escuridão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-6660439877712390819?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/6660439877712390819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=6660439877712390819&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6660439877712390819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6660439877712390819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/04/junho-25.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva (16)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SBNpm548VGI/AAAAAAAAAMw/NGs2NT5mt0M/s72-c/Ana%26Gabri%2BPedro.2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-6376996114199515180</id><published>2008-04-14T14:47:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:53.643-08:00</updated><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (15)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SAPRiytUprI/AAAAAAAAAK8/1WfjXBkjP6I/s1600-h/FestivalHorizonte.inclinado.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SAPRiytUprI/AAAAAAAAAK8/1WfjXBkjP6I/s320/FestivalHorizonte.inclinado.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189221591318570674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Maio, 10.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Flávio chega no ensaio com um gravador cassete. Diz que tem uma coisa para mostrar. No palco Hermes se aquece. Claudia está mudando de roupa. Márcia conversa com a Regina na primeira fila do Auditório Tasso Correa. Eu estou com uma imensa folha de desenho onde estão anotadas as cenas programadas numa coluna e noutra os eventos de época. Flávio aperta o &lt;i&gt;play&lt;/i&gt;. A música começa a tocar. &lt;i&gt;Há muito tempo que ando&lt;/i&gt;. Tudo pára. &lt;i&gt;Nas ruas de um porto não muito alegre&lt;/i&gt;. Regina se aproxima. &lt;i&gt;E que, no entanto me traz encantos&lt;/i&gt;. Hermes pára de se exercitar e Claudia se apóia no palco. &lt;i&gt;Um por de sol me traduz em versos&lt;/i&gt;. Flávio observa cada um. &lt;i&gt;De seguir livre, muitos caminhos, arando terra bebendo vinho&lt;/i&gt;. Márcia apóia os cotovelos no proscênio. &lt;i&gt;De ter idéias de liberdade. &lt;/i&gt;Me deu uma vontade de chorar. &lt;i&gt;De ver amor em todas idades. 64, 66, 68 mau tempo talvez, anos 70 não deu pra ti e nos 80 eu não vou me perder por aí&lt;/i&gt;. Se fosse um filme, poder-se-ia dar um super close em cada um e teríamos o retrato emocional do grupo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;O Hermes, sempre tão sardônico, quebrou o clima dizendo:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;O jingle da peça já está pronto. Agora só falta o texto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Rimos. A ironia na hora certa nos salvou do melodramático.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Foi neste meio dia que eu levei vários livro de contos para pesquisa. Li para o grupo um texto do Júlio César Monteiro Martins. O título era muito bom: Sabe quem dançou? Falei para o pessoal que este seria um título que eu usaria se a idéia fosse minha. Hermes, de novo, certeiro e mordaz, falou:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Então põe aí Bailei na Curva Ui Ui Ui Bem Feito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;Rimos novamente. Foi de comum acordo que se decidiu que Bailei na Curva era ótimo, mas que era melhor deixar para lá o&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;“ui ui ui bem feito”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;            Fumaça branca: &lt;i style=""&gt;habemos título&lt;/i&gt;!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Maio, 16 até 28 de junho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Faculdade de Medicina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Foi um período de provas. Patologia IV, Cirurgia Pediátrica, Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica. Nesta tirei a minha melhor nota, 9,5. No dia da prova o Careca como era conhecido e depois Dr. João Carlos Schelletti quis me ajudar numa questão em todo o mundo tomou errou. Era uma técnica para pessoas com escaras de decúbito. Lesionados, paralisado, por permanecerem na cama muito tempo acabavam tendo escara que era de difícil tratamento. O procedimento consistia numa amputação da perna e um reaproveitamento das artérias de membro inferior e dos músculos formando um almofadão que impedia as escara. Como era um tema que eu tinha contado direto, Pedro tivera várias escara, meu interesse pelo assunto e meu espanto pela violência do tratamento, acertei a questão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Flávio avisou o elenco que inscrevera a música para o 3º Festival Universitário de Música Popular Brasileira. Era uma tentativa de reviver o clima de festival. Ninguém aprovou nem desaprovou. Era uma decisão dele. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Alternei as noites entre o curso para o pessoal da Caixa e ensaios até o dia 29.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Junho, 18.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Festival Universitário no Salão de Atos da Reitoria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Flávio Bicca&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Rocha apresentou a música Horizontes no 3º Festival Universitário de Música Popular Brasileira. Foi na última noite da eliminatória. E se classificou para a final.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Junho, 19.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Finalíssima do Festival.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Flávio tocou e cantou muito bem e a regência do maestro Arlindo Teixeira estava brilhante. Uma introdução de violinos maravilhosa. &lt;i&gt;Horizontes&lt;/i&gt;, música tema do Bailei na Curva, ficou em primeiro como Música Mais Popular – Prêmio Secretaria de Turismo – RS e, em terceiro pelo júri formado por Celso Loureiro Chaves, César Dorfmann, Geraldo Flach, Jerônimo Jardim, Ivan Fetter, Kim Ribeiro, Nei Lisboa e Sergio Napp. Foi uma festa. Carregamos o Flávio Bicca nos braços até o palco.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Ele recebeu o prêmio e deram a palavra para ele. O elenco todo gritava para que ele fizesse propaganda da peça. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;- Esta música faz parte de uma peça que vai estrear no Teatro do IPE. O nome da peça é... Como é mesmo o nome da peça?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Ele simplesmente esquecera o nome da peça. Coisas de Bicca.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Comprou uma TV 14’ polegadas de prêmio.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SAPSCytUpsI/AAAAAAAAALE/hzCUVh9bzSo/s1600-h/horizontes.22.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SAPSCytUpsI/AAAAAAAAALE/hzCUVh9bzSo/s320/horizontes.22.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189222141074384578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Junho, 20.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Plano do ensaio.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Rabisco lateral&lt;i&gt;: Não sei o que fazer. Levo o exercício da Cena Cantada (Viola Spolin) para ver o que acontece. Rabisco lateral: Não estou lavando fé que dê em alguma coisa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;O enunciado é bem simples. Apresentei a situação. Este tipo de exercício seria especialmente difícil para mim, pois eu perco o ritmo das músicas e não sei se o andamento está certo. Mas para o grupo é fácil. Definimos o &lt;i&gt;quem&lt;/i&gt; (personagens), o &lt;i&gt;onde&lt;/i&gt; a cena ocorre e &lt;i&gt;o quê&lt;/i&gt; eles estão fazendo. A saio do palco para que eles improvisem. Um segundo antes de começara, como quem se lembra de um detalhe sem importância, digo que eles não podem falar, só cantar. Qualquer fala tem que ter uma melodia inventada na hora. O resultado é bem divertido. Fizeram cenas do cotidiano de um colégio. Um fato chama a atenção: os temas musicais se alternam entre religiosos e operísticos. No final me ocorre que um tema divertido seria uma aula da educação sexual sob um tema musical religioso. Eles improvisam e o resultado é muito engraçado. Não anoto alguma coisa e peço para o Flávio pensar em musicar algo na cena. Durante os comentários, rimos bastante e, num clima informal, inventamos mais uma série de piadas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Junho, 21.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Flávio chega no ensaio com a cena da Educação Sexual escrita. Marco a cena. Muito bom.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Junho, 22.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Um elemento que alimenta o personagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Cada ator deve trazer um elemento da sua infância para o personagem. É um trabalho com a memória emocional. Todos nós carregamos uma espécie de souvenir emocional de pequenos objetos que, apesar de parecerem desprovidos de importância, são portadores de um manancial intenso de emoção. Néco trouxe uma funda. Márcia consegui um para de Conguinhas compradas na Voluntários. Hermes veio com uma bolinha de tênis e o Flávio veio com um carrinho de lomba. Vibração geral. No Auditório Tasso Correa tem um corredor centrar com um pequeno declive que acompanha a inclinação da platéia. Um&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;carrinho de rolimã desceu e subiu centena de vezes o corredor, enquanto a bolinha e a funda passavam de mão em mão no palco. Não houve ensaio. Foi uma vivência. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Este tipo de ensaio fez com que cada um de nós se superasse e fosse melhor do que nós éramos. Cada pequeno detalhe da peça acabou sendo investido de uma história. O carrinho de rolimã, a funda, a conguinha e muitos outros detalhes formaram um universo paralelo, pois cada elemento, por mais simples a banal que fosse, tinha um mundo submerso por trás. Este universo paralelo que atravessa a obra é que determina o mais além da criação. Há algo que nos transpassa e nos expande. No caso do Bailei a criatura fez de nós melhores criadores. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-6376996114199515180?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/6376996114199515180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=6376996114199515180&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6376996114199515180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6376996114199515180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/04/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_14.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (15)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/SAPRiytUprI/AAAAAAAAAK8/1WfjXBkjP6I/s72-c/FestivalHorizonte.inclinado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-2091085830854459260</id><published>2008-04-05T13:21:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:54.404-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sonia Coppini'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (14)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R_fh2NsuTUI/AAAAAAAAAJQ/4an_tG6y8Rk/s1600-h/critica+NPMQD+CH.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R_fh2NsuTUI/AAAAAAAAAJQ/4an_tG6y8Rk/s320/critica+NPMQD+CH.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185861817446845762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aqui a crítica do Claudio Heemann publicada no dia 6 de abril de 1983, antes da temporada na Assembléia Legislativa. Claudio, memorável e saudoso crítico - como era bom quando se tinha um - assistira a peça no Teatrinho do DAD no final de 1983 e a pedido só liberou a publicação porque teríamos uma nova temporada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 22.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio com Lúcia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Trabalhei com a Lúcia que entraria no lugar da Sônia Coppini. Minha idéia era de usar a Claudia Accurso na peça que já estava ensaiando o “&lt;i&gt;Bailei na Curva&lt;/i&gt;”. Mas a Lúcia Serpa sabia todo o texto, pois havia operado o som durante as temporadas anteriores e optamos por ela em comum acordo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Mais tarde a Lúcia entraria no “&lt;i&gt;Bailei na Curva&lt;/i&gt;”, primeiro como produtora executiva e depois como atriz.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Sônia Copinni no Não Pensa. Por causa dela foi agregado uma frase do Raul Seixas no texto:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;- Sonho que se sonha junto é realidade.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;- Isso é sonho.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;- Por isso o nome dela é Sônia.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R_fjG9suTVI/AAAAAAAAAJY/F298vyNgzuc/s1600-h/Cena+Improvisa%C3%A7%C3%A3o1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R_fjG9suTVI/AAAAAAAAAJY/F298vyNgzuc/s320/Cena+Improvisa%C3%A7%C3%A3o1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185863204721282386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Tentei estudar Patologia V, mas foi impossível. Quase tentei o suicídio. Ainda bem que o ensaio chegou. Fui até o Instituto de Arte. Sabia que precisava desenvolver os personagens para coloca-los na situação dramática. Organizei um plano para o ensaio: aquecimento corporal, jogos de integração. Criar um animal. Na imitação extrair características essenciais do bicho. Segunda fase: aproveitar a imitação e as características extraídas do animal e transformar em traços humanos de modo a moldar o corpo e os modos de pensar aproveitando a alma do animal. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Anotado depois do ensaio: &lt;i&gt;Regina fez um papagaio muito chato. Talvez dê para aproveitar se conseguirmos&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;construir uma menina muito pentelha, mimada, com este material.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;O Flávio fez uma garça maravilhosa. Muito engraçado. Depois ele falou que já tinha feito este mesmo exercício com a Maria Helena Lopes para os Reis Vagabundos. Não vejo como aproveitar a garça do Flávio. Talvez em algum pai. Mas já se via o talento cômico do Flávio pedindo passagem com toda a sua força criativa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Irônico é que a garça que era boa não entrou na peça e o papagaio que era ruim gerou a chatice da Ruth.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 23, sábado.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Estudei Neurocirurgia.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Não houve ensaio.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Abril, 24, domingo&lt;/b&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Estudar.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio com Lúcia.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Estudei Neuro e Pato de manhã e ensaiamos com todo o elenco à tarde. Lúcia entrou super bem na peça. Já sabia todo o texto e tem um talento impressionante. Uma força cênica rara.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R_fkWNsuTWI/AAAAAAAAAJg/HnlsfCbG7ho/s1600-h/Lucia+no+NPMQD.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R_fkWNsuTWI/AAAAAAAAAJg/HnlsfCbG7ho/s320/Lucia+no+NPMQD.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185864566225915234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 25.&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;    &lt;/span&gt;          &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Prova de Neuro e Pato.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio no IA.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Ensaio a noite numa sala muito pequena do Instituo de Artes. Como não havia muito espaço para realizarmos exercícios físicos, propus que falássemos sobre nossas experiências. Uma espécie de &lt;i&gt;brainstorm&lt;/i&gt; emocional. A idéia era que o teatro estava afastado demais da vida das pessoas e com o “Não Pensa Muito” e o sucesso de School’Out, percebera que as pessoas queriam, mais do que tudo, ver suas vidas no palco. Por isso, sugeri os relatos com uma forma de pesquisar no ator emoções e sentimentos que facilitassem o processo de identificação com o público. O elenco começou a falar. Quando a boca se abre sempre diz mais do sujeito do que supõe nossa vã racionalidade. Um dos atores começou falando de sua primeira sexual, com meninos. A intimidade incomoda. Fiquei sem saber o que dizer. Não era por aí que eu tinha planejado. De repente, outro ator, começou a falar da sua primeira vez uma mulher. Uma mulher mais velha onde a cena tinha detalhes romanescos altamente sedutores, mas mais pareciam uns textos do José de Alencar. Sabia que ele não tinha a mínima atração por mulheres. Interrompi os relatos e terminei o ensaio sem fazer as improvisações. Não era por aí que iria seguir o processo. Na verdade a vida da gente, apesar de ser a fonte da criação, é muito menor do que qualquer coisa que o sujeito cria. E a criação, por sua vez, é que há de melhor em nos mesmos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 28.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio geral do “Não Pensa” na Assembléia.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Ensaio com tudo. Tivemos que conseguir seis banquinhos, duas mesas e um cubo. Figurino da Sônia para a Lúcia. Precisávamos de uma rotunda preta. Compramos pano e a Regina e a mãe dela costuraram. Um trabalho absurdamente pesado, transformar tecido preto, cortado em tiras, numa rotunda. Para quem não sabe rotunda é um tipo de cortina que se usa no fundo do palco. Tinha 8 metros por 4. Uma coisa quase absurda de costurar. Aquela rotunda serviu durante anos para montarmos o palco em cada cidade do interior durante as viagens do Bailei. Com ela, mais as pernas pretas – panos colocados nas laterais – podíamos montar um palco em qualquer espaço desde cinema, passando por auditório e até mesmo em ginásios. Um trabalhão da Regina e da mãe dela, mas valeu a pena.&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 29.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Estréia do “Não Pensa Muito Que Dói” na Assembléia.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Estudei Traumato-ortopedia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Maio 2, 3, 4.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Estudei para a prova de Anestesia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;Um único comentário: haja saco!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Maio, 6, sexta-feira.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;“Não Pensa Muito” na Assembléia, segunda semana.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Tive que aprender a técnica de traqueostomia e comprar luvas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R_fmAdsuTXI/AAAAAAAAAJo/7PHvRnzHxcM/s1600-h/traquos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R_fmAdsuTXI/AAAAAAAAAJo/7PHvRnzHxcM/s320/traquos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185866391587016050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;A peça na Assembléia não teve a mesma repercussão que dentro da Universidade. Um público atento e fiel mas que estranhava a realidade do meio teatral. Percebi que havia algo faltante no processo identificatório e por isso o impacto da peça era menor do que o esperado. Faltava as experiências em comum que possibilitavam uma integração entre público e espetáculo. O universo restrito colocava o texto no mesmo grau de distanciamento de outros espetáculos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Lição número um: para o próximo trabalho teria que achar pontos de contato mais efetivos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Maio 8, domingo.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Encerramento da temporada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-2091085830854459260?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/2091085830854459260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=2091085830854459260&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2091085830854459260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2091085830854459260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/04/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (14)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R_fh2NsuTUI/AAAAAAAAAJQ/4an_tG6y8Rk/s72-c/critica+NPMQD+CH.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-3359679926230295187</id><published>2008-03-29T04:42:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:55.106-08:00</updated><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (13)</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 20.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Estudar com o Marcelo Goldani.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Reunião com Flávio Bicca. Ele me convida para fazer uma música.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;No meio de um monte de gente careta e que só se preocupava em se preparar para a prova de Residência Médica encontrei dentro da Faculdade de Medicina o Marcelo. Um cara especial. Visão de mundo ousado, cheio de coragem e de idéias originais. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;Cazuza, vamos pedir piedade para essa gente careta e covarde.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Flávio Bicca chegou no meu apartamento da Getúlio Vargas esquina com Rodolfo Gomes depois do jantar. O violão debaixo do braço, olhos vibrantes. Falava que tinha tido uma visão da peça e queira traduzir isso numa música. Acordes iniciais. Falei que já conhecia aquele som. Ele disse que era inspirado no Gilberto Gil e no Bob Marley, só que noutro ritmo, noutra harmonia. &lt;i&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;Women No Cry&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="" lang="EN-US"&gt;. &lt;/span&gt;Ele cantarolou algumas coisas e no meio apareceu:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;64, 65, 66...&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Isso é bom. Vai por aí – eu falei.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Ele insistiu:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Júlio, vamos fazer esta música juntos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Não tenho idéia – respondi. – Mas vai por aí, esta idéia de uma seqüência de anos como refrão pode ser muito legal.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Algum tempo depois ele iria aparecer com a música Horizontes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-_yB9suTQI/AAAAAAAAAIA/0atS9sZuVUY/s1600-h/Fl%C3%A1vio+Bicca+Rocha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-_yB9suTQI/AAAAAAAAAIA/0atS9sZuVUY/s320/Fl%C3%A1vio+Bicca+Rocha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183627811682667778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;pre&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há muito tempo que ando&lt;br /&gt;Nas ruas de um porto não muito alegre&lt;br /&gt;E que no entanto, me traz encantos&lt;br /&gt;E um pôr-de-sol me traduz em versos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De seguir livre, muitos caminhos&lt;br /&gt;Arando terras, provando vinhos&lt;br /&gt;De ter idéias de liberdade&lt;br /&gt;De ver amor em todas idades&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci chorando, Moinhos de Vento&lt;br /&gt;Subir no bonde, descer correndo&lt;br /&gt;A boa funda de goiabeira&lt;br /&gt;Jogar bolita, pular fogueira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sessenta e quatro, sessenta e seis&lt;br /&gt;Sessenta e oito, um mau tempo talvez&lt;br /&gt;Anos setenta, não deu pra ti&lt;br /&gt;E nos oitenta eu não vou me perder por aí&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou me perder por aí&lt;br /&gt;Não vou me perder por aí&lt;br /&gt;Não vou me perder por aí&lt;/span&gt;&lt;/pre&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 21.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Feriado de Tiradentes&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Aniversário do meu pai.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio no CPERGS&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-_yo9suTRI/AAAAAAAAAII/pgze6bx2Z7c/s1600-h/85+anos+do+Pai+056.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-_yo9suTRI/AAAAAAAAAII/pgze6bx2Z7c/s320/85+anos+do+Pai+056.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183628481697565970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ele sempre se vangloriou que o ferido de Tiradentes era um pretexto para o seu nascimento. Almoço em família, muito riso, vinho e, invariavelmente, discussão política. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Depois da massa, vinho e brigas, nada melhor do que uma sala de ensaios.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Elenco da peça: Cláudia, Néco, Flávio, Regina, Hermes, Márcia, Júlio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;          &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Roteiro provisório, mas já evoluído, para o ensaio a tarde no CPRGS&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;Cena 1: família do militar.&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;Cena 2: Família do comunista.&lt;/span&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;Cena 3: Parada no ônibus.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;Cena 4: Família do médico.&lt;/span&gt; &lt;i&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;br /&gt;Cena 5: Crianças a noite.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Conseguimos CPRGS para ensaiar. Um salão enorme. Improvisamos a cena da casa do comunista. Mãe queimando livros. Lembrança trazida pela Cláudia. A mãe dela queimando livros nos fundos da casa. O personagem do Flávio se chamava Chiquinho e só depois o transformei em Paulo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um ensaio meio estranho, faltando muita gente. Aproveitei um dos meus exercícios preferidos da Viola no qual o ator 1 entra em cena e através da relação com o ator 2, tem que descobrir quem ele é. A identidade está no vínculo. O ator 1&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;tem que integrar a informação nova trazida pelo ator 2 como se ela sempre existisse. Foi neste dia que apareceu o nome de Pedro para o personagem do Hermes. A Márcia estava improvisando (ator 1) e Hermes (ator 2) se apresentou para ajuda-lo. Revelou-se a identidade: eram irmãos. Falou seu nome para ela: Pedro. Márcia sorriu carinhosa. E foram o dois a brincar com se tivessem passado toda a vida juntos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Um fato, uma espécie de coincidência, embora no meu íntimo, por formação e intuição não acredite nelas, chamou a atenção de todo o grupo. Já alinhavara várias cenas de famílias em exercício que ainda não mostrara para o grupo. Foi um tipo de improvisação textual que eu fazia antes e depois dos ensaios.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Imaginava que através delas se conseguiria desenhar um quadro do movimento das idéias. Porém, quando começamos a conversar sobre nossas famílias e sobre as experiências das quais poderíamos extrair dramaturgia a coincidência se manifestou. Dentro do grupo tínhamos uma amostra muito fiel das forças vivas que geraram e sustentaram o golpe militar. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;O Flávio era filho de militar. Em 64 seu pai vivia de prontidão no quartel e naqueles dias de março passou semanas sem aparecer em casa. Um dia veio para almoçar. Estava com uniforme de instrução e bastante nervoso. Não deu muita atenção para os filhos e voltou para o quartel. Serviu de base para a primeira cena da peça.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Claudia, filha do economista, Cláudio Acursso,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;trouxe sua experiência no exílio, a viagem sem sentido e a perda dos coleguinhas de aula. Certo dia, chegando do colégio flagrou sua mãe queimando livros. Ele era professor da Universidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Hermes vinha das classes populares. Morava em Canoas, sua família vivia num meio cultural pobre e ele muito cedo se viu trabalhando em eventos dentro dos Sindicatos. Olhando o meio em que se criou, ninguém apostaria que se fosse se tornar um artista. Mas ele foi. Hoje na Casa de Cultura Mario Quintana tem uma sala em homenagem a ele.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Regina era oriunda de uma classe média baixa. No palco era uma atriz maravilhosa, sustentava uma tensão dramática como poucas que eu conheci. A vida familiar, por outro lado, era marcada pela incompreensão dos pais. No entanto, é da mãe da Regina um dos consolos mais singelos que já vi. Foi durante uma das brigas dentro do grupo e na iminência de uma dissolução. Regina estava chorando no seu quarto quando a mãe entrou. Perguntou o que estava acontecendo. Regina falou das brigas e da possível separação. A mãe dela falou com uma bondosa ingenuidade:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;- Minha filha, os Beatles que são os Beatles se separaram...&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Regina riu. Mas riu muito. Talvez uma das ouças vezes que sua mãe a fez gargalhar. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Márcia era filha de médico, político e comunista. O ambiente na casa dela ela sempre efervescente e estimulante. Quando estava começando meu namoro com a Márcia, ela interrompeu um clima animado e falou em tom grave:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Júlio, preciso te falar uma coisa. Meu pai...&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;O que tem ele?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Ela olhou para os lados buscando algum microfone escondido, clima de suspense. Fiquei tenso pensando no que seria.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Ele é do Partidão – ela falou.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Ah, eu já sabia. Eu até já votei nele.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Meu pai representava o pensamento conservador da direita. Empresário apoiava os movimentos militares para manter a ordem. Sempre muito apocalíptico previa um desastre a cada notícia. Quando do golpe militar, brincamos na Dario Pederneiras e foi a primeira e única vez que as turmas que estudavam a tarde e as da manhã puderam brincar num dia de semana. A tarde, no entanto a incerteza da situação política se agravou. Houve uma debandada. Cada um para sua casa e o clima mudo radicalmente. Entramos no Simca Chambord e fugimos para Forqueta. Eu entrei no carro a contragosto. Resmungando e reclamando, pois tinha sido uma das manhãs mais divertidas da Dario Pederneiras de todos os tempos. Minha irmã chegou no meu lado e disse:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Júlio, nem um pio que teu pai está muito nervoso. Ele está fugindo da morte.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;        Palavras que aparecem na cena da casa do Caco. Anos depois, meu sobrinho Tiago Conte, filho da mesma Salete que falou está frase, interpretava o personagem.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-4tidsuTPI/AAAAAAAAAH4/sroY8aS94GQ/s1600-h/DSC01333.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-4tidsuTPI/AAAAAAAAAH4/sroY8aS94GQ/s320/DSC01333.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183130291261033714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Aqui minha irmã Salete e seu filho, meu sobrinho, Tiago que tinha cinco anos e assistiu o Bailei de forma clandestina em 84 e fez o Caco nos anos de 2001 em diante e participou da milésima apresentação. Veja a placa ao fundo,&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-3359679926230295187?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/3359679926230295187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=3359679926230295187&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/3359679926230295187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/3359679926230295187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_29.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (13)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-_yB9suTQI/AAAAAAAAAIA/0atS9sZuVUY/s72-c/Fl%C3%A1vio+Bicca+Rocha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-1205755275829589915</id><published>2008-03-25T15:31:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:56.744-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nei Lisboa'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (12)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-wDENsuTGI/AAAAAAAAAGs/9l_Ocsc36dk/s1600-h/1992neilisboaeuvisitoestrelasbmp.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-wDENsuTGI/AAAAAAAAAGs/9l_Ocsc36dk/s320/1992neilisboaeuvisitoestrelasbmp.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182520642128202850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 14.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Nei Lisbônus.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Andradas, 6° andar, Caixa, 19 horas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;O&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Café do Chinês era um boteco de esquina na Salgado Filho com a Dr. Flores. Tinha um pastel muito oleoso e um café aguado. Talvez por isso mesmo, pelo clima decadente a marginalizado, e porque o dono era um Japonês mau-humorado que era chamado de Chinês por todos, o pessoal da Escola de Teatro se reunia ali durante os intervalos entre as aulas do DAD. Como cafezinho só era servido no balcão, resultava que para sentar-se à mesa, pedíamos uma meia taça e ficávamos destilando nossos projetos e ensaiando confissões. O Café do Chinês portanto era mais do que ponto de encontro dos alunos de teatro, era nossa sala de reuniões. Nesta manhã, como era hábito, um aluno que não lembro o nome, contava o enredo da peça que ele iria escrever. Uma história mirabolante de um casal preso sob o palco de Woodstock e no final se revelava que eles tinham tomado ácido e estavam condenados a morte. Uma história de impacto. Estávamos em silêncio pensando no que dizer para o nosso dramaturgo, quando uma&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;que uma mulher, com uma bolsa peruana a tiracolo, me ofereceu um bônus para um show do Nei Lisboa. Eu assistira uma breve apresentação do Nei num show musical no pátio da Faculdade de Medicina. Nei tinha dezoito anos e sua performance foi uma das coisas mais marcante que assisti na minha vida. Violão e voz na mais perfeita intimidade com a platéia. O bônus incluía um ingresso e serviria também para angariar fundos para a produção do LP que se chamaria “&lt;i&gt;Para Viajar No Cosmos Não Precisa Gasolina&lt;/i&gt;”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Não tinha dinheiro, não comprei, nem fui ao show. Ah, se arrependimento matasse!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Comecei a dar aula para o grupo de teatro da Caixa Econômica Federal. Mais tarde, quando a CEF perdeu suas características e seus funcionários foram cedidos para outras instituições, este grupo passou a se chamar Caixa de Pandora. Dei aulas para este grupo durante todo o período de ensaios do Bailei. E pude fazer vários exercícios que depois aplicava no grupo do Bailei. Supervisionei uma peça do Plínio Marcos chamada “Homens de Papel”. Uma história sobre catadores de lixo que prenunciava o mundo de sem-tetos que hoje tomaram as ruas das grandes cidades. Foi uma experiência muito boa. O grupo da Caixa me permitia experimentar. Um alimentava o outro. Adquiri conhecimento em dose dupla.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-rvk9suTAI/AAAAAAAAAF8/DV_85sZ985s/s1600-h/800px-Grupo_RBS.1q.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-rvk9suTAI/AAAAAAAAAF8/DV_85sZ985s/s320/800px-Grupo_RBS.1q.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182217739559652354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 15.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;TV Gaúcha.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Teste para um projeto de tele-dramaturgia na TV Gaúcha, sob a direção de Gilberto Perin. Ele sempre foi um criado ousado, tínhamos tecnologia, diretores, redatores e&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;atores para construir um núcleo. A engrenagem da Rede Globo inviabilizou o processo, abortando e atrasando vinte anos o processo de tele-dramaturgia gaúcho. Se tivesse o processo tivesse acontecido a RBS TV hoje seria teria adquirido uma experiência que a colocaria no mesmo nível da TV Globo. Foi necessários o difícil caminho do Super 8, e percorrer as salas de exibição do Festival de Gramado para que a qualidade do cinema gaúcho que nesta época já produzia, fosse reconhecido. Foi preciso quase quinze anos até Jorge Furtado conquistar o mundo com a Ilha das Flores e o horário morto de sábado a tarde sustentar uma audiência surpreendente com os Curtas Gaúchos. O sucesso da programação com os curtas nos final do anos 2000 e seguintes foi tanto que a própria RBS TV investiu na área. Sempre fico a imaginar o que seria o movimento cultural do RGS se aquele projeto de tele-dramaturgia tivesse decolado em 83.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-rwR9suTCI/AAAAAAAAAGM/aq1GWKLaF8Y/s1600-h/Mancilha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-rwR9suTCI/AAAAAAAAAGM/aq1GWKLaF8Y/s320/Mancilha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182218512653765666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Assisti a peça do Hermes Mancilha no UNICENA. Chamava-se “Do You Remember Me”. No final tinha uma música cantada pela Elis Regina. Eu adorei. Mais adiante acabei usando, do mesmo disco, outra música da Elis. Vi pela primeira vez o Néco. Cara de homem, jeito de galã. Um metro e noventa, bonito, alto e com uma voz possante. Pensei, na mesma hora, que ele poderia substituir o Torquato na peça. Convidei e ele aceitou.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 18, segunda-feira.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Renovar livros da biblioteca.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Entrei na Biblioteca da Medicina no prédio da Bio Ciências. Alguns amigos liam. Fui até uma estante e peguei involuntariamente um livro marrom. A Interpretação dos Sonhos de Sigmund Freud. Apanhei por interesse inconfesso, folhei algumas páginas, alguém me chamou e sai da Biblioteca com o livro na mão. No corredor da Faculdade me vi ainda folheando as páginas que falava sobre o inconsciente, pulsão, sonhos. Um mundo misterioso que vive dentro de nós. Absorvido, abri a bolsa peruana que usava e coloquei o livro dentro. Meu primeiro livro de psicanálise foi roubado da faculdade de Medicina. Uma coisa inconsciente é claro.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-ry7dsuTEI/AAAAAAAAAGc/Uz0b4IH9ins/s1600-h/freud+e+o+dog.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-ry7dsuTEI/AAAAAAAAAGc/Uz0b4IH9ins/s320/freud+e+o+dog.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182221424641592386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 19.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;Aula.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Falar com o Alfredo Fedrizzi TV.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Telefonar para Caxias.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Curso em Alegrete.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Foi confirmada a data na Assembléia para o “Não Pensa Muito”. Mais um problema a Sônia resolveu sair da peça para fazer um trabalho com a Maria Helena Lopes. Este trabalho veio a ser uma bela peça: “&lt;i&gt;A Crônica de Uma Cidade Pequena&lt;/i&gt;”. Substituição obrigando a uma parada nos ensaios do Bailei. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Fui aprovado para o projeto de tele-dramaturgia que não saiu do papel.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;A subsecretaria me contratou para dar um curso de teatro em Alegrete.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-rvxtsuTBI/AAAAAAAAAGE/FN6EU0ra1TA/s1600-h/800px-Rio_Inhandui.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-rvxtsuTBI/AAAAAAAAAGE/FN6EU0ra1TA/s320/800px-Rio_Inhandui.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182217958602984466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-1205755275829589915?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/1205755275829589915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=1205755275829589915&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1205755275829589915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1205755275829589915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_25.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (12)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-wDENsuTGI/AAAAAAAAAGs/9l_Ocsc36dk/s72-c/1992neilisboaeuvisitoestrelasbmp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-4964654215990347371</id><published>2008-03-21T01:47:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:57.629-08:00</updated><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (11)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-N4nNsuS_I/AAAAAAAAAFw/mWWB3TsrWAA/s1600-h/JULIO.FILME.SATURNO.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-N4nNsuS_I/AAAAAAAAAFw/mWWB3TsrWAA/s320/JULIO.FILME.SATURNO.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180116611493678066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Abril, 12, terça-feira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Projeto Bolsa Arte.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Buscar dinheiro.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Pagar contas.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Cortar o cabelo.&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Bolsa Arte foi um projeto de pesquisa financiado pela&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Escrevi o projeto de encenação do “Não Pensa Muito Que Dói”. Como a peça já estava pronta e realizada, eu apenas tinha que, mediante a apresentação de relatório, receber o dinheiro. Não era muito, mas vinha sempre bem. Participar da Bolsa Arte, mais do que tudo, constituía um prestígio. Sem falar na ajuda para cartazes, que eram impressos na faculdade e gozava, por participar do projeto, de certas regalias como salas de ensaio e xerox grátis.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-N25dsuS-I/AAAAAAAAAFo/Mzjn5xXrhBA/s1600-h/750px-Opala.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-N25dsuS-I/AAAAAAAAAFo/Mzjn5xXrhBA/s320/750px-Opala.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180114726003035106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Escrevi a primeira cena da peça do “Bailei”. Ensaiamos no Auditório Tasso Correa do Instituto de Artes. Muitas improvisações. Depois do ensaio eu tentava escrever. Muitas&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;imagens pairavam sobre a minha mente. O quarto dos fundos do apartamento da Getúlio era destinado a empregada. Foi transformado no meu escritório onde eu passava horas escrevendo à máquina. Duas técnicas de dramaturgia muito úteis. A reversão de expectativa e a inversão. A primeira se realiza construindo um clima numa determinada direção e quase em cima, muda-se a perspectiva. O resultado: humor. A inversão é quase a mesma, mas com uma peculiaridade: um texto aparece de novo na boca de outro personagem. São técnicas simples, circences, e sem perceber eu as uso na cena do carro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A grande questão quando se escreve é seleção do momento, o recorte. A opção por um determinado momento, uma determinada ação tem um caráter de incerteza e indecidibilidade da origem. Escolhe-se às escuras, quase ao acaso. A capacidade maior ou menor de um artista seria na disposição de mergulhar nesta transitoriedade a espera que em algum momento um gesto, uma ação ou uma palavra, integrará a trama. Descobri, anos depois, que essa ação se chama “fato selecionado” e foi descrita por um matemático chamado Poincaré. O fato selecionado é fundamental para a dramaturgia. Até este dia, tínhamos muitas cenas improvisadas e algumas anotadas. Neste dia escrevendo, ocorreu o fato selecionado. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Lembrei da primeira vez que sai com uma guria de carro. Eu tinha uma namorada e queria sair com outra moça, que depois acabei por namorar. Sábado à noite, combinei com meus amigos que simularia uma bebedeira e eles me levariam para casa. Assim eu fiz. Minha namorada, intrigada, ficou se perguntando como é que eu, tão forte para bebida, ficara bêbado tão rápido. Meus amigos me deixaram em casa e pedi o carro emprestado do meu irmão. Era o Opala 4100 com tala larga de magnésio, quatro marchas, cambio no console e um som &lt;i style=""&gt;afusel&lt;/i&gt;. Ele, solidário, me emprestou desde que eu lavasse o carro no dia seguinte e colocasse gasolina. Passei na casa da moça perto das onze horas. Combinamos de ir na boate Macumba. No caminho ela quis comprar cigarro e parei no Posto Figueiroa. Pedi cigarro, conversei com desenvoltura com o frentista. Ainda não tinha carteira e queria dar a impressão de experiente. O cara trouxe o Minister e eu fiz questão de pagar.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Chegamos na Macumba. Conversamos, dançamos e eu queria beija-la, mas não encontrava maneira. Dancei colado e ela virou rosto. Na hora da luz negra, os olhos dela era duas pérolas azuis me convidando, mas a boca recusou. Sentamos para um drinque. Será que vou ter dinheiro para pagar o Gin Tônica? Ela olhou para o lado, balançando o ombro com um desleixo premeditado e seguiu olhando para a pista de dança até que eu toquei em seu ombro. Ela se virou e eu ataquei. Um beijo na boca direto sem escala. Ah, que beijo! Na saída da boate, tive que pedir dinheiro para ela para completar a conta. O dinheiro do cigarro voltou. Na saída da Macumba, fomos para a Prainha. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Essa experiência e outras, inspiraram a cena do carro. Na primeira versão do texto tinha o episódio do frentista e do dinheiro emprestado. A piada que eu mais gostava no momento da redação era quando Ruth depois de combinara com Vera que não beijaria sem que ele lhe pedisse em namoro, de deu conta que beijara antes:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7;"  &gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Mas tu me beijou e ainda não me pediu em namoro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;-&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:7;"  &gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Preciso de um tempo para pensar. – Era a técnica da inversão de falas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Abril, 13.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Cena do carro.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Escrevi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Lemos pela primeira vez a cena na porta do Instituto de Artes. Dia nublado, enquanto esperávamos a liberação da sala. Leitura branca em teatro significa ler sem as intenções. Só para tomar contato com a cena. Enquanto líamos, meu coração palpitava. Terminou a leitura e eu me desculpei. É só um exercício.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O elenco gostou. Aquilo foi um incentivo para seguir escrevendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Como muitos que eu já vinha fazendo, ensaiando uma escrita. Uma vontade tímida de escrever para teatro aparecia camuflada na idéia de que fosse apenas um exercício. Lá no fundo, sentia que a peça começou ali. O norte estava estabelecido. Tínhamos que criar algo antes e algo depois. Já tinha o coração do Bailei. A cena do namoro no carro.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-4964654215990347371?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/4964654215990347371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=4964654215990347371&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4964654215990347371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4964654215990347371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_21.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (11)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R-N4nNsuS_I/AAAAAAAAAFw/mWWB3TsrWAA/s72-c/JULIO.FILME.SATURNO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-8506193736001123130</id><published>2008-03-15T14:33:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:58.190-08:00</updated><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (10)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9xCRfbHAOI/AAAAAAAAAFY/WYTMma7L6zg/s1600-h/N%C3%A3oPensa.elenco.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9xCRfbHAOI/AAAAAAAAAFY/WYTMma7L6zg/s320/N%C3%A3oPensa.elenco.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178086539829641442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 6.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Foto do primeiro elenco do Bailei na Curva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Unicena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Com Flávio, Márcia, Regina, Claúdia, Hermes, Torquato e eu, os ensaios para a nova peça continuavam. Interrompido apenas para a apresentação do “Não Pensa Muito” abrindo o Projeto Unicena. Convidados pela organizadora Haidée Porto antes mesmo da premiação tivemos todas as expectativas superadas. Foi uma loucura. Habituados a salas de teatro vazias, nós tínhamos pela frente um público de mais de mil pessoas. Era o início de uma aventura que duraria mais de vinte anos e mudaria o perfil do público e o sistema de produção do teatro gaúcho. Foi uma apresentação memorável. Elenco estava entusiasmado. Hermes Mancilha, Marília Rossi, Flávio Bicca, Sônia Coppini, Lúcia Serpa e Torquato Filho. Este estava especialmente&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;inspirado. Exuberante e divertido, Torquato tinha um humor espontâneo quase infantil, e às vezes quase ingênuo. Por isso mesmo era um pouco trapalhão o que o tornava, involuntariamente, mais divertido. Em especial quando tentava ser sério. Naquele dia ele realizou a proeza de cair do palco na cena do Reitor. Torquato sentava-se numa cadeira à beira do palco, de costas para o público. Toda sua força interpretativa se concentrava no movimento e intensidade das mãos, da coluna e dos com os braços uma vez que o rosto encontrava-se encoberto. No entanto o chão encontrava-se escorregadio por conta de um piso de plástico totalmente inadequado.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O calor da platéia incendiou a atuação do Torquato que começou a se mover de forma ainda mais intensa. Sua cadeira escorregou e ele caiu sobre o público. Como um precursor dos shows punks que só vieram a se realizar nos anos 90, Torquato foi arremessado de volta pela massa que ainda o aplaudia. Ele virou-se para o público, pediu silêncio e retomou a peça. Torquato era uma figura à parte. Ator mais importante do “&lt;i&gt;Não Pensa Muito Que Dói&lt;/i&gt;” tanto que vinte anos depois, remontei a peça tendo como nome do personagem principal, meu querido amigo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9xEn_bHAPI/AAAAAAAAAFg/8wOxz7jXnys/s1600-h/CertificadoCensura2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9xEn_bHAPI/AAAAAAAAAFg/8wOxz7jXnys/s320/CertificadoCensura2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178089125399953650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;span style="font-size:180%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Abril, 10.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio no Auditório Tasso Correa.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Saída do Torquato.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyText2"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Torquato disse que ia sair da nova peça. Chegou no ensaio e falou que adorava trabalhar comigo, mas que tinha um convite para fazer “&lt;i&gt;A Cantora Careca&lt;/i&gt;” de Ionesco com direção de Antonio Gilberto que ele amava. O ensaio não estava muito bom e quando o Torquato falou que ia sair eu fiquei ainda mais frustrado. Sabia que ele era uma pessoa muito importante em todos os processos que participava. Um incentivador, me apoiava, dava sugestões. Gostava de me estimular dizendo eu deveria ousar muito e sempre, pois de outro modo, Dioniso não me perdoaria. Torquato via em mim algo que demorei muitos anos para acreditar. E agora estava ele ali desistindo do trabalho. Eu falei que até achava que a peça com direção do Antonio Gilberto seria boa, mas que nosso trabalho seria trezentas vezes melhor. Foi uma das muitas bravatas que lancei ao longo de minha vida. Quando acossado acabo reagindo assim. Como certa vez pulei da plataforma de cinco metros no Petrópolis Tênis Clube. Nunca havia pulado de tal altura. Olhava com admiração e pavor os meninos da minha idade saltando da plataforma. Quando o Dani, um vizinho arrogante, me desafiou a saltar. Eu respondi que não saltava porque não queira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;Então ele pediu a prova:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;- Vai lá e salta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;Eu fui. Um frio na barriga, o chão saindo debaixo dos meus pés. Saltei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;A saída do Torquato me remeteu ao mesmo desafio. No íntimo lamentava e muito a saída do Torquato e agora se juntava a Marília no repertório de perdas. “&lt;i&gt;Bailei na Curva&lt;/i&gt;” teve mesmo muito mais repercussão do que “&lt;i&gt;A Cantora Careca&lt;/i&gt;”, por outro lado, Antonio Gilberto, migrando para o Rio de Janeiro,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;se tornou um grande diretor e um dos produtores de maior prestígio no centro do Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;Torquato também foi morar no Rio. O vi pela última vez quando ele levou a mim e a Patsy Cecato, com quem eu já era casado, para o Sambódromo. Torquato morreu de AIDS nos anos 90, foi cremado. Suzana Saldanha, amiga comum e sempre solidária, passeou com sua urna pela Av. Atlântica numa manhã de sol e depositou as cinzas na paisagem do Arpoador que Torquato tanto adorava. Deveria estar um palco, junto com os fantasmas de todos os atores que amaram o teatro e dedicaram suas vidas para este ofício enlouquecido e apaixonante.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9xB0vbHANI/AAAAAAAAAFQ/59lvxoXWat0/s1600-h/Torquato.3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9xB0vbHANI/AAAAAAAAAFQ/59lvxoXWat0/s320/Torquato.3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178086045908402386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;Abril, 11.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Exercício&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;da Viola.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Resolvi aplicar a técnica da Viola Spolin. Trata-se de uma série de exercícios de improvisação de uma americana que conseguiu sistematizar a técnica de interpretação do encenador e ator russo Constantin Stanislawski. Esta técnica suscitou a primeira grande experiência brasileira com os exercícios da Viola Spolin, esta uma americana que tratou de sistematizar Stanislawski usando um modelo pragmático de realização. Tomara contato com Viola Spolin quando fizera um curso de extensão com a Malu Pupo que veio de SP e ministrou aulas durante uma semana. Foram exercícios reveladores. Cada cena do &lt;i&gt;Bailei&lt;/i&gt; é uma aplicação direta do método da Viola. Em Porto Alegre Beto Ruas &amp;amp; Suzana Saldanha recém chegados de Paris traziam na mala as últimas novidades. Beto com o uso do “plateau” e máscara neutra produziu um belo espetáculo baseado na obra de Franz Kafka: “O Processo”.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Suzana vaticinava que o futuro do teatro estava entre o Plateau (técnica das máscaras) e Viola (improvisação). Também fiz curso de máscaras com o Beto, mas optei pela Viola.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-8506193736001123130?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/8506193736001123130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=8506193736001123130&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/8506193736001123130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/8506193736001123130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_15.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (10)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9xCRfbHAOI/AAAAAAAAAFY/WYTMma7L6zg/s72-c/N%C3%A3oPensa.elenco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-6171961701016119009</id><published>2008-03-14T11:07:00.001-07:00</published><updated>2008-12-10T01:35:59.278-08:00</updated><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (9)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rE8fbHAII/AAAAAAAAAEo/vNqBZ7Y0MGI/s1600-h/Faculdade_de_Medicina_-_UFRGS.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rE8fbHAII/AAAAAAAAAEo/vNqBZ7Y0MGI/s320/Faculdade_de_Medicina_-_UFRGS.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177667265122205826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Abril, 4.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Prova de Urologia.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ensaio no IA.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Confirmar datas na Assembléia.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rHv_bHAMI/AAAAAAAAAFI/TMuGbz4EfSM/s1600-h/tasso+correa.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rHv_bHAMI/AAAAAAAAAFI/TMuGbz4EfSM/s320/tasso+correa.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177670348908724418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ensaios no Instituto de Artes. Começamos com as improvisações. Flávio, Cláudia e Márcia improvisaram uma ótima cena de traição e ciúmes. Pensei que poderia ser um ícone para a revolução sexual, do amor livre e de todo o alegre desbunde dos anos 60 e 70. Ainda não se conhecia a face mortal da AIDS. Todos podiam transar com todos e não havia a propriedade. Porém o amor livre não deu certo, pois qualquer amor nunca é livre, e sim tirânico e possessivo. O bisturi do ciúme fazia os seus efeitos. A revolução falhou, mas a cena decolou naquele dia.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Abril, 5.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Lua minguante.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Aula no IML.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Roteiro.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;    &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                Medicina Legal: &lt;i style=""&gt;visum et refertum&lt;/i&gt;. Lesões produzidas por instrumento contundente: &lt;i&gt;escoriações, equimoses, hematoma, bossa, luxação, fratura, ruptura visceral, ferida contusa.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Muitas lesões, mas as dores não mais. No morto a ferida, no vivo a dor. Característica da ferida por instrumento cortante: tem borda afiada, age por deslizamento, produz lesão linear, com bordas nítidas e regulares, fundo também é regular. Deixa uma cauda de saída e de entrada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                Dor psíquica é marca de quem está vivo, deixa cauda, cicatriz, é cortante, age por aprofundamento.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-style: normal;font-size:130%;" &gt;                                Devaneios para suportar o circo de horrores que é o IML e o cheiro da morte. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-style: normal;font-size:130%;" &gt;            Vinha sendo assim há algum tempo. Nas aulas mais chatas da Medicina, eu tinha que fazer manobras de sobrevivência emocional contra o tédio. Restava o devaneio e a escrita automática.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Através da imaginação eu fazia a minha guerrilha particular. Construía a minha Sierra Maestra, eu guerrilheiro mudando o mundo apenas com a força da minha caneta. Meus primeiros esboços dramáticos surgiram deste confronto. Sou grato a todos aquele professores extremamente chatos que me tornaram o que eu sou hoje.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tivemos ensaios à noite e eu levei o aparelho de som. Esboço do primeiro roteiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rFHfbHAJI/AAAAAAAAAEw/PkYsQ6wwmos/s1600-h/forqueta072.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rFHfbHAJI/AAAAAAAAAEw/PkYsQ6wwmos/s320/forqueta072.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177667454100766866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Anotação: &lt;i&gt;Deveremos trabalhar com as nossas memórias emocionais. O que aconteceu? O que era verdade, o que era mentira? Meia folha dobrada, presa na agenda, onde se lia 1964: Pai da Márcia organizando grupo dos Onze em Três Passos/ Pai do Júlio fugindo para Caxias/ armas em casa/&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Prefeito de Camaquã se&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;suicida (lembrança do Hermes). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cena 1-3:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;64 = revolução versus golpe. Localizar várias cenas curtas no interior. Forqueta, Três Passos, Camaquã, Porto Alegre, Garibaldi. Colonização alemã, italiana e fatos acontecidos na Capital.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rGYPbHALI/AAAAAAAAAFA/W9TUz4tTzXo/s1600-h/Julio3x4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rGYPbHALI/AAAAAAAAAFA/W9TUz4tTzXo/s320/Julio3x4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177668841375203506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cena 3:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Chegada de Júlio do interior.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Cena 4:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Golpe de estado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Cena 5:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Fuga para Forqueta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Cena 6:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Prisão do Coronel Paiva, nosso vizinho. Partidão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Cena 7:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Organização do grupo do Onze. Guerrilha. Gravação da Rádio, Discurso do Brizola, Jango.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Cena 8:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Resistência cultural: Arena, Opinião e Oficina. Censura. O mundo em revolta. Meus irmãos falando das passeatas, da polícia. Eu estudava, jogava futebol.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cena 9:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;            Ano de 1968 – pichação, protestos, manchas nos muros; apogeu de um projeto cultural versus a censura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;           &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Cena 10:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Copa de 70 – tortura. Morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Cena 11:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Surf, praia, Sta Catarina, alienação total. Podes crê.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Cena 12:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;1975 ??? – Minha entrada na faculdade – meio universitário, filmes&lt;/i&gt;&lt;i&gt;alternativos, teatro, livros proibidos. As mentes se abrem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Cena 13:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;1978 = Abertura / anistia. Mentira da liberdade.&lt;br /&gt;Cena 14:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Eleição 1982.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Cena 15:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;            O sono não acabou.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;Essa é a verdade que nos ensinaram e o nome desta verdade é mentira. Verdade versus mentira / realidade versus interpretação.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rFufbHAKI/AAAAAAAAAE4/LndyTouetaQ/s1600-h/Roteiro00BC.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rFufbHAKI/AAAAAAAAAE4/LndyTouetaQ/s320/Roteiro00BC.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177668124115665058" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este é o roteiro mais antigo que encontrei nas minhas dispersas anotações.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-6171961701016119009?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/6171961701016119009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=6171961701016119009&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6171961701016119009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/6171961701016119009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_14.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (9)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9rE8fbHAII/AAAAAAAAAEo/vNqBZ7Y0MGI/s72-c/Faculdade_de_Medicina_-_UFRGS.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-8623576763621510958</id><published>2008-03-09T07:55:00.001-07:00</published><updated>2008-12-10T01:36:00.137-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ivo Bender'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DAD'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não Pensa Muito Que Dói'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trenaflor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Gilberto Perin'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (8)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QAF974nfI/AAAAAAAAAD0/0u-SkZqJ478/s1600-h/Bonde.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QAF974nfI/AAAAAAAAAD0/0u-SkZqJ478/s320/Bonde.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175761974280625650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Fevereiro, 24.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;Morre Tennessee.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h6 style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A morte e a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;memória da memória.&lt;/span&gt;&lt;/h6&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Morreu o dramaturgo americano Tennessee Williams no Hotel Elysée em Nova Iorque. O dramaturgo americano sempre esteve entre meus favoritos. Anos antes, fiz uma improvisação na aula da Maria Helena Lopes. O Ivo Bender, uma das minhas inspirações como escritor, e era – surpreendentemente – meu colega. Ela organizou uma cena. Ivo interpretava um diretor de teatro que encenava “Um Bonde Chamado Desejo”. Eu representava um ator da peça e a Gracinha era a atriz que, na trama, era casada comigo e tivera um caso com o diretor. Enfim um triangulo amoroso que se&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;entrecruzava com o trio Stanley Kowalsky, Blanche de Bois e Mitch, personagens de Tennessee Williams.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9fIZfbHAHI/AAAAAAAAAEg/UHNtrgK8S1A/s1600-h/ivo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9fIZfbHAHI/AAAAAAAAAEg/UHNtrgK8S1A/s320/ivo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176826636943163506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;        Dias depois, ainda na mesma semana, encontrei o Ivo Bender no meio de uma manifestação estudantil. Ele me puxou para o balcão da Lancheria Matheus.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O pau quebrava com a chegada de Brigada. Ele falava com entusiasmo, analisando a simetria da situação dramática e decompôs a cena. E eu preocupado com o corre-corre e a dispersão da passeata. Levou algum tempo para entender que a clareza da análise do Ivo Bender foi minha lição de dramaturgia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P_gt74neI/AAAAAAAAADs/Mig-gq9utNQ/s1600-h/180px-Tennessee_Williams_cropped.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P_gt74neI/AAAAAAAAADs/Mig-gq9utNQ/s320/180px-Tennessee_Williams_cropped.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175761334330498530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h6 style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nada.&lt;/span&gt;&lt;/h6&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E assim o verão de 83 passou assim, entre convulsões, despedidas, gravações, desatenção e aniversários. O mundo cada vez mais passou a depender da bondade de estranhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Março, 1°, terça-feira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Tomografia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O mês começou com uma tomografia computadorizada que levei, junto com outros exames, para avaliação do Dr. Jaderson Costa que estava assumindo o caso. Ele mudou a medicação, fez uma interpretação nova do eletroencefalograma. Um padrão de ponta-onda determinava uma alteração na medicação e no diagnóstico anterior que era de Síndrome de West. Esta tinha prognóstico, como dizem os médicos, reservado. O que significava em linguagem leiga, muito grave. Já o padrão ponta-onda oferecia uma esperança, pequena, mas sempre uma esperança, o que é um alento, mesmo quando esta se revela uma pálida expectativa de uma vida sem luz. A característica da esperança é esse caráter de azarão, de zebra, é este vôo do besouro que sempre esperamos quando o forte enfrenta o fraco. Esse espectro de possibilidades adversas muito superiores e potentes do que as favoráveis, determinam o estoicismo, que nos mantém vivos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O uso de Clonazepan com Ácido Valpróico esbateu as convulsões e deu alento. O futuro não confirmaria aquela melhora, mas foi uma vitória temporária num mar de escombros emocionais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Março, 18.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Trenaflor&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent3"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:130%;" &gt;Estreou no Teatro Renascença da peça &lt;i&gt;Trenaflor&lt;/i&gt;. Foi&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;o segundo trabalho do grupo &lt;i&gt;Vende-se Sonhos&lt;/i&gt; e por isso, cheio de expectativas. Já haviam emplacado um sucesso com &lt;i&gt;School´s Out&lt;/i&gt; e o momento era de sedimentar o teatro no movimento cultural. O grupo&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;faria ainda um terceiro trabalho discutindo a produção de cinema no Sul: “&lt;i&gt;Das Duas Uma&lt;/i&gt;”. Enquanto &lt;i&gt;School´s Out&lt;/i&gt; colocava em movimento as escolhas profissionais e o período preparatório para a Universidade, &lt;i&gt;Trenaflor&lt;/i&gt; era uma passárgadas porto-alegrense que tratava de confrontar o&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;sonho neo-hippie de uma vida em comunidade versus a agruras da vida adulta . O teatro lotado, não consegui ingresso. Falei com o Jorjão, técnico do teatro Renascença, que abriu a porta do corredor da área administrativa. Entrei na sala de apresentação pela porta do palco. Sentado no chão assisti a uma apresentação emocionante. Marcos Breda, Cleyde Fayad, Angel Palomero e todo o elenco estavam muitos bem. Breda entraria no Bailei em 85 fez um poeta pornográfico que arrancava aplausos do público.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Foi muito emocionante. Quando a peça terminou não fui no camarim falar com o pessoal. Cleyde e todo o elenco acharam que eu não tinha o gostado. Na verdade, não fora no camarim por que tinha gostado demais. Cheguei em casa e escrevi um poema para o grupo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent3"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:130%;" &gt;Eu queria ter feito a peça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent3"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:130%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Março, 23, quarta.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Açorianos.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QJQd74njI/AAAAAAAAAEU/8BRX8GwakAM/s1600-h/Briga-Julio-Torquato-Regina-Sonia.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QJQd74njI/AAAAAAAAAEU/8BRX8GwakAM/s320/Briga-Julio-Torquato-Regina-Sonia.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175772050273902130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Dia de glória. Recebi o prêmio Troféu Açorianos de Melhor Diretor e “Não Pensa Muito Que Dói” foi eleito o melhor espetáculo de 82. Haidée Porto foi apresentadora do prêmio e, muito feliz,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;fazia sinais para mim tentando me avisar da premiação, mas eu não entendia. A razão da sua felicidade é que, além da amizade que nos unia,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o “Não Pensa” já estava programado para ser o primeiro espetáculo a se apresentar no projeto criado por ela, que faria história lançando muitos dos novos artistas do emergente teatro gaúcho. O nome do projeto era Unicena. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Superamos o magnífico espetáculo, &lt;i&gt;“Reis Vagabundos”, &lt;/i&gt;da Maria Helena Lopes, este sim, na minha opinião, o melhor de 82. Mas pouco importava a justiça, tinha 26 anos, uma mulher, um apartamento, uma Brasília usada e um filho com uma lesão cerebral. Nada mais justo do que eu receber um prêmio injusto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QImN74niI/AAAAAAAAAEM/Feacz313ga4/s1600-h/Cena+Express%C3%A3o+Corporal.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QImN74niI/AAAAAAAAAEM/Feacz313ga4/s320/Cena+Express%C3%A3o+Corporal.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175771324424429090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;Março, 30, quarta-feira.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Imposto de renda.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Telefonemas.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;1º de abril.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Imposto de renda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entreguei o Imposto de Renda. Não atingira a renda mínima que determinasse a obrigatoriedade da declaração, mas o fizera para recuperar uma pequena restituição originada de uma série de comerciais de TV cujos cachês tiveram retenção na fonte. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Telefonemas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Telefonei para o Ivo Bender e falei com o Sérgio Silva. Não sei porque nem para quê, mas com certeza foi importante de outro modo não anotaria na agenda. Até hoje são duas pessoas que eu admiro muito. Ligaria para eles agora, mesmo que não tivesse nada para falar com eles.&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;1º de abril.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Além disso, este dia teve uma importância extra. Foi no dia 30 de março que começaram oficialmente os ensaios de uma peça que naquele momento tinha o título provisório de “1° de Abril”. O início dos ensaios foi à véspera do aniversário do golpe, mas eu não percebera naquele momento que nós vivíamos mergulhados numa linguagem que nos anteciparia, inventado-nos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A idéia de 1° de Abril era um pensamento sem dono que pairava pela cidade. Uma nuvem de possibilidades rondando as mentes mais acuradas. A Marília, algum tempo depois de sair da peça me contou que outro diretor de teatro da cidade lhe convidou para fazer uma peça que acontecia em Porto Alegre no dia do golpe militar e teria o dia dos bobos como título. Marília respondeu:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Essa peça existe, o Júlio já está ensaiando.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No dia seguinte, véspera do feriadão da Páscoa estudei Urologia e levei uma fita para o Gilberto Perin na TV Gaúcha. Era uma fita para copiar o clipe da música do Flávio Bicca Rocha, tema do “Não Pensa”. Em 2005, recebi a cópia daquele clipe. Uma obra de arqueologia, gravada nas dependências do DAD, antes das reformas, e guardava toda aquela arquitetura decadente, caótica e fascinante da escola de teatro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-8623576763621510958?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/8623576763621510958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=8623576763621510958&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/8623576763621510958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/8623576763621510958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_2967.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (8)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QAF974nfI/AAAAAAAAAD0/0u-SkZqJ478/s72-c/Bonde.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-4904639925338703832</id><published>2008-03-09T07:44:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:36:00.626-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dramaturgia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Não Pensa Muito Que Dói'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Interlúdio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (7)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P4gd74ncI/AAAAAAAAADc/sUc-FHmUuc8/s1600-h/Primeiro+Dia+no+CAD.1.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P4gd74ncI/AAAAAAAAADc/sUc-FHmUuc8/s320/Primeiro+Dia+no+CAD.1.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175753633454136770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Janeiro, 27.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Balanço do teatro.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Visita do Flávio.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Saída da Marília.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Balanço do teatro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Janeiro estava se encerrando. O movimento teatral gaúcho se resumiu a três peças de teatro, todas de grupos novos. “&lt;i&gt;Murro em Ponta de Faca&lt;/i&gt;”, de Augusto Boal, na Sala Álvaro Moreira, direção de Bety Fano, na qual trabalhava um ator que eu ainda não conhecia e que veio a ter um papel muito importante no &lt;i&gt;Bailei&lt;/i&gt;: Fernando Severino. &lt;i&gt;“A Mãe”&lt;/i&gt;, de um grupo chamado “&lt;i&gt;não semo istrela mas briamo” &lt;/i&gt;e o “&lt;i&gt;Ciclo da Inconstância”&lt;/i&gt;, do Euclides Dutra de Moraes, o Kydo, premiado junto comigo no I Concurso de Dramaturgia Qorpo Santo.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A peça os &lt;i&gt;“Reis Vagabundos” &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;de Maria Helena Lopes fora escolhida para viajar pelo Brasil no Projeto Mambembão. De São Paulo veio uma peça dirigida pelo primeiro mímico brasileiro, Ricardo Bandeira. &lt;i&gt;“Todo o Mundo Nu”&lt;/i&gt; e esteve em cartaz no Teatro Presidente. Não vi e não me arrisquei a ver. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 35.4pt; text-indent: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Visita do Flávio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;        Recebi a visita do Flávio Bicca Rocha e uma reunião com algumas pessoas da peça “&lt;i&gt;Não Pensa Muito Que Dói&lt;/i&gt;”, obra de encerramento da faculdade de Direção Teatral. Já havíamos tido alguns ensaios esporádicos no final de 82 e Flávio foi à minha casa naquela noite de janeiro para me questionar sobre o que faríamos nesta nova peça. Na verdade, isso já era um hábito dele. Já havia feito isso no ano de 82 quando surgiu no meio da noite para saber como se desenvolveria a proposta de fazer uma crítica ao DAD através da peça “&lt;i&gt;Não Pensa Muito Que Dói&lt;/i&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este tipo de dúvida sempre assolou a personalidade de Flávio, sempre tão hamletiano em seu drama de ser ou não ser. Nunca me esqueço que depois da estréia do “&lt;i&gt;Não Pensa Muito&lt;/i&gt;” no teatrinho do DAD em 82, saímos juntos para comemoram no apartamento da Marília Rossi que morava no centro, na Jerônimo de Ornelas. A apresentação tinha sido um sucesso, nunca tinha visto o público de um teatro rir tanto. Eles riram de cada piada, se reconheceram e se emocionaram de uma forma que eu não esperava. Não podia imaginar, pelas experiências vividas por mim até então, que o teatro pudesse ser uma ferramenta a produzir tal intensidade emocional. Estávamos ainda em estado de choque, elevados pelo sucesso. Foi uma evidência que teatro não precisava ser uma coisa chata. Tivemos a certeza que havia um caminho viável e eu embarcaria nele atrás deste sonho. Entramos no fusquinha do Flávio e ele disse uma das frases mais emblemáticas, que representa a ele mais do que qualquer outra que já escutei. Ele simplesmente ligou o motor e sem olhar para nada disse: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Agora eu acredito na peça. – e ligou o motor do fusquinha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Agora não precisa mais – retruquei - depois da estréia qualquer um é capaz de acreditar. Tive vontade de mandá-lo a merda. Sempre pensei que um artista, um verdadeiro artista, tem que acreditar antes e justamente por isso, por esta visão da aurora antes do amanhecer é que é um artista. Contive o ímpeto e apontei uma vaga para estacionar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O mais engraçado é que um ano depois dessa conversa estava ensaiando Bailei na Curva e os personagens Torugo e Paulo Renato desfilavam suas fragilidades num fusquinha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Saída da Marília.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;        Ainda em dezembro de 82 reuni o grupo para explanar o projeto de utilização de um roteiro análogo ao do “Não Pensa Muito”, porém num universo mais amplo. Foi aí que estabeleci que a questão golpe militar versus revolução e o dia 1° de abril versus 31 de março seria o ponto chave da idéia da nova peça. Ali eu estabelecera a metáfora que geraria toda a criação do “&lt;i&gt;Bailei na Curva&lt;/i&gt;”. Não tenho anotações de quem estava presente, talvez o Flávio, a Regina e Torquato estivessem. A Claudia e a Marília também, mas não tenho certeza. Tenho anotações de um ensaio preliminar. Foi numa academia de ginástica na Rua Rodolfo Gomes e o Torquato e a Marília improvisaram pela primeira vez a cena do carro. Eu levara a proposta de trabalhar com as nossas lembranças. Torquato criou um Chevrolet 61, com portas imensas e grandes espaços internos e junto com a Marília que improvisou a esposa, foram passar o domingo na beira do Guaíba. Era uma cena deliciosa com crianças brigando sentar na janela do carro, a mãe gritando, a farofada do domingo à beira do Guaíba. Na praia de Ipanema, areia grossa, guarda-sol, bóias de câmara de pneu, e a mãe pedindo desesperada para os filhos não nadarem lá no fundo. Com certeza foi o germe da cena sobre um fim de semana em Tramandaí da peça “Cabeça-quebra-cabeça” de 84 e da cena do carro do “Bailei na Curva” realizada meses depois.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando nos despedimos na esquina da Av. Getúlio Vargas com a Rodolfo Gomes, a Marília me disse que não faria a nova peça . Falou como se fosse uma coisa banal, sem muita importância. Fingi que não sentia nada e lhe dei dois beijos de despedida. Lamentei não ter insistido nem falado da importância dela, que sem ela o “Não Pensa” não seria o que foi, mas calei. Marília fora essencial no processo de criação e um conforto emocional. Ela foi minha primeira namorada na Escola de Teatro. Ela era motivo de chacota, pois num meio liberal do teatro ela se vangloriava de ser virgem. Quando começamos a namorar, todos pensavam que ela teria perdido a virgindade comigo. Não foi verdade. Eu é que perdi a minha virgindade estética com ela. Pois ela me ajudou a entrar no mundo teatro e me apaixonar por esta estranha arte de representar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Depois de dois beijos foi embora. Como bom leonino que sou, segurei o abandono fingindo que nada acontecera. Comecei, imediatamente, a pensar em quem entraria no seu lugar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Fevereiro, 10.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Márcia.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Interlúdio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Márcia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;        A solução estava em casa. Falei com a Márcia do Canto e ela entrou na peça. Casados há pouco tempo, Márcia trazia a marca do sucesso em tudo o que fazia. Fora uma das responsáveis pelo sucesso de Schools Out fazendo o aluno ridículo, onde se destacava pela caracterização. Depois, na simpática Tita dividindo a cena com o amigo surpreendido pelo pai com maconha no bolso da jaqueta e, por fim, arrancando suspiros da platéia com suas cenas sensuais mostrando toda a beleza que encantou Caetano Veloso. Uma das mulheres mais linda que já conheci, tudo que ela fazia dava certo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esse era o último dia de inscrições para o Prêmio Qorpo Santo e, no dia seguinte, o aniversário da Dona Virgínia, minha mãe. Um churrasco na Rainha do Mar com toda a família reunida. Discussões políticas polarizadas entre meu irmão, à direita, e meu cunhado e minha irmã, à esquerda. O muro ainda não havia caído nem a exclusão mostrava a sua violência globalizada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P5j974ndI/AAAAAAAAADk/OqQ8sIZPcfM/s1600-h/interludio+com+gerbase.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P5j974ndI/AAAAAAAAADk/OqQ8sIZPcfM/s320/interludio+com+gerbase.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175754793095306706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Interlúdio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Numa pequena sala na rua São Manuel, gravei o áudio do filme &lt;i&gt;Interlúdio&lt;/i&gt;, direção de Giba Assis Brasil e Carlos Gerbase. Era um filme de curta metragem em 35 mm que fora filmado durante carnaval de 82. No elenco tinha a Márcia do Canto, Matinha Biavaschi, Lúcia Serpa, Cleide Fayad, Marília Rossi. As locações foram no Supermercado Zaffari da Fernando Machado, no tradicional trailer de cachorro quentes chamado Zé do Passaporte, no extinto Cine Coral, numa esquina da Santana e no próprio apartamento do Giba na Cabral. O filme saiu muito bem, mas o áudio ficou muito carregado de um sotaque exageradamente gaúcho. Era o início da passagem do Super 8 para o 35 mm o sistema de produção do grupo veio a se realizar plenamente na Casa de Cinema e acabou gerando vários longas metragens entre ele &lt;i&gt;Verde Anos&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Me Beija&lt;/i&gt;, filmados durante o ano.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;“Interlúdio” &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;participou do Festival de Cinema de Gramado. Não ganhou nenhum prêmio e só voltou a ser apresentado no projeto da Curtas Gaúchos na RBS TV, 18 anos depois. Pode ser visto em retrospectivas no Canal Brasil. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-4904639925338703832?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/4904639925338703832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=4904639925338703832&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4904639925338703832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4904639925338703832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_42.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (7)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P4gd74ncI/AAAAAAAAADc/sUc-FHmUuc8/s72-c/Primeiro+Dia+no+CAD.1.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-4952982240519533188</id><published>2008-03-09T07:28:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:36:00.918-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Garrincha'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Elis Regina'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (6)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a style="color: rgb(255, 255, 255);" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QFG974nhI/AAAAAAAAAEE/fnp4oxD_XaY/s1600-h/Folha+da+Manha.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QFG974nhI/AAAAAAAAAEE/fnp4oxD_XaY/s320/Folha+da+Manha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175767489018633746" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Janeiro, 18.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 141.6pt; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Joguei futebol.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não posso afirmar com certeza, mas tenho a impressão que nesta época se formou o grande e único time de futebol da Escola de Teatro. O que convenhamos dentro de uma Escola de Teatro nunca foi muito fácil juntar cinco pessoas gostassem de jogar futebol de salão. O teatro ainda não tinha o apelo de mídia que a Televisão e, em especial, as novelas conferiram à Arte Dramática. Entrava no teatro queria fazer teatro. Não quem visasse televisão, novelas e muito menos cinema. O destino era o palco. E espetáculo futebolístico não era nenhum festival de delicadezas.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Rememorando&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O time era formado por vários atores&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;como&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;João Batista Dimmer, Lui Stassbuger, e por diretores de teatro como Cláudio Cruz, e Beto Ruas. Tinha ainda a participação de um dos gênios da cenografia: Nelsinho Magalhães. E o time&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;se completava com Osvaldo, mais conhecido como Vavá, o folclórico porteiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Era ele que marcava os jogos e levava as camisetas e agitava a turma toda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Durante o curso era freqüente a necessidade de ensaios durante as madrugadas e o Vavá era quem mantinha a Escola aberta fora do expediente. No começo dos anos 80, em meio a uma intensa crise econômica Vavá, sua mulher e seu filho foram despejados. Sem lugar para morar, mudaram-se para a Sala dos Alunos do Departamento. Uma situação totalmente irregular, mas frente a unanimidade Vavá, todos encobriam. Uma família morando no coração de uma Universidade Federal não deixava de criar situações inusitadas. Era freqüente em aulas de Expressão Corporal, que terminavam perto quase uma hora da tarde, acontecer de, em pleno relaxamento, um cheirinho de um bife ou outra fritura qualquer invadir a sala de aula.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Demandava muita concentração evitar os roncos do estômago. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em compensação, os ensaios madrugada adentro eram clandestinamente facilitados por ele. Atualmente ele deve cobrir as folgas de São Pedro na portaria do céu. Qualquer problema, em qualquer hora, é só falar com o Vavá.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P3Jt74nbI/AAAAAAAAADU/cir2FV8iA_0/s1600-h/elis.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P3Jt74nbI/AAAAAAAAADU/cir2FV8iA_0/s320/elis.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175752143100485042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Janeiro, 19.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 106.2pt; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Aniversário da morte de Elis Regina. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;A notícia &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um ano antes, Pedro ainda na barriga da Márcia. Estava almoçando, a TV ligada, sala do apartamento 202 na Av. Getúlio Vargas no Menino Deus. Acho que a Márcia estava no quarto&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e entrou no ar a chamada de informe especial para noticiara a morte da cantora Elis Regina. O ar sumiu de dentro do apartamento. Assim como eu, o Brasil inteiro congelou com a notícia. Dois dias depois Pedro nasceu e a notícia, ainda no hospital, era que o legista, colaborador do regime de exceção, diria que a causa da morte teria sido o uso de cocaína associado ao álcool. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os jornais falavam do primeiro ano da morte de Elis Regina. Um especial na TV Bandeirantes e outro na TV Gaúcha que eu me programei para assistir. Na Zero Hora, uma entrevista que eu anotei na minha agenda:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin: 0cm 117.9pt 0.0001pt 81pt; text-indent: 0cm; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;i&gt;A vida não tem paetês. A gente inventa um brilho para ela ficar melhor. Quando eu era pequena em Porto Alegre minha família teve que escolher entre comer ou ter um piano. O brilho que eu inventei depois, então sem piano, fui cantar e fazer de conta que eu era a melhor cantora do Brasil. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 0cm; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;A criação é resultado de processo reticular de suportar as perdas e se inventar uma saída onde não tem saída. “Vida, esta causa perdida”, dizia Antonio Abujamra e Bráulio Pedroso escreveu que a vida é “uma aposta sem ter resposta”.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando a psicanálise entrou na minha vida descobri o pensamento agudamente renovador de Wilfred Bion. Seu último texto publicado em vida foi “&lt;i&gt;Como tirar proveito de um mau negócio&lt;/i&gt;”. Estas afirmações ganham um efeito nas palavras de Elis Regina. Há algo que insiste em todos nós. Resistir é preciso e é imperativo&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;criar para sobreviver.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P1od74nZI/AAAAAAAAADE/g1In4FZiWiU/s1600-h/tres.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9P1od74nZI/AAAAAAAAADE/g1In4FZiWiU/s320/tres.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175750472358206866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 0cm; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Janeiro, 20.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 141.6pt; text-indent: 35.4pt; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Rainha do Mar&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 141.6pt; text-indent: 35.4pt; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Garrincha&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fomos passar o fim de semana na Rainha do Mar. À noite, deu na TV que o Garrincha morreu.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Janeiro, 21.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="margin-left: 106.2pt; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Aniversário Pedro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fizemos a festa do primeiro aniversário na praia. Mesa posta ao ar livre, doces e bolo de aniversário, balões e a faixa desejando “Feliz Aniversário”. Quem passasse pela frente de casa imaginaria que era festa comum. Todos alegres, comendo e bebendo. Cantamos “Parabéns a Você”, piadas, gargalhadas. Só aniversariante, Pedro, não fixava o olhar e&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:130%;" &gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;não podia assoprar a vela. Havia uma alegria desconfiada no ar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na madrugada assisti ao filme “Garrincha Alegria do Povo” num aparelho de doze polegadas com uma imagem cheia de chuvisco. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-4952982240519533188?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/4952982240519533188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=4952982240519533188&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4952982240519533188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/4952982240519533188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_5877.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (6)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9QFG974nhI/AAAAAAAAAEE/fnp4oxD_XaY/s72-c/Folha+da+Manha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-1579323110673476223</id><published>2008-03-09T07:11:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:36:00.941-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Juarez Fonseca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zero Hora'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (5)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9Pz3974nXI/AAAAAAAAAC0/7iMoG5c30FY/s1600-h/Faz+a+Cabe%C3%A7a.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9Pz3974nXI/AAAAAAAAAC0/7iMoG5c30FY/s320/Faz+a+Cabe%C3%A7a.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175748539622923634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Janeiro, 12.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;ZH segundo caderno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                         O destaque de capa do Segundo Caderno de Zero Hora foi o retorno da Europa da primeira dama do estado, Dionéia Soares, esposa do então governador Jair Soares, o que reflete o tamanho da importância que a mídia dava para os dos eventos culturais da cidade. Naquele mesmo dia estava se apresentando no Bar do IAB, Nelson Coelho de Castro com o show “&lt;i&gt;Um Braço Clandestino No Espaço&lt;/i&gt;” onde ensaiava as músicas que viriam a compor o disco “&lt;i&gt;Vim Vadia”&lt;/i&gt; que seria lançado no inverno daquele ano.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                            Quarta-feira era dia da coluna &lt;i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Ti Fraga&lt;/i&gt;, do humorista Fraga que mais tarde encarnaria o Analista de Bagé do Luis Fernando Veríssimo e faria um dos mais belos comentários sobre a peça que ainda não tinha nome e que viria a ser Bailei na Curva. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Todos nós éramos iniciantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                            O segundo caderno era tradicionalmente feito por jovens jornalistas, recém saídos da Faculdade que, assim que adquiriam certo status migravam para&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;setores de maior prestígios. O resultado disso é que cada artista que entrava na redação tinha que se apresentar e falar sobre a sua trajetória de novo e de novo e de novo. Como se a cultura feita no Rio Grande do Sul estivesse sempre no marco zero.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                        Nestes anos 80, Juarez Fonseca, um jornalista símbolo do reconhecimento dos artistas que produziam em Porto Alegre, estabeleceu um jornalismo galmouroso, no qual destacava as&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;individualidades e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;enaltecia as estrelas. Contribuiu muito para o esboço de um “starsystem”. Porém, como novas e desastrosas editorias, inverter-se o eixo e a política cultural do jornal se submeteu a um processo maior, valorizando eventos que não tínhamos acesso e solapou o movimento artístico dos anos 80. Tínhamos um jornal que falava mais do mundo do que do Bom Fim. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                        A velha questão entre a aldeia e o mundo e que santo de casa não faz milagre. Mas algum santo em algum lugar do mundo fazia milagre. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                                Não aqui.&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Janeiro, 14.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Aula de Medicina Legal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                    Conteúdos necessários para constarem no laudo: preâmbulo, quesitos, histórico, descrição, conclusão e por fim resposta aos quesitos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Janeiro, 13.&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Anestesiologia.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Cinema.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Aula&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                O médico contratado nos obrigou a anotar na agenda para que não fizemos besteira, a cor dos cilindros. Oxigênio, tubo preto, gás carbônico, cilindro alumínio, carbogênio (oxigênio + gás carbônico a 5%) = preto + alumínio. Ar comprimido: cilindro azul segurança (isto é, azul claro); N2O azul marinho. Nunca usar graxa nem óleo em O2, pois teremos risco de fogo.&lt;i&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Cinema&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;            Ainda neste janeiro assisti duas vezes ao filme &lt;i&gt;A Guerra do Fogo&lt;/i&gt;, de Jean Jaques Annaud no Cine Imperial, contando a pré-história do homem na sua conquista do fogo. Três homens das cavernas, numa época em que a linguagem engatinhava e eles se comunicavam com urros, saem em busca do segredo do fogo. No contato com grupos estrangeiros, do mesmo modo que Prometeu, roubam o fogo dos deuses e criam uma nova cultura. Durante a segunda exibição que assisti, faltou luz e o Imperial ficou as escuras. Instintivamente dei um urro de protesto. O cinema todo caiu na gargalhada. Uma tênue sensação nos unia apesar dos séculos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Janeiro, 16.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Pensamento positivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                    Marília Pêra estréia no Rio de Janeiro a peça “&lt;i&gt;Adorável Júlia&lt;/i&gt;”.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Zero Hora traz fragmento de uma entrevista na qual ela afirma que no Brasil é muito difícil fazer teatro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Refletindo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                Se para Marília Pêra que já era a Marília Pêra, o que dizer sobre o que acontecia em Porto Alegre? Em 1983 tínhamos um mercado restrito, poucos e honrosos sucessos,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;valorização precária da arte teatral e quase nenhuma divulgação dos espetáculos ditos “locais”. Para evidenciar tais proposições bastaria folhear os cadernos de cultura da época. Um público de no máximo duas mil pessoas, sempre as mesmas, a maioria de conhecidos ou aspirantes ao palco. Seria até divertido entrar no teatro e conhecer todos os espectadores. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                        Se não fosse trágico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-1579323110673476223?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/1579323110673476223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=1579323110673476223&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1579323110673476223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/1579323110673476223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_9647.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (5)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9Pz3974nXI/AAAAAAAAAC0/7iMoG5c30FY/s72-c/Faz+a+Cabe%C3%A7a.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5998454973979743308</id><published>2008-03-09T06:10:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T01:36:01.086-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (4)</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);font-family:arial;font-size:130%;"  &gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9PumN74nWI/AAAAAAAAACs/ahI2mFuWKu8/s1600-h/bonequinho%2Bbailei-limpo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9PumN74nWI/AAAAAAAAACs/ahI2mFuWKu8/s320/bonequinho%2Bbailei-limpo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175742737122106722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Janeiro, 8, sábado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div face="arial" style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Reunião de pais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192); font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192); font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Reunião de pais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div face="courier new" style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192); font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div face="courier new" style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192); font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                Na Escola fundada pelos pais de crianças com lesão cerebral, conheci muita gente, muitos pais e filhos que sofreram muito. Lembro do Fabinho, mais velho do que o Pedro. A lesão dele fora originada por erro metabólico. Alguns alimentos que deveriam ser decomposto no organismo, por falha do metabolismo, não possuíam vias adequadas. Isso produzia um acumulo de metabólitos no cérebro produzindo a lesão. No caso do Fabinho, a causa foi descoberta e ele teve uma evolução boa para as circunstâncias. Perdi contato com ele e com sua família. Ele era ruivinho e com um olhar esperto que contrastava com as restrições que&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;seu delicado corpo apresentava.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192); font-family: arial;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Luíza era uma amiguinha do Pedro. As atendentes diziam que eles eram namorados. Ela era espástica, ou seja, todos os músculos ficam exageradamente tensos. Era morena, bonita. Morreu com 15 anos. Seu pai foi amigo da minha família. Era um cara muito amoroso e cuidava da filha com tal dedicação que me deixava sempre com sentimento de culpa por eu não me sentir tão bom e dedicado quanto ele. Um dia pai de Luíza encheu de tudo. Separou-se, arranjou várias namoradas. Morreu num acidente de carro. Viajava num final de tarde, sem óculos, que ele se recusava a usar, e entrou embaixo de um caminhão que transportava carros. Por ironia do destino este tipo de veículo é conhecido como “cegonha”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Havia três viúvas chorando ao lado de seu esquife.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192); font-family: arial;"&gt;  &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(192, 192, 192);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;Segunda-feira, 10 janeiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Pagamentos.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;CRT.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Qorpo Santo.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Ciclo de cinema político no Bristol.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Brandão.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(192, 192, 192);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;h4  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pagamentos&lt;/span&gt;&lt;/h4&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Paguei a CRT no Banrisul e fiz diversos pagamentos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Depois entreguei o material para o prêmio Qorpo Santo de dramaturgia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Anotei os pagamentos a serem efetuados no dia 12:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Clair, 20.000,00 cruzeiros, Brandão, 30.000,00 e Abrão, 24.000,00. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Qorpo Santo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;        Foi a segunda versão do Prêmio Qorpo Santo. Eu participara da primeira, em 1980, ganhando o segundo prêmio de dramaturgia para crianças. Desta vez, ao contrário da primeira na qual a premiação era a simples publicação do texto, a quantia de Cr$ 300.000,00 era destinada para o primeiro lugar e Cr$ 200.000,00 para o segundo. Incluía ainda um Auxílio Montagem de Cr$ 500.000,00. Entreguei os textos na APATEDERGS, Associação dos Produtores de Teatro do Rio Grande do Sul, sede na Av. Borges de Medeiros, 835 – Altos do Viaduto. Na entidade se ensaiava novo modelo de produção que ficou conhecido como “Livre Associação”. Era uma maneira de evitar os pesados encargos empresarias e criava um passo intermediário entre o trabalho com vínculo empregatístico que era contraproducente e o profissionalismo emergente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                        Depois, fui no Ciclo do Bristol. Estava passando uma retrospectiva do cinema político do cineasta Costa Gravas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;        Não lembro qual o filme e não tenho a mínima idéia do que aquela quantia de dinheiro do prêmio representava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Brandão&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                       Paulo C. Brandão era o médico que trabalhava com o Pedro na área da estimulação precoce. O mais estranho (e familiar) foi que com o pai dele, Dr. Paulo Brandão, que fiz o meu primeiro tratamento psicoterápico. Não lembro do rosto do Brandão pai e talvez por isso, em seu lugar colei sobre a sua imagem, a do dramaturgo italiano Luigi Pirandello. Dr. Brandão uma vez me falou do escritor italiano. Como a sessão era a última do dia, às vezes, tomávamos o elevador e saímos juntos do prédio. Encontrar o terapeuta fora do enquadre da sessão tem sido ao longo dos anos motivos de muitas controvérsias. O fato é que é difícil ficar frente a frente com uma pessoa com a qual você conta todas as suas fantasias e todos os seus impulsos mais primitivos e às vezes sórdidos. Naquela noite, ele estava com uma sobrecasaca escura, uma manta de lã. Paramos na banca e eu comprei uma publicação de contos onde o destaque era uma história do Pirandello. Dr. Brandão olhou para a revista, tomou-a nas mãos, suspirou fundo, grave e interessado, comprovando a importância do momento. Balançou a cabeça e falou: “Pirandello”. Franziu a boca e arregalou os olhos. Talvez tenha feito um “hum”. Aquele foi o certificado que coisas que passavam na minha mente poderia ser importantes e que talvez ali uma idéia geminal do teatro ser inseminada no meu cérebro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial; color: rgb(255, 255, 255);"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                        Dr. Paulo César Brandão, o filho, que cuidava do meu filho, foi a pessoa mais importante naqueles momentos em que se evidenciou que o Pedro tinha um problema grave. Digo isso porque como se pode imaginar há um imenso processo de negação. Toda a família em volta percebe, os vizinhos percebem, as avós percebem. Até mesmo os pais percebem, mas ninguém quer ver. Não se pode subestimar a capacidade humana de negação. Paulo César Brandão foi carinhoso e afirmativo. Confirmou p&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ara mim e para a Márcia que havia efetivamente um problema. Pedro tinha uma lesão. Desabamos em choro. Ele nos acompanhou silencioso, o olhar dele nos acalmava, e começou a brincar com o Pedro. Falava como se inventasse um código, como se estivéssemos na origem da humanidade e a linguagem estivesse sendo ali criada, o dedo de Deus tocando o Moisés, era a Capela Cistina re-inventada, Paulo C Brandão era nosso Michelangelo e ali presenciávamos o milagre de uma invenção. Uma linguagem primitiva quase sem códigos, feita de olhares e sentimentos. Ele ensinou a ver nos pequenos detalhes o que estava sendo dito, esboços de movimentos que representavam, fragmentos de uma cadeia comunicativa que, de forma precária, ainda assim era o substituto de discurso. E nos ensinou a paciência de não esperar evolução maior daquela que o próprio Pedro indicasse. Não nos vendeu nenhuma ilusão. Certa vez, num período de desespero, fomos a uma sessão de umbanda. Entrei num grande salão perfumado e cheio de fumaça. A música era bela e ritualística desde o início envolvendo num clima onírico. Os médiuns distribuindo passes, e se ouvia a todo instante a figura do cavalo, um médium que se comunicava com a alma sofredora acolhendo seu sofrimento e expressando a dor. Dentre todos, escolhi um preto velho, gordo, com um olhar generoso e gestos lentos de bondade. Ele incorporou na minha frente. Falou com palavras fragmentadas, suprimindo dos finais, pulando palavras como se fossem mensagens entrecortadas. Falei algumas coisas que estavam acontecendo. Ele estava em transe e eu muito emocionado. Chorava. Naquela hora, ele poderia tirar qualquer coisa de mim, eu estava exposto e a mercê. Ao invés disso, ele falou com uma voz suave, que aquele era o destino do Pedro. Nada poderia ser feito. Eu fui embora e desisti da umbanda naquela noite. Eu queria uma esperança, imaginava que num mundo onde predominava o pensamento mágico eu teria algum consolo. Mas não. Sai da sala e nunca mais voltei a aquele centro. Continuei não acreditando, mas passei a respeitar essas pessoas que se oferecem para trazer mensagens do outro mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 200%; text-align: justify; color: rgb(255, 255, 255);font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                        Havia naquele preto velho uma dignidade que me comoveu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5998454973979743308?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5998454973979743308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5998454973979743308&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5998454973979743308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5998454973979743308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_09.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (4)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9PumN74nWI/AAAAAAAAACs/ahI2mFuWKu8/s72-c/bonequinho%2Bbailei-limpo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-2745685825897609169</id><published>2008-03-08T02:59:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T01:36:01.302-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (3)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9J3Et74nRI/AAAAAAAAACE/6WNiTkiRgOE/s1600-h/poalegre83.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9J3Et74nRI/AAAAAAAAACE/6WNiTkiRgOE/s320/poalegre83.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175329844736072978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Janeiro, 5.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Bom dia 1983.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;         Show no Araújo Vianna reuniu Geraldo Flack e Grupo, Giba Giba, Toneco, Talo Pereyra, e o Canto Livre. As boas vindas para o ano começavam com Geraldo Flack que tinha Augustinho Lick na guitarra. Ele junto com Nei Lisboa, lançariam disco que seria um marco da música gaúcha, na época chamada MPG – música popular gaúcha. O LP “Para Viajar no Cosmos Não Precisa Gasolina” seria, naquele inverno uma mercadoria rara e valiosa a percorrer a cidade de mão e mão subvertendo as falhas de distribuição. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;                        &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Elipse: essa tal de música gaúcha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A designação de MPG denotava o sentimento de exclusão da arte gaúcha. Ainda bem que não vingou. Foi logo deixada de lado. Sempre acreditei que a música, teatro ou cinema quando designado de “gaúcho” deveriam apenas servir de nomeação geográfica. Nunca uma estética particular, pois, qualquer arte feita no Rio Grande do Sul ou Rio Grande do Norte teria que ser antes de tudo brasileira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na iluminação do Bom Dia 1983 estava o mestre João Acir. Foi meu professor de iluminação e trabalho com todos os grandes nomes do teatro brasileiro. Através de uma história que ele me contou, elaborei a diferença entre método e talento.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Contou que estava começando a aprender a arte de iluminação teatral e trabalhava no Theatro São Pedro. Algum tempo antes, ele assistira uma montagem de luz do Adolfo Celi um dos importantes diretores italianos importados pelo TBC. Sua iluminação era cartesiana: um refletor 45 graus de frente, um refletor de cima, conhecido como pino, um contra. Esperava algo semelhante quando Ziembinsky entrou no teatro, gripado, enrolado num grosso echarpe de lã. Mau humorado e com desleixo gritava para os técnicos:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;            -&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mais para cá, , mais para lá. Agora coloca um refletor ali. Pronto, deu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;    Zimba, com passou a se conhecido, inventor do teatro brasileiro com a montagem de “Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues, não esperou para ver o resultado. Saiu batendo a porta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;       O jovem iluminador  achou estranho aquilo tudo e foi embora decepcionado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;                 Naquela noite João Acir assistiu das melhores iluminações de sua vida. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Mais uma elipse temporal e um pedaço da análise.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Muitos anos antes do longa-metragem “Deu Pra Ti Anos 70” meu pai chegou em casa com um pacote de baixo do braço. Colocou em cima da mesa. Era uma câmera de Super 8. Comprara nos EUA durante uma viagem de negócios. A compra envolvia uma complicada história de falta de domínio da língua inglesa, com a já tradicional desconfiança de gringo. Meu pai e minha mãe tinham certeza que o nipo-americano que lhes vendeu a máquina numa pequena loja de eletrônicos em Nova Iorque havia lhes enganado. O suposto truque envolvia uma troca de pacotes. Vendia-se um produto e entregava-se outro. A verificação da fraude se dava horas depois no quarto do Hotel, onde se percebia que a desejada filmadora fora substituída por outra de menor qualidade. Meus pais voltaram a loja e simplesmente destrocaram a filmadora, sem nota fiscal, sem comprovantes de vendas e saíram a rua. Poderiam ter sido detidos por roubo. Meu pai contava estava história de uma forma jocosa, uma bravata que beirava a luxúria. Pois foi nesta filmadora que eu realizei a minha primeira obra. Foi a filmagem de uma flor. Fiz um zoom de aproximação, lento, aproximando em close, desfocando o fundo e salientando as cores e o contraste.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Corte. Nova tomada, câmera de ponta cabeça. Curto e corte. Vista lateral e corte. De pé e corte. Novamente de cabeça para baixo e corte. Repetiram-se vários takes rápidos, estanques e intensos. Depois um zoom de afastamento. Lento, lentíssimo e derradeiro. Fim da cena. O momento de captação foi uma brincadeira de criança. Dias depois, filme revelado, a visão da pequena cena foi um choque emocional para mim e para todos na sala. Deslumbrou. Anos depois esta cena veio a minha mente e percebi que foi a primeira vez que senti que poderia fazer alguma coisa de criativo. Tinha vivido a experiência de desenhar com a tesoura quando criança. Minha mãe tratava de empresariar o espetáculo. Não havia aniversário, festa ou velório no qual eu não era convidado para recortar em púbico meus&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;objetos. Mas estes eram brinquedos meus, sem objetivo de partilha, era criações para meu próprio deleite. Com o tempo comecei a me recusar a faze-los em público.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Porém, esta cena da filmadora, vista sob a distância do tempo, forma um delicado paradigma estético. A beleza colorida da flor que chama a atenção. A aproximação voraz, intensa, desejante. O encontro turbulento com o objeto, ponta cabeça, reviravoltas, perspectivas. Por fim um afastamento sábio, algo que se processou e me transforma. Percorro o mesmo caminho, agora de volta, mas não sou mais o mesmo. Tive assim a minha primeira iluminação estética. Anos depois, já em análise, senti uma estranha sensação nas mãos. Formigavam e me ocorreu uma espécie de poema no qual via minhas mãos suficientemente fortes para criar muros, paredes, portas e poemas. Por um instante me senti um operário da arte, um artista. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi também numa das primeiras sessões de análise que um sonho se revelou. Via o relógio da casa da minha Vó. O pêndulo dentro de uma escultura de madeira. Lá em cima um pombo e a morada do cuco que sistematicamente marcava as horas cheias com um trinar agudo e histérico. Contei este sonho em análise. Sonhos de início de tratamento, assim como as primeiras impressões, os as primeiras palavras, tem um tom antecipatório e profético. O relógio marcava o alvo da minha análise, apreensão da temporalidade e conseqüente aquisição da eterna companheira. A morte. Essa companheira que em psicanálise não é só a morte, mas a castração, é o contato com nosso limite e contrato com o nosso desejo. Essa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;noção de temporalidade determina o fruir vital. A interpretação do Abrão foi maravilhosa. Ele não se precipitou e interpretações milagrosas, mas usou a sua intuição e perguntou o nome da minha Vó. Virginia, mesmo nome da minha mãe. Durante o período de redação da peça, Dona Virginia se tornou a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;primeira fala de Bailei na Curva. Gabriela entra em cena e diz:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-indent: -18pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ó, Dona Virgínia como vai? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Inicio e fim.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Janeiro, 7.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Exame.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Lembrar &amp;amp; Comprar.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Carteira de motorista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 108pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Junto a esta anotação estava um lembrete para pegar os exames médicos do Pedro, comprar um Tape Deck e entregar o Edital de ocupação de teatro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Carteira de motorista? Não sei o porquê desta anotação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Talvez pensasse em dirigir melhor a minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 200%; text-align: justify;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-2745685825897609169?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/2745685825897609169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=2745685825897609169&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2745685825897609169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/2745685825897609169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva_08.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (3)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9J3Et74nRI/AAAAAAAAACE/6WNiTkiRgOE/s72-c/poalegre83.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-9055491876408329197</id><published>2008-03-07T01:27:00.000-08:00</published><updated>2008-03-12T05:09:05.543-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Dispositivo Cênico: Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (2)</title><content type='html'>&lt;a href="http://dispositovocenico.blogspot.com/2008/03/1983janeiro-dia-3.html"&gt;Dispositivo Cênico: Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (2)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-9055491876408329197?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://dispositovocenico.blogspot.com/2008/03/1983janeiro-dia-3.html' title='Dispositivo Cênico: Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (2)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/9055491876408329197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=9055491876408329197&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/9055491876408329197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/9055491876408329197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dispositivo-cnico-dirio-de-montagem-de.html' title='Dispositivo Cênico: Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (2)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-221091729376366611</id><published>2008-03-07T01:12:00.001-08:00</published><updated>2008-12-10T01:36:01.490-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (2)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9EHH974nNI/AAAAAAAAABk/IO3665OeJhY/s1600-h/Bailei83.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9EHH974nNI/AAAAAAAAABk/IO3665OeJhY/s320/Bailei83.1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174925280291626194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Janeiro, dia 3&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Volta para Porto Alegre.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Sessão com Abrão Slavutzky.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Passar na Censura Federal. (apanhar certificado)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Clair.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 63pt; text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Volta para Porto Alegre, sessão de análise.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Voltei para Porto Alegre e à tarde, primeiro horário, entrei no consultório do psicanalista Abrão Slavutzky. Começara a análise em 79 e até aquele momento da minha vida era marcado pelo ser ou não ser entre o teatro e a medicina.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Uma questão hamletiana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Primeira elipse,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;um rápido panorama do teatro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O teatro mostrava inviável como profissão e o retorno para a faculdade de medicina se tornara imperativo. N&lt;/span&gt;&lt;span style="letter-spacing: -0.15pt;font-size:130%;" lang="PT" &gt;o início da década de sessenta uma diáspora artística gaúcha determinou uma debandada dos artistas de teatro para o mercado profissional no Rio de Janeiro e em São Paulo,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;resultado da absoluta falta de estrutura profissional. E isso perdurava. U&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;m mercado fechado, produções pobres e uma colonização cultural interna na qual &lt;/span&gt;&lt;span style="letter-spacing: -0.15pt;font-size:130%;" lang="PT" &gt;o movimento teatral baseava-se quase exclusivamente em remontagens de sucessos ocorridas no eixo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Somava a isso um público que, num paradoxo narcísico, se valorizava desprezando os seus.&lt;/span&gt;&lt;span style="letter-spacing: -0.15pt;font-size:130%;" lang="PT" &gt; Este conjunto colocava nosso teatro como uma filial do centro do país.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em 77 abandonara temporariamente o curso de Medicina para me dedicar ao teatro e já final 79, num esforço desesperado, fizera três peças para a Campanha das Kombi, num conhecido projeto de popularização do teatro. O governo pagava um subsídio e assim barateava os ingressos, melhorando o fluxo de público. Naquele final do ano de 79 eu dirigira o texto “&lt;i&gt;Palhaçadas&lt;/i&gt;” de João Siqueira, peça infantil em&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;temporada no Teatro de Arena. Pedrinho Santos e Marco Sório no elenco. Ainda no período da tarde eu entrava em cena em “&lt;i&gt;A Comunidade do Arco Íris&lt;/i&gt;”, de Caio Fernando Abreu, com direção da Suzana Saldanha, e a noite interpretava um soldado romano em “&lt;i&gt;O Julgamento de Lúculus&lt;/i&gt;”, Bertold Brecht, com direção do L.E. Crescente, nos porões do MARGS. Mesmo assim para sobreviver tive que vender quatro boxes de estacionamento que haviam sido doados por meu pai, e dava aula de teatro numa pré-escola chamada Balão Vermelho. A bancarrota iminente, o nascimento do Pedro e a falência das produções me obrigaram a um retorno, um tanto melancólico, para a Faculdade de Medicina. Para completar o quadro, rodara, por dois décimos, na disciplina de Medicina Interna I, pré-requisito essencial para a continuidade do curso. Restaram algumas matérias esparsas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;deixando o semestre um tanto ocioso. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 35.4pt; text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Passar na Censura Federal. (apanhar certificado)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mais tarde naquele mesmo dia, passei na Censura Federal para apanhar o certificado de censura, pois sem o autorização do Serviço a peça não poderia entrar em cartaz e era urgente a resolver a situação da peça “&lt;i&gt;Não Pensa Muito Que Dói&lt;/i&gt;”. Em dezembro de 82 todas as apresentações foram sem a tal liberação e por isso clandestinas. Aconteceram no teatrinho do DAD – Departamento de Arte Dramática, Salgado Filho 330&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- e tinham um caráter curricular para um público interno formado de alunos e professores. No entanto, resolvemos que seriam abertas ao público em geral, e por isso exigiam a liberação da autarquia. Por um capricho adolescente, simplesmente me recusara a passar pelo ensaio da censura, colocando a peça em cartaz a revelia. No segundo dia daquela curta&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;temporada, um funcionário público, agente do Serviço de Censura, apareceu com uma intimação. Fora “convidado” a prestar esclarecimento para o Chefe do Departamento e Censura Federal do Rio Grande do Sul.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No dia seguinte, meu coração batia descompassado quando entrei na sala. O censor me examinou de cima a baixo. Falava&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;comigo, mas eu logo percebe que seu pensamento estava em outro lugar. De repente, seus olhos brilharam – ele encontrou o que procurava em sua viagem interna -, e falou com uma bondosa ameaçadora:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 53.4pt; text-align: justify; text-indent: -18pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Inclusive é ruim para ti desrespeitar a censura, apresentando sem autorização por que já tens outra peça que já passou pelos nossos arquivos...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ele se referia a “&lt;i&gt;O Reino do Sol&lt;/i&gt;”, uma peça infantil que escrevera no ano de 78 e que tivera sua montagem totalmente interditada pelo Serviço de Censura de Porto Alegre. As avaliações, anteriormente, eram feitas em Brasília pela famigerada Solange Maria Teixeira Hernandes. Este procedimento demorava vários meses e era necessário passar por processo de descentralização a fim de agilizar os despachos. Ao mesmo tempo era um ensaio para uma possível abertura e o resultado seria o vislumbre de uma distensão política e da abertura que se realizaria nos anos seguintes. “&lt;i&gt;O Reino do Sol”&lt;/i&gt; foi uma das primeiras peças a serem examinadas na sede de Porto Alegre, e apesar de ser uma peça infantil era recheada de alusões políticas, partidárias, pedagógica, democrática e interativa. Uma irreverência absoluta tanto em nível de texto quanto de interpretação. Marcou meu encontro explosivo e intenso com as personalidades de dois grandes artistas que, assim como eu, buscavam seu lugar ao sol: Camilo de Lélis e Roberto Oliveira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“&lt;i&gt;O Reino do Sol”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;era um texto que falava de um reino despótico a ser&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;derrotado por uma eleição. O espetáculo tinha seu ponto alto na participação do público, antecipando à onda interativa que invadiu os teatros nos anos noventa.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como a eleição e a democracia eram temas da peça, a platéia era convidada a exercer seu direito de votar para presidente. Anárquica e subversiva a peça foi censurada. Mesmo assim, algumas apresentações foram feitas e o resultado era quase que invariavelmente era de uma comoção libertária que culminava com a eleição de alguém do público, geralmente o aluno, geralmente o mais popular. Como apresentávamos para escolas num período onde a repressão política ainda mostrava seu autoritarismo, os alunos demonstravam sua rebeldia pela insubordinação. A interdição do texto e da montagem foi um grande constrangimento para o Departamento de Censura de Polícia Federal do Rio Grande do Sul, pois já em um dos seus primeiros exercícios de autonomia, via-se obrigado a uma atitude drástica e antipopular. Ora, censurar uma peça, ainda por cima, infantil! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O censor, um funcionário público de carreira, sorriu enquanto me ameaçava. Eu nunca esqueci o seu olhar.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Era torturado olho no olho com torturador. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Anos depois da abertura soube que este funcionário morrera numa explosão de um botijão de gás. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas quem estava a ponto de explodir era eu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Clair.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A anotação seguinte, Clair, referia-se à fisioterapeuta que atendia o Pedro. Nascido no dia 21 de janeiro de 1982, dois dias depois da morte de Elis Regina. O trágico que se anunciava para o Brasil com a morte da nossa maior cantora, tomava, no meu pequeno mundo, um caráter catastrófico. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A lesão cerebral nascera junto com Pedro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Com três meses não sustentava o pescoço. Com seis não sentava e com nove meses não só não engatinhara, como iniciara o período mais crítico do seu primeiro ano de vida marcado por convulsões intensas e freqüentes. Espasmos tônico-clônicos que a princípio pareciam movimentos inofensivos, mas que aos poucos viraram um fantasma que nos tirou o sono e transformou cada movimento de Pedro num sobressalto. Percebia-se que ele demorava em fixar o olhar e que um grande esforço era necessário para que ele acompanhasse o movimento das pessoas. Nestes esforços Pedro mobilizava uma parte do seu cérebro danificada e daquele foco de insubordinação neuronal começaram a produção de estímulos desconexos. A cada um deles correspondia uma convulsão. E eram muitas. Passariam desapercebidas a um leigo, um esgar aqui, outro movimento estranho ali, seguido de um silêncio corporal e um olhar assustado. O que era uma suspeita se transformou numa triste certeza. Aqueles gestos involuntários não só tratava-se de convulsões, como tinham um efeito aterrador. Agravavam paulatinamente o quadro. Pedro arregalava os olhos com se perguntasse o estava acontecendo e o que significava aquela turbulência interna na qual ele estava imerso? Ele nunca pôde saber, mas nós sabíamos que cada daquelas convulsões determinava um agravamento do quadro. E elas foram aumentando. Vinte, trinta, quarenta. Chegaram a oitenta crises por dia. Orientados&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pelos neurologistas, anotávamos as crises num caderno, minuto a minuto, com o intuito de estabelecer um padrão. O estabelecido foi que ele apresentava convulsões o tempo todo. Nem mais de manhã, nem menos à tarde e nem menos ainda à noite. As convulsões eram constantes, pertinazes e eficientes. Atacavam neurônio por neurônio de modo sistemático e repetitivo. A medicação anti-convulsiva se mostrava impotente para conter o ataque. Cada convulsão era uma lâmina que cravada no cérebro de todos nós. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Clair era uma mulher generosa. Formada no cotidiano, a prática foi a sua escola. Fora durante muitos anos atendente de uma Clínica de Fisioterapia e ali aprendera tudo que precisava. Estávamos de olho nela há muito tempo. E quando ela sai da Clínica nos a contratamos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Imagino que se de fato existirem pessoas superiores para tratar de pessoas especiais, então Clair seria uma delas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-221091729376366611?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/221091729376366611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=221091729376366611&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/221091729376366611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/221091729376366611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/1983janeiro-dia-3.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (2)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9EHH974nNI/AAAAAAAAABk/IO3665OeJhY/s72-c/Bailei83.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-8356006985645074533</id><published>2008-03-06T17:10:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T01:36:01.740-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (1)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9EI1N74nOI/AAAAAAAAABs/yylmxiG7ceU/s1600-h/Di%C3%A1rioBC.elenco.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9EI1N74nOI/AAAAAAAAABs/yylmxiG7ceU/s320/Di%C3%A1rioBC.elenco.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174927157192334562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoBodyText2"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;1983.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Janeiro, 1, sábado&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Reveillon na praia.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Família.&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Foguetes&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 70.8pt; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu, Márcia e Pedro, meu filho, passamos o Reveillon de 83 em Rainha do Mar. A casa dos meus pais na esquina da Rua 3 com a Avenida Principal. Uma construção que vi florescer por obra do meu então cunhado Jorge Moojen. Recém formando em Engenharia testava seus conhecimentos inicias. Fez o projeto e gerenciou a construção. E nesta casa usufrui verão após verão da adolescência até a vida adulta. A casa da praia fora ao longo dos anos uma espécie de sistema de medidas do crescimento familiar. Tínhamos uma parede onde se media o quanto cada um havia crescido naquele ano. Mas o essencial era a medida do crescimento emocional e o exercício das novas experiências. O fato de re-encontrar uma série de pessoas que não se encontravam regularmente durante o ano, dava a medida exata das transformações que a vida impunha. Rainha do Mar se tornara uma espécie de zona franca da nossa imaginação e servia de palco para as primeiras experiências. Equivalente a um cerimonial de passagem, na beira da praia aconteceu o primeiro namoro, o primeiro beijo, a primeira transa, a primeira briga, a primeira desilusão. Rainha do Mas, altar indígena das nossas mudanças ritmadas pelas ondas e pela temporalidade sincrônica de nossos corpos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Enquanto isso, o presidente João Batista Figueiredo falava de um novo Brasil para 1983. A ditadura militar iniciada em 64 aproximava-se do seu ocaso abraçada numa Abertura Política lenta, gradual e restrita. Prometia-se um retorno as liberdades democráticas e ao estado de direito. A inflação era de 99,7% ao ano e a paz tinha voltado ao bairro da Azenha porque os bombeiros finalmente prenderam um macaco louco que andava assombrando as casa e foi carinhosamente chamado de&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quico. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Jantar em família foi no pátio interno da casa, sobre o grama, que meu pai cortava semanalmente, e sob as estrelas de uma agradável noite de verão. A mesa posta a céu aberto, brisa suave e a temperatura amena e aconchegante. A noite dava indícios de um ano promissor. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu pai amava e ama seus vinhos. Uma alegria vê-lo abrir uma garrafa. Ele vibrava, entrava em êxtases, seus comentários eram grandiosos como se sofresse de um indefectível entusiasmo. Ele abriu uma garrafa de branco argentino muito perfumado e completou com um chileno, cabernet encorpado da Concha y Toro. Para ele, se o mundo pudesse ser salvo, o seria através do vinho. Nisso concordávamos, eu também sonhava com uma sociedade de bacantes, mais justa, embalada por festas dionisíacas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Bernardino, meu pai, como um corifeu comandava a noite sentado a cabeceira da mesa e Virgínia, minha mãe, a sua direita.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fernando e Salete, meus irmãos, completavam o coro, e espreguiçavam-se em cadeiras de balanço. Para os gregos o vinho carregava o Entusiasmo que é a presença dos deuses e o Êxtase quando o homem é tomado pela alegria divina. Enquanto aguarda as manifestações dos deuses, eu me encontrava num anti-climax, envolto num silêncio apaziguador. Foi um momento de contemplação e por um instante deixei que a noite pousasse sobre meus pensamentos. Um momento de mansidão, a paz assustadora da calmaria. Os deuses escondem as turbulências em mares tranqüilos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Antes da meia-noite fomos para a beira da praia. Foi um dos primeiros anos de foguetório em Rainha. Num quiosque abandonado sob a areia assisti o nascer do ano. Refiz meus projetos para o ano: uma peça nova que eu não tinha idéia do que seria; passar em todas as cadeiras da faculdade; saúde e amor. Coisas banais que todo o mundo pensa. Não tinha idéia do que aconteceria dali para frente, mas, de súbito, sem motivo aparente, uma emoção desmesurada me invadiu. Um cone emocional se abriu entre um fogo de artifício e o espocar de um foguete, um lapso temporal e eu fui tragado pelo buraco negro que culminou com o choro convulso&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;lavando meu rosto com lágrimas de incerteza. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-8356006985645074533?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/8356006985645074533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=8356006985645074533&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/8356006985645074533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/8356006985645074533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/dirio-de-montagem-de-bailei-na-curva.html' title='Diário de Montagem de Bailei na Curva 1983 (1)'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9EI1N74nOI/AAAAAAAAABs/yylmxiG7ceU/s72-c/Di%C3%A1rioBC.elenco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4286959098339051954.post-5892377721097602001</id><published>2008-03-06T13:10:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T01:36:01.892-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bailei na Curva'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='1983'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>Abrindo o bueiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a style="font-family: arial;" href="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9Bd0jlq-AI/AAAAAAAAAA0/8ATUxGPBCSA/s1600-h/DSC00466.1+7-3-2004+10-17-39.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_" style="margin: 0px 10px 10px 0px; clear: both; float: left;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9Bd0jlq-AI/AAAAAAAAAA0/8ATUxGPBCSA/s320/DSC00466.1+7-3-2004+10-17-39.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Uma manhã, caminhava com a Faísca quando vi o ano de 1983 escrito no bueiro. Parecia um sinal pois naquele mesmo período achara um diário de anotações da montagem original de Bailei na Curva, 1983. Estava trabalhando no livro quando vi o ano estampado no bueiro. Tirei a foto e a Faísca botou a língua para fora. O livro já está escrito, mas nunca foi editado. A Faísca morreu no início deste ano e eu resolvi botar a língua a funcionar. Abrindo um dispositivo que ficou relegado as gavetas durante anos. E agora começa a sair, aos pouco, sob o fogo brando e consistente dos anos em que as idéias ficaram incubando para virem a luz maduras, saborosas e nutritivas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="clear: both; text-align: left;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" alt="Posted by Picasa" style="border: 0px none ; padding: 0px; background: transparent none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="middle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4286959098339051954-5892377721097602001?l=dispositivocenico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/feeds/5892377721097602001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4286959098339051954&amp;postID=5892377721097602001&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5892377721097602001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4286959098339051954/posts/default/5892377721097602001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dispositivocenico.blogspot.com/2008/03/abrindo-o-bueiro.html' title='Abrindo o bueiro'/><author><name>Julio Conte</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16222467562352883328</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-Zf461HfNn58/TcmDYeiVZgI/AAAAAAAAA68/jwJ6isQ7gYg/s220/juliopassaporte72..jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_zRrAsE8gFZc/R9Bd0jlq-AI/AAAAAAAAAA0/8ATUxGPBCSA/s72-c/DSC00466.1+7-3-2004+10-17-39.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
